Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Games 24.01.2013 24.01.2013

‘Ni no Kuni: Wrath of the White Witch’: O melhor de dois mundos

Por Míriam de Souza
 
Com títulos como A Viagem de Chihiro, Princesa Mononoke e Meu Vizinho Totoro, o Studio Ghibli é o mais famoso selo de animação japonês. Agora, seu trabalho chega aos gamers ocidentais com Ni no Kuni: Wrath of the White Witch, exclusivo para o PlayStation 3.
 
O jogo foi criado em parceria com a desenvolvedora japonesa Level-5, que já tem como estrela em seu currículo a série Professor Layton. Os puzzles resolvidos pelo professor Hershel Layton em suas aventuras se transformaram em uma das franquias de maior sucesso no Nintendo DS, com mais de 13 milhões de unidades vendidas.
 
Ni no Kuni foi anunciado em 2008 para o Nintendo DS. O lançamento aconteceu em 2010 – infelizmente, apenas para no Japão. Em novembro de 2011, saiu a versão para PlayStation 3, novamente só para os japoneses. A adaptação ocidental vem com dublagens em inglês.
 
CORAÇÕES PARTIDOS
 
Oliver, de 13 anos, vive na pequena cidade de Motorville. Quando sua mãe morre em um acidente, o garoto entra em choque e começa a chorar. Suas lágrimas trazem à vida um boneco chamado Mr. Drippy. O brinquedo, que tem uma lamparina presa ao nariz, era um presente da mãe de Oliver e revela ser, na verdade, uma fada de um mundo paralelo.
 
Cena do game
 
O nome do jogo, em japonês, quer dizer exatamente isto: o segundo mundo. Esse lugar, de onde vem Mr. Drippy, está ameaçado pelo vilão Shadar, e cabe a Oliver – que descobre ser um aprendiz de mago – salvar seus habitantes. Diversos personagens de Motorville têm “almas gêmeas” em Ni no Kuni, mas elas ocupam posições diferentes na dimensão fantástica. Um exemplo é o gato de estimação do dono de uma loja: o animal é capaz de governar uma cidadela no universo paralelo.
 
Com diversas características baseadas nos tradicionais RPGs japoneses, Ni no Kuni traz novidades, como o uso de Familiars nas batalhas. Durante sua jornada, Oliver encontra diversas criaturas estranhas, como um gordo pássaro azul ou um lêmure que carrega uma flor. Cada um desses monstrinhos tem sua habilidade especial e pode ganhar experiência, transformando-se em um guerreiro mais forte.
 
Durante as batalhas, Oliver dá ordens a seus Familiars, tornando os confrontos em tempo real mais simples. Eles podem obter equipamentos, como espadas, armaduras e acessórios. Outros monstrinhos podem ser capturados durante as lutas no mundo paralelo, dando ao jogo um quê de Pokémon. O protagonista pode carregar consigo três deles por vez, o que leva o jogador a escolher cuidadosamente entre as especialidades desses auxiliares de combate.
 
Oliver deve concluir diversas sidequests (tarefas paralelas) durante o período de jogo. A maior parte delas consiste em ajudar os habitantes de Ni no Kuni que estão com o coração partido. Usando mágica, o pequeno bruxo tem que resolver os problemas dessas pessoas: se alguém precisa de coragem ou gentileza, por exemplo, Oliver deve conseguir estes “itens” com outros seres que possuem essas características. Outra opção para se divertir além do enredo principal é completar as Hunts – missões de caça a determinados monstros.
 
GHIBLI ATÉ OS CRÉDITOS
 
Os gráficos do jogo lembram de perto clássicas animações do Studio Ghibli, mas o clima é trazido ao PlayStation 3 pela trilha sonora composta por Joe Hisaishi (compositor oficial de Nausicaä, Meu Vizinho Totoro, A Viagem de Chihiro e Princesa Mononoke) e interpretada pela Orquestra Filarmônica de Tóquio.
 
Outros paralelos podem ser traçados entre o game e os filmes do Studio Ghibli, como a presença de protagonistas infantis que devem atingir a maturidade precocemente para sobreviver e salvar amigos e familiares.
 
Cena do game
O ambiente místico e inexplicável também está nesta produção. Quando Oliver visita o palácio do Porcine Prince, no mundo paralelo, há uma regra explícita proibindo o contato visual. Essas regras estão por toda parte em A Viagem de Chihiro: um feitiço pode ser quebrado com uma tomada de fôlego sobre uma ponte. Quando a protagonista tem que deixar o mundo que visitou, não pode olhar para trás, ou tudo estará perdido.
 
Em O Reino dos Gatos, outra produção do Studio Ghibli, a protagonista, Haru, é levada a um mundo paralelo dominado pelos gatos. A amizade entre crianças humanas e seres fantásticos está presente em diversos filmes infantis do estúdio, como Meu Vizinho Totoro e o mais recente Ponyo, em que um peixinho dourado antropomórfico se torna o melhor amigo de Sousuke, um garotinho de 5 anos, e deseja se transformar em humano.
 

Não é a primeira vez que o Studio Ghibli participa do desenvolvimento de um game. A estreia foi em Magic Pengel: The Quest for Color, para PlayStation 2, um jogo que misturava arte com monstrinhos colecionáveis e foi lançado em 2002. No entanto, já havia games baseados no trabalho de Hayao Miyazaki, cofundador e principal nome do estúdio. O arcade Cliff Hanger, de 1983, foi baseado no filme The Castle of Cagliostro, dirigido por Miyazaki em 1979, mas não teve participação do japonês em seu desenvolvimento.

 
 
 
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