Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 16.07.2013 16.07.2013

Não tem como não amar Dexter, o serial killer “do bem”

Por Júlia Bezerra
 
AVISO: A MATÉRIA CONTÉM SPOILERS
 
A série Dexter chegou à sua oitava temporada, que também promete ser a última. O assassino “do bem” volta às telas depois de uma conturbada experiência, que resultou em um desastroso desfecho.
 
Segundo seus princípios, matar é permitido – contanto que a vítima seja do mal. E quem assistiu sabe que a última pessoa assassinada pelos irmãos Morgan não se encaixava no código. Nem por isso, no entanto, a legião de fãs de Dexter deixa de torcer pelo personagem. O assassino é tratado como mocinho pela maioria do público que acompanha a série.
 
O SaraivaConteúdo conversou com uma blogueira, um fã da produção e uma psicóloga para entender por que isso acontece.
 
DEXTER TEM CARACTERÍSTICAS DE SUPER-HERÓIS
 
Apesar de ser um assassino, Dexter tem um objetivo claro: punir quem faz o mal. Isso não é muito diferente das metas de Batman, Homem-Aranha, Super-Homem e outros heróis clássicos. Por sinal, qual deles nunca matou um vilão? No entanto, Dexter não possui poderes sobrenaturais.
 
“Ele é, acima de tudo, um ser humano. E isso contribui para o fascínio do público em relação ao personagem”, diz o fã Antônio Carlos Guimarães, que acompanha a série desde o primeiro episódio da temporada de estreia.
 
O PÚBLICO SE IDENTIFICA COM DEXTER
 
“Todos nós temos um lado malvado”, diz Priscila Derdyk, psicóloga do Centro de Análise do Comportamento, em São Paulo. “Sentimos inveja e desejamos o mal do outro, mas esses sentimentos são ocultados por uma capa de socialização. Quando assistimos à série, Dexter nos dá permissão para aceitar esses sentimentos”.
 
O personagem ignora a questão moral imposta pela sociedade e segue seu próprio código de ética, em que é permitido matar outros assassinos. “Às vezes, gostaríamos de ter coragem de consertar parte das injustiças que seguem impunes”, analisa Camila Telcontar, que escreve no blog Apaixonados por Séries.
 
DEXTER SEGUE UM CÓDIGO DE ÉTICA
 
O código de ética elaborado por Harry, pai adotivo de Dexter, confere certa legitimidade ao que o personagem faz. “Como os psicopatas da vida real, Dexter não tem sentimentos”, explica Priscila Derdyk. Segundo a psicóloga, não há tratamento ou reclusão que resolva o problema. “O que tentamos fazer é treinar o paciente psicótico para que ele consiga desenvolver sentimentos”.
 
De certa forma, foi o que Harry tentou fazer com o filho adotivo. “Ao longo das temporadas, percebemos que Dexter desenvolve grande carinho por seu filho e pelas crianças de Rita, sua ex-mulher”, lembra Priscila.
 
Camila Telcontar ressalta ainda que o fato de Dexter narrar seus pensamentos ao espectador ajuda a criar uma empatia entre público e personagem. “Ele não é um assassino frio que age de maneira inesperada. Nós sabemos o que ele está pensando e o que planeja fazer”, explica.
 
DEXTER TEM UM TRAUMA DE INFÂNCIA
 
Quando tinha apenas 3 anos de idade, Dexter assistiu ao assassinato a sangue frio da própria mãe. Mergulhado em uma poça de sangue, ele foi salvo pelo policial Harry Morgan, que assumiu sua paternidade. “É esse trauma que justifica sua posterior necessidade de fazer justiça com as próprias mãos”, diz a psicóloga Priscila Derdyk.
 
Os espectadores acabam, portanto, colocando a culpa do comportamento de Dexter no assassino de sua mãe. “O quanto Dexter sofreu antes de ser resgatado por Harry nos faz gostar do personagem”, justifica Camila Telcontar.
 
Ela ainda leva em conta o fato de Dexter valorizar a integridade da família, mesmo depois de tudo por que passou. “Já tivemos a chance de ver no que o irmão biológico de Dexter se tornou, e o resultado foi desastroso”, lembra a blogueira.
 
TODO MUNDO GOSTA DE DEXTER
 
Apesar de introspectivo, Dexter é carismático e se dá bem com os outros personagens da trama. Geralmente, quem não gosta de Dexter tem culpa no cartório. Sua própria irmã (Debra Morgan) chega inclusive a confundir o carinho que sente por ele com uma paixão carnal.
 
Se os entrevistados torcem por Dexter? “Espero que ele nunca seja pego”, confessa Antônio Carlos.
 
A psicóloga Priscila Derdyk também não hesita: “Quero que ele se dê bem no final, é claro!”.
 

Já a blogueira Camila é um pouco mais cautelosa: “Apesar da simpatia que tenho por Dexter, não gostaria que a série terminasse com um serial killer solto. Torço por ele, mas preferiria que os escritores também conseguissem fazer justiça”.

 
Apesar de introspectivo, Dexter é carismático e se dá bem com os outros personagens da trama
 
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