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“Nós não sabemos nada sobre o amor”, diz Isabela Freitas

Por Vinícius Costa
Ah, o amor! Esse sentimento uma hora ou outra vai chegar até você, então é bom estar preparado, porque nem sempre ele vem para ficar.
Quase todo mundo tem uma história para contar quando o assunto é relacionamento: seja a de como você conheceu seu marido/ sua esposa ou de como aquele que parecia ser o príncipe dos seus sonhos se mostrou o maior babaca do universo.
A mineira Isabela Freitas aproveitou todo o seu conhecimento da causa para escrever o livro Não Se Apega, Não (Intrínseca), no qual narra as desventuras e descobertas da personagem Isabela (quase seu alter ego) em relação ao amor. Tudo isso usando como base as 20 regras do desapego, que incluem tópicos como “Odiar pessoas não leva a nada” e “Quem é inteiro não precisa procurar pela sua metade”.
Em entrevista ao SaraivaConteúdo, Isabela conta como foi transformar as “dicas” e conselhos que publica em seu twitter e no seu blog (que alcançou seu primeiro milhão de visualizações logo no 1º mês no ar), além de falar um pouco mais sobre relacionamentos, o amor e o que planeja para o seu futuro.
Leia o nosso bate-papo com ela:
Você começou com o perfil @BlairVadia no twitter, depois passou para o seu blog e agora lança seu 1º livro. Como foi todo esse processo, essa evolução? Já estava nos seus planos?
Isabela. Nunca esteve nos meus planos. Tenho em mente que fazer planos nos frustra quando eles não se concretizam, então sempre mantive meus pés no chão, vivendo um dia após o outro. Criei o perfil Blair Vadia em minhas férias de julho de 2010 porque o ócio já estava tomando conta. E vejam só, teve mais 100.000 seguidores em três meses! Foi uma loucura. Depois eu enjoei. Quem sabia que eu era dona do perfil ficou me enchendo o saco, do tipo, “Ah, leva isso pra frente!’’, mas eu pensava: “Gente pra quê? Isso não vai me levar a nada”. Daí comecei a usar meu perfil pessoal como um diário virtual mesmo. Não tinha nada de muito diferente, além do fato de que eu falava o que pensava, sem rodeios. E ele fez sucesso também. Logo depois criei o blog; no primeiro mês, ele teve 1 milhão de visualizações, e mais uma vez meus amigos ficavam falando “Isabela, leva isso pra frente desta vez…’’. E mesmo assim, eu – teimosa – custei a levar meu blog a sério.
Após um ano e meio de blog surgiu a proposta de escrever um livro. E eu tive vontade de abraçar bem forte meus amigos que nunca me deixaram desistir. Porque, veja bem, desistir é mais fácil, né?
Por que você acha que tantas pessoas se identificam com o que você escreve? Seja sobre o desapego, sobre o amor, sobre sentimentos no geral…
Isabela. Sempre me pergunto o mesmo! Penso que é porque eu falo sem medo, com o coração. Minhas palavras não são tão planejadas, cuidadosas, melindrosas; são palavras que dizem o que eu penso. Entende? Com espontaneidade! Acho que as pessoas estão cansadas de conselhos mecânicos, como os que ouvimos todos os dias. “Vai ficar tudo bem”. Peraí, quem disse? Pode não ficar nada bem. Eu sou bem assim.
A história narrada no livro é ficção, realidade ou você misturou um pouco dos dois?
Isabela. Os personagens em si foram inventados e tirados da minha cabeça. A história e as lições são baseadas em coisas que eu já vivi, ouvi ou vi por aí. A protagonista é meu alter ego e, por isso, tem o meu nome.
O livro fala sobre o desapego. De onde veio essa inspiração?
Isabela. De mim! Em dada época da minha vida, percebi que precisava me desapegar. De pessoas do passado, de ideias fixas que eu tinha em mente e de alguns princípios bobos aos quais eu me agarrava. Criei meu twitter pessoal (foi na mesma época) e coloquei na biografia a frase “Não se apega, não”. Era um aviso (para quem quisesse se aproximar de mim) de que eu estava em manutenção. Precisava colocar os pensamentos em ordem. E o desapego veio. Deixei para trás tudo que me retinha e percebi que não precisava de mais ninguém para ser feliz. Desde então, “Não se apega, não” virou meu lema! O livro não poderia ter outro título.
O amor é um assunto que está sempre em pauta. Por que você acha que esse tema rende tanta conversa, debate e afins?
Isabela. Porque nós não sabemos nada sobre o amor. Vivemos falando e especulando sobre ele, mas a verdade é que ninguém sabe ao certo o que ele é. Nós o sentimos, isso sim é verdade. Mas e quando acaba? E quando algo que você pensou ser eterno acaba? Não deveria ser assim. Então tudo aquilo que você pensa que sabe sobre o amor evapora e você volta à estaca zero.
 
"A protagonista é meu alter ego e, por isso, tem o meu nome"
E o que é o amor para você?
Isabela. Que pergunta difícil! Como disse anteriormente, não se pode definir o amor. O amor para mim é composto por gestos, momentos e pessoas. O amor é minha mãe, meu pai, minha família. O amor pode ser o meu gato, minha cachorrinha. Mas o amor pode ser também o dia em que dei um sorriso a um desconhecido na rua. O amor está por aí, o tempo todo. Precisamos estar atentos!
Durante o livro, você sempre fala da importância da mulher se valorizar mais, parar de depender tanto dos homens e da sua aprovação. E os homens, passam por isso também? Os sexos são tão opostos assim como acreditamos?
Isabela. Homem também precisa se valorizar, se amar, confiar em si. Só que os homens despistam, e despistam muito bem. São poucos os que deixam sua fragilidade à tona. Com as mulheres é mais comum. Nós estamos o tempo todo deixando transparecer nossas emoções e anseios.
Não Se Apega, Não está cheio de conselhos, nos apresenta as 20 regras do desapego… Você segue tudo isso à risca? Segue seus próprios conselhos?
Isabela. Olha, eu tento. Mas é como eu já disse em outras entrevistas: é difícil seguir conselhos à risca. Às vezes sabemos o que é o certo, mas insistimos em errar. Por exemplo: em uma regra, eu digo que odiar as pessoas não leva a nada. E não leva mesmo. Mas tem momentos que me pego pensando coisas ruins de pessoas que me fizeram mal, e logo me policio: “Opa! Vamos lembrar que o ódio não faz bem?”. Daí, tento tirar da cabeça. A gente tenta… e na maioria das vezes consegue!
E falando nas 20 regras do desapego: como você as definiu? Por que 20?
Isabela. Escolhi 20 porque dez é muito pouco. Primeiramente eu fiz uma listinha com 20 coisas que aprendi com todos meus erros, acertos e decepções. Depois a reli e pensei “Opa! Tá aí! 20 regras do desapego’’.
O livro fala sobre as situações pelas quais uma garota passa durante toda sua vida em relação ao amor. Ele serve também para os garotos? E para casais do mesmo sexo, você acredita que há diferença no relacionamento?
Isabela. Serve, com certeza serve. Nas minhas duas noites de autógrafos (em Juiz de Fora e no Rio de Janeiro), alguns garotos foram lá me ver e pedir para que autografasse o livro (fofos!). Acho que no campo dos relacionamentos somos todos iguais.
E agora, o que planeja para o futuro? Quer escrever mais livros? Pretende explorar outros gêneros da literatura?
Isabela. Bom, pretendo lançar a continuação do Não Se Apega, Não. Porque a Isabela ainda tem muitas coisas a nos ensinar. E depois eu pretendo continuar escrevendo; outros livros, novas histórias. Quem sabe explorar outros gêneros? Adoro um chicklit! E apesar de meu livro ter alguma coisa de chicklit, ele tem também um pouco de autoajuda. Então, vamos ver…
Para encerrar: qual conselho você deixa para alguém que sofre por um amor perdido/ que teve fim?
Isabela. Sofra. Sofra mesmo. Tenha o seu tempo de luto, o tempo de sofrimento. Sofrimento não pode ser eterno, senão ele te leva para a cova junto com ele. Dê um tempo à tristeza, mas deixe a porta aberta para a felicidade entrar. Porque você sabe: felicidade não entra em portas trancadas.
 
"Minhas palavras não são tão planejadas, cuidadosas, melindrosas; são palavras que dizem o que eu penso. Entende? Com espontaneidade! Acho que as pessoas estão cansadas de conselhos mecânicos, como os que ouvimos todos os dias"
 
 
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