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Nos bastidores dos palcos lendários da música

Por Andréia Silva e Carolina Cunha
Beyoncé em sua ultima noite de apresentação para gravação do DVD no Roseland Ballroom
Registrar um show não é simplesmente gravar uma apresentação ao vivo. É preciso criar um clima mais intimista, envolver a plateia e, se possível, contar com a aura mítica de alguns palcos.
 
Quatro teatros, em especial, sabem bem disso: o Royal Albert Hall, Roseland Ballroom, Apollo Theater e Carnegie Hall.
 
Foi justamente um desses teatros, o Royal Albert Hall, em Londres, que serviu de cenário para um dos DVDs mais badalados do momento, Adele Live at The Royal Albert Hall, gravado no dia 22 de setembro de 2011.
 
O local é um dos mais importantes palcos britânicos ao lado do estádio de Wembley – onde o Queen registrou um show histórico em 1986, no auge da banda – e a O2 Arena.
 
Cantar no Royal Albert Hall, em Londres, é sonho de todo cantor britânico. O lugar é um mito por si só. Fundado pela Rainha Vitória em 1871, o local recebe mais de 350 performances por ano.
 
Já passaram por lá para registrar suas apresentações nomes como Jimi Hendrix, Michael Bolton, Rod Stewart, Simply Red, Erasure, Cream, Sarah Brightman, The Corrs e The Killers. O Oasis também escolheu o Royal Albert Hall para gravar seu Acústico MTV. 
 
 
Nova York é o verdadeiro celeiro desses palcos míticos da música. Um deles é o Roseland Ballroom, onde Beyoncé gravou seu mais recente DVD, Live At Roseland: The Elements Of 4.
 
Foram quatro noites de shows com ingressos esgotados para 3.500 fãs, uma platéia pequena para os padrões da diva, mas seleta, como manda o figurino do local.
 
O Roseland Ballroom é um local histórico da música e de Nova York. Há oito décadas ele abriga concertos, shows e todo tipo de evento, e já foi chamado de “o salão de baile mais incrível do mundo”. Funciona em um casarão antigo que abrigava uma pista de gelo no passado.
 
O tal público seleto que frequenta o local – que só abre para shows fechados – já teve a oportunidade de conferir apresentações de dançarinos como Fred Astaire, shows dos Rolling Stones, Madonna, Nirvana, Phil Collins, Radiohead, Sting, Black Sabbath, Portishead e AC/DC (os três últimos gravaram discos ao vivo); Dream Theater (que gravou lá o DVD Metropolis 2000: Scenes from New York) e Dio, que também registrou o show no DVD Evil or Divine.
 
Além disso, o Roseland também aparece em filmes como Malcom X, de Spike Lee, onde ele é cenário para a cena de dança em um amplo salão.
 
O Apollo Theater é outro desses lugares míticos para a música. Também em Nova York, no Harlem, o local abriu suas portas em 1914, ano da primeira Guerra Mundial e, desde então, já viu a nata do rock, do blues, do jazz e do pop se apresentar em seus palcos.
 
Foi lá que, em 1935, uma cantora até então desconhecida, Billie Holiday, eletrizou a plateia após abrir um show. Além dela, o local ainda revelou outras duas divas do jazz: Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan.
 
O local era conhecido pelo cardápio de artistas, comediantes e cantores, principalmente negros, que eram admirados pela plateia, outro item elogiado no Apollo Theater. Ou, como Billie escreveu em sua biografia, Lady Sings the Blues, “não há nada como o público do Apollo Theater”.
 
“Eles [o público] já estavam bem acordados de manhã. Não perguntavam qual era o meu estilo, quem eu era, como eu me formei, de onde eu vinha, minhas influências ou nada. Eles apenas traziam a casa abaixo”, escreveu a cantora.
 
Paul McCartney, Gorillaz, Patti Labelle e Elvis Costello também já se apresentaram no local, assim como Tina Turner, que, em 1982, fez um dos shows mais memoráveis da casa, que ganhou registro em DVD.
 
Em outubro de 2004 foi a vez de Ben Harper usar o local como cenário para gravação de um DVD, Live at the Apollo, acompanhado da banda The Blind Boys of Alabama.
 
Ben Harper durante gravação de DVD no Apollo Theater
Crédito foto: Melissa Nicholson
 
O Carnegie Hall, também em Nova York, é outro palco lendário. Com ar mais elegante e sofisticado, foi construído pelo filantropo Andrew Carnegie e inaugurado em 1891, ou seja, há exatos 120 anos.
 
O local coleciona momentos históricos. Entre eles estão o retorno do pianista Vladimir Horowitz, em uma apresentação em 1965, e o recital feito por Groucho Marx, em 1972. Frank Sinatra e Wycleaf Jean também já se apresentaram no Carnegie; ambos registraram seus shows em DVD. O game Parasite Eve também tem cenas ambientadas na casa.
 
Foi lá também que o baiano Caetano Veloso se apresentou em 2004, com a turnê A Foreign Sound, único álbum do cantor gravado todo em inglês. Caetano foi aplaudido por cinco minutos pela plateia. Algumas cenas do show feito no Carnegie Hall estão registradas no documentário Coração Vagabundo.
 
 
 
 
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