Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 30.11.-0001 30.11.-0001

Nem só de efeitos especiais “”A origem”” é feito

As comparações entre a trilogia Matrix e A origem, que estreia hoje, são inevitáveis. Mas o filme com roteiro e direção de Christopher Nolan tem parentesco mais próximo com o cinema autoral de diretores como David Lynch. A trama do filme entrelaça dois temas caros à sétima arte: o sonho, matéria de que é feita, e a busca pela felicidade.

O sonho aparece em primeiro plano. Leonardo DiCaprio é Dom Cobb, um especialista em roubar segredos industriais/empresariais durante o sono de suas vítimas, através de uma mistura de drogas e aparato tecnológico. A busca pela felicidade vem em segundo plano: no passado, tentado pelo próprio talento para forjar sonhos, Cobb resolveu criar um mundo perfeito para viver com a mulher, Mal (Marion Cotillard). A megalomania valeu-lhe a morte da mulher, da qual é considerado culpado.

Em fuga, a oportunidade de retornar para casa aparece na forma de um novo e desafiador trabalho. O empresário Saito (Ken Watanabe) garante que consegue mandar Cobb de volta para casa se ele for capaz de plantar uma ideia na cabeça de um jovem empresário rival: livrar-se do império herdado de seu pai. Para tanto, Cobb precisa montar uma verdadeira quadrilha. Além do colega Arthur (Joseph Gordon-Levitt), Cobb recruta a jovem Ariadne (Ellen Page), uma exímia arquiteta de sonhos, Eames (Tom Hardy), especializado em se passar por outras pessoas durante o sono alheio, e Yusuf (Dileep Rao), que fabrica as drogas usadas na missão.

Para conseguir fazer a inserção da tal ideia na cabeça do herdeiro Robert Fischer (Cillian Murphy), a equipe tem de “descer” três níveis no seu subconsciente – ou seja, criar sonhos dentro um sonho. Aí entra em cena um interessante jogo de referência ao próprio tempo cinematográfico: à medida que se avança nos “”subsonhos””, o tempo onírico aumenta em relação ao real. De modo que a ação em um nível mais profundo pode durar horas, dias ou semanas, durante um rápido “cochilo”.

Como há um perigo de ficar perdido num limbo do subconsciente, a equipe se vale de dois expedientes que lhes “conectam” de volta à realidade: um tótem, um objeto qualquer, e uma música – aqui a canção Non, je ne regrette rien, de Edith Piaf. Confuso? A ideia é essa. Tanto que os fãs trataram logo de sugerir teorias diversas para o enigmático filme. Algumas delas você pode ver aqui, em inglês. As interpretações, a propósito, são um dos elementos comuns entre A origem e Matrix. Temos também os efeitos especiais espetaculares, a glamurização de figurino e cenários e a dúvida cruel que persegue os personagens de ambos filmes – e, muitas vezes, a todos nós: o que é real e o que é sonho?

Propositalmente, o desfecho é um tanto “em aberto”. A origem 2 e 3? Não duvido. Veja abaixo um trailer legendado. E assista ao filme mais de uma vez.

 

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