Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 22.09.2011 22.09.2011

Nasce um novo detetive brasileiro

Por Carolina Cunha
Um homem sai de casa pela manhã e vê uma multidão na praia. A 40 metros de distância da orla, um corpo está atolado na lama. Não havia marcas de cortes ou tiros. Enquanto isso, a maré subia depressa. Era preciso agir rápido para desvendar o mistério.
“Eu vi essa cena muito clara para mim. Esse crime foi um divisor de águas. Foi uma coisa tão forte que eu tinha que escrever sobre isso”, conta o paulista Paulo Levy, 43 anos, publicitário e editor de livros.
Essa história digna das páginas policiais veio da imaginação de Levy durante uma temporada de férias na cidade de Paraty. Mas parecia tão real que ele pensou nela durante dias, até ter a ideia de fazê-la o ponto de partida para um livro, que ficou pronto quase um ano depois.
Réquiem Para um Assassino (Editora Bússola) é a estreia de Levy como escritor. O romance policial apresenta Joaquim Dornelas, um delegado que foi abandonado pela mulher, está longe dos filhos e que é “correto, mas humano”, nas palavras do autor. A partir do crime da praia, começa a investigar uma complexa rede de intrigas em Palmyra, cidade fictícia do litoral fluminense.
De pai para filho
Levy herdou o gosto pela literatura policial do pai. É fã dos detetives da literatura clássica do gênero, como Sherlock Holmes, comissário Montalbano e Hercule Poirot, mas procurou evitar se inspirar diretamente nesse perfil na hora de escrever o livro, e tampouco buscou referências na atual literatura policial brasileira.
“São figuras que fizeram parte de uma época, das décadas de 60 e 70. Procurei fazer um personagem diferente desses. Esses são muito metódicos, mentalmente muito aguçados, com a vida sempre em ordem. Já no Brasil, me distanciei desse gênero policial que está em voga por aqui, que é de extrema violência e palavrão o tempo todo”, acredita.
 
Com a criação do personagem resolvida, o grande dilema de Levy foi identificar para que público escreveria. Encontrou saída depois de assistir a uma entrevista da escritora Elisabeth Gilbert, na qual ela dizia que um dos seus segredos era imaginar que estava escrevendo para alguém.
“Eu estava começando a escrever o livro, com a ideia inicial de falar para um grande público que eu não conseguia identificar bem. Então imaginei meu pai, que eu estava contando a história para ele”.
 
Apoiado em pesquisas e entrevistas com policiais, o texto foi escrito de forma não linear, e não muito diferente do que acontece com alguns autores, a história acabou levando o escritor a tatear no escuro, em busca de caminhos. “Tinha dias que eu sentava no computador e me perguntava? Pra onde é que essa história vai? Eu cheguei até o último capítulo sem saber quem era o assassino”.
Do outro lado do negócio
 
Levy já trabalhou como redator publicitário em agências e na área comercial em editoras, até 2008. Hoje, comanda a Editora Bússola, cuja sede é um escritório dentro da sua casa. Lançar um livro foi experimentar um lado diferente do negócio – o da criação.
 
“É interessante por que você passa a entender o processo das pessoas que submetem os livros. Você consegue sentir a agonia deles, o volume enorme de autores que tentam ser publicados. Por outro lado, como eu tenho esse lado editor, eu entendo o processo, sei como um título tem que ser apresentado”, diz Levy.
Embora todas as suas viradas profissionais tivessem como fio condutor a palavra, até esse primeiro livro, ele não se imaginava escritor. A experiência exigiu dedicação e levou a uma descoberta pessoal que ele pretende assumir com tranquilidade. “Sempre sonhei em poder me dedicar nas horas vagas a um tipo de artesanato. Agora eu achei: me descobri escritor”.
 
Com o seu primeiro romance em mãos, Levy quer fazer da história de Dornelas uma série e lançar pelo menos um livro por ano. O livro já está nas lojas e o lançamento de Réquiem Para um Assassino acontece no dia 22 de outubro, na Saraiva do Shopping Vila Olímpia, em São Paulo, às 16h.

 
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