Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 22.12.2010 22.12.2010

Nicholas Sparks

Por Felipe Pontes
Foto de Tomás Rangel

 

Distribuição de senhas com horasde antecedência, filas quilométricas, fãs em histeria, gente que viaja centenasde quilômetros para conhecê-lo. Não estamos falando de Justin Bieber ou Fiuk,mas com seu um metro e noventa, porte físico forte, cabelos louros, bronzeadoem dia e cara simpática, Nicholas Sparks bem que poderia preencher oestereótipo de um astro da música ou das telas de TV. Mas ele é escritor, dacasta dos best-sellers, com quatro deseus livros há meses entre os dez mais vendidos na Livraria Saraiva. Há poucassemanas, Sparks esteve pela primeira vez no Brasil para concorridíssimassessões de autógrafos em cinco cidades – Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro,Ribeirão Preto e São Paulo – e na rápida passagem concedeu uma entrevistaexclusiva ao SaraivaConteúdo.

“Quando comecei, eu não tinhaideia se faria sucesso em lugar algum, nem mesmo nos Estados Unidos. Então não,não esperava mesmo”, diz Sparks sobre o status de celebridade mundial queadquiriu em pouco mais de quinze anos de carreira. Ele já foi até ao Japãopromover sua obra e esteve também na Austrália e em praticamente todos ospaíses da Europa Ocidental. O contato direto com o leitor é um traço marcantede sua trajetória. Para se ter uma ideia, no início da carreira chegava avisitar 45 cidades norte americanas em apenas três meses. “Se gostarem de vocêe pensarem ‘olhe, ele parece um cara legal’, talvez dêem uma chance para aleitura do livro. Talvez se gostarem, contem para mais alguém. Eu adotei essafilosofia desde o primeiro momento e faço o mesmo ao redor do mundo, seja naItália, Alemanha ou Suiçã”, menciona.

O sonho realizado

Antes de realmente tentar a vidacomo escritor, Sparks vivia o sonho americano. Aos 28 anos, já havia passadopor dramas familiares, crises financeiras, sido campeão de corrida, encontradoo amor de sua vida, se tornado pai de família e batalhado por uma estabilidadeconfortável na Carolina do Norte com seus honestos 40 mil dólares por anoganhos como representante de produtos farmacêuticos. Sua história tinha tudopara ser um cruzeiro rumo a um envelhecimento tranqüilo, até que – leitor vorazque sempre foi, chegando a deglutir mais de 120 volumes por ano – ele decidiu tiraro hobby de escritor do fundo da gaveta e tentar verdadeiramente emplacar umlivro, um “tudo ou nada” derradeiro. Escreveu Diário de uma paixão em seis meses, nas horas vagas. O romance foiquase que imediatamente comprado por 1 milhão de dólares pela Warner Books,logo transformado no filme homônimo dirigido por Nick Cassavetes, e permaneceu no topo da lista de mais vendidos do New York Times por 56 semanas ininterruptas, chegando a ser traduzido em 45 línguas.

Desde então, Sparks publica emmédia um livro por ano, a maior parte com o mesmo resultado surpreendente. Umdoce sabor de façanha se insinua ainda mais quando nos debruçamos sobre oconteúdo de suas histórias. Ali não há nada de grandes fantasias, seresfantásticos ou auto-ajuda, como é o caso da maioria dos títulos no topo das listas de mais vendidos durante a última décadano Brasil. Podemos dizer que seus livros são best-sellers à moda antiga, tramas essencialmente, eexplicitamente, sobre o amor. Ou melhor, o amor e algo mais. “É esse algo maisque faz a diferença”, destaca Sparks. “Por exemplo, em A Última Música, a história é sobre amor e redenção, ou amor e achegada da maturidade, um livro do tipo que fala sobre amadurecimento. Enquantoque The lucky one é sobre amor emistério, amor e destino. É essa segunda parte que torna essas histórias bemdiferentes”, explica ele quando perguntamos como consegue manter o frescor desuas narrativas.

Seja qual for o segredo, o nome NicholasSparks se tornou referência para autores aspirantes, que o assediam em busca doovo de Colombo para o sucesso como romancista. Por isso ele chegou a criar umaseção em seu site unicamente para orientar esse tipo de público. Mais que isso,ele financia um programa de escrita criativa na Universidade da Carolina doNorte e chegou a fundar uma escola de ensino médio. Com sua pinta de galã, aaura de vencedor o envolve até quando se mete a ser treinador da equipe de track & field – modalidade decorrida na qual foi recordista – da escola pública próxima a sua casa, a atualcampeã nacional na categoria. No Brasil, um fã clube oficial chegou a sercriado por ocasião da sua visita.

Boa parte dos livros de Sparks é instantaneamenteadaptada ao cinema em filmes de grande bilheteria, como foi o caso de Diário de uma paixão, A última música, Noites de tormenta, Querido John e Uma carta de amor, esse último estreladopor Kevin Costner, Robin Wright Penn e Paul Newman. The lucky one acaba de ser filmado e pela primeira vez o escritorredigiu primeiro o script do filme e depois o romance, livro que deve serlançado no Brasil ainda no primeiro semestre de 2011.

> Assista à entrevistaexclusiva com Nicholas Sparks

 


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