Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Outros 27.11.2012 27.11.2012

No caminho inverso: quando o digital ganha o papel e um game vira livro

Por Marcelo Rafael
 
Chegam às lojas mais ação, emoção, aventura e traição em meio a uma violenta e insidiosa releitura da Mitologia Grega Clássica. Kratos está de volta. Mas, desta vez, sem todo o aparato visual e sonoro que, segundo jogadores, torna God of War (GoW) um jogo eletrizante e extremamente viciante.
God Of War – a História Oficial Que Deu Origem ao Jogo chega às prateleiras em livro pela LeYa, editora portuguesa com filial no Brasil.
Leitores mais velhos podem já estar acostumados com séries de TV dando origem a livros, mas talvez ainda estranhem ver algo que deveria estar na seção de jogos empilhado na seção de literatura. Assassin’s Creed está entre os mais bem-sucedidos desse gênero. Lançado em 2007 para várias plataformas pela Ubisoft, o jogo tornou-se, em seguida, uma trilogia literária que ultrapassou a impressionante marca de 200 mil cópias.
Na mesma linha, saíram este ano Halo – Cryptum – a Saga Dos Forerunners, Diablo III – Ordem de Nate Kenyon e World Of Warcraft – Marés da Guerra, baseados nos mundos saídos dos games. Agora, quem ganha o papel é o mortal que se envolve em uma trama ardilosa dos deuses do Olimpo.
Recheada de cenas de batalha, a obra tem a promessa de estar à altura do jogo. “O que me atrai [no game] é a atmosfera sanguinária. Gosto de jogos assim, cheios de briga, guerra, corpos voando, sangue. Jogos que te prendem, em que você não pode desviar o olho da TV por um minuto, se não algo vai dar errado”, afirma Júlio César Ramos, de 20 anos, que conheceu GoW em 2008 e já zerou os três. Agora, ele pretende ler o livro.
Tatiana Jiménez Indá, 28 anos, revisora e autora do blog Leitora Viciada, nunca pula os vídeos de introdução dos jogos. É dessa história por trás da ação, antes de pegar o controle, que ela gosta. Jogadora de Resident Evil, Final Fantasy e The Sims, ela conheceu GoW há pouco tempo. “Foi o melhor jogo que joguei este ano”, afirma. “Além do gráfico magnífico e do visual do protagonista, a mitologia em questão e a história do jogo eram fundamentais. Gosto da forma como o Kratos vai evoluindo e se tornando mais poderoso e com armas diferentes”, comenta Tatiana.
É justamente essa trama, segundo os fãs, que arrasta o leitor do envolvente turbilhão de sons e imagens do jogo, onde tudo está pronto, para as páginas do livro sem ilustrações, que deixa a ação para a mente do leitor.
“Pensar na relação do guerreiro que desafia o Deus da Guerra só me fazia querer jogar mais para saber o que aconteceria”, conta Marlon Domingues, 29 anos, vendedor. Assim como Júlio César, ele também se interessava pelos enigmas da história espalhados pelo jogo. Marlon comprou o GoW logo que foi lançado, pois já jogava similares como Inferno de Dante, The Saboteur e Metal Gear.
“Lembro que o seu contexto, espelhado em imagens de quadrinhos nos momentos em que a história era contada, fazia o jogo ficar cada vez mais atrativo”, comenta, acrescentando que ele e um amigo ficaram jogando até as cinco da manhã para fechar o jogo.
Marlon não pretende ler a versão literária, mas considera interessante a ideia de prolongar a continuidade dos games ou contar pequenas histórias com façanhas de seus heróis.
 
Imagem do jogo God of War
Já Tatiana, que adora o cruzamento de mídias, mal consegue esperar para ter sua cópia. “Adoro quadrinhos que viram filmes (como os sucessos da Marvel e da DC), livros adaptados para cinema ou seriados (Game of Thrones, Diários do Vampiro), quadrinhos tornando-se games e até mesmo filmes virando livros (Branca de Neve e o Caçador)”.
Apesar de afirmar sempre ler o livro/quadrinho antes de ir ao cinema, ela acredita que esse tipo de adaptação pode ampliar o interesse pela leitura em um país com uma parcela de leitores ainda considerada pequena na população. E um exemplo dessa migração de mídia é o próprio Júlio César, que tinha o jogo Assassin’s Creed 2, mas nunca tinha jogado. Somente após ler o livro, virou fã e zerou o game.
Outro ponto positivo de uma obra literária que vem de um jogo é a questão da língua. “O jogo é em inglês, e apesar de entender até que bastante, tem sempre algo que passa. Acho que o livro pode sanar esses espaços que a história tem para mim”, afirma Patrícia Pizarro, desenhista cadista de 27 anos. Ela, que começou a jogar após ver o irmão em ação e não parou mais, acrescenta que muito do que aprendeu do inglês veio por meio de games desse tipo.
Marlon concorda. “Meu Inglês, que não é o melhor do mundo, foi aprendido muito mais nos games do que no ‘Verb To Be’ da escola pública”, diz.
Mas virá mais por aí, e em versões dubladas e legendadas: Kratos agora se prepara para dar seu próximo salto para fora do Olimpo. Já está encaminhada a adaptação da história para o cinema, com roteiros de Patrick Melton e Ryan Dunstan, os mesmos de quatro dos sete filmes da série Jogos Mortais.
 
 
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