Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 30.11.-0001 30.11.-0001

“Não acreditavam que eu faria o filme”, diz diretor de ‘Riocorrente’

Por Edu Fernandes
 
Tradicionalmente, o cinema paulistano trata da dinâmica urbana e suas questões sociais. Riocorrente (Califórnia) é o mais novo exemplo desse tipo de filme. A estreia comercial acontece em 5 de junho.
A história é sobre Renata (Simone Iliescu, de Cores), uma mulher dividida entre dois homens opostos. Ela tem um namoro com futuro promissor ao lado de Marcelo (Roberto Audio, de Bruna Surfistinha), mas vive um caso tórrido com o criminoso Carlos (Lee Taylor, de Estamos Juntos). O triângulo se passa na cidade de São Paulo, apresentada nas cenas da produção com suas contradições e crises.
Riocorrente é a estreia do documentarista Paulo Sacramento (O Prisioneiro da Grade de Ferro) em direção de longa de ficção. O cineasta conversou com o SaraivaConteúdo durante o festival Olhar de Cinema. O filme fez parte da mostra paralela no evento curitibano.
Riocorrente mostra vandalismo em São Paulo. Como isso conversa com as manifestações?
Paulo Sacramento. O roteiro tinha algumas coisas que eram absurdas na época das filmagens, como pessoas andando com coquetel molotov nas ruas do centro de São Paulo. As pessoas não acreditavam que eu faria o filme, por ser surreal demais.
 
Paulo Sacramento apresenta Riocorrente durante o festival Olhar de Cinema
 
Os dois personagens masculinos são opostos. Quais preocupações você tomou para marcar essas características?
Paulo Sacramento. [Durante] o tempo inteiro do filme, eu queria que esses personagens atuassem em extremos. O ladrão mora em uma garagem exposta, anda de moto em contato com o mundo e quer uma amante. O intelectual mora em um apartamento guardado, com um monte de portões e barreiras, para criar um ambiente artificialmente seguro. Ele anda isolado no carro e procura uma mulher para um relacionamento estável.
E a personagem feminina? Como não transformá-la em uma mulher-objeto?
Paulo Sacramento. Eu tinha a preocupação de mostrar uma mulher liberta e dona do seu destino. Renata tem desejos, mas não é escrava deles. Ela é a única personagem com iniciativa, gira em falso com os outros, mas se arrisca mais. Ela não tem medo de sujar as mãos em busca do seu desejo. É uma dessas mulheres fortes.
Como foi a concepção das cenas de sexo?
Paulo Sacramento. O filme tem uma libertação de Renata, mesmo dividida entre os dois homens. A primeira cena de sexo começa com o homem dominando, mas ela sonha com outro. Depois, é ela que está no controle e chega a renegar o rosto do parceiro.
 

Com Carlos, a relação é mais carnal
A cidade de São Paulo é mais um personagem da produção?
Paulo Sacramento. A cidade é colocada no filme com seus opostos, como os personagens. São Paulo é culta e ilustrada, mas ao mesmo tempo é a cidade do crime e do desemprego. O filme inteiro trabalha com contrastes e dinâmicas. Eu acho que a nossa sociedade é muito comprimida e pasteurizada, e a gente abre mão de sensibilidades.
Você faz um filme autoral com efeitos visuais, uma combinação rara. Como foi esse processo?
Paulo Sacramento. Em O Prisioneiro da Grade de Ferro, eu já usei o avanço da tecnologia para contar a história com a minha proposta. Se não fossem as pequenas câmeras digitais, não seria possível. Em Riocorrente, desde o primeiro tratamento do roteiro, já tinha esse final que demanda efeitos – de uma maneira bruta, mas estava lá. Há dez anos, a tecnologia necessária tornaria o orçamento impossível. Eu precisava de efeitos plausíveis, apesar dos absurdos do roteiro.
Veja o trailer de Riocorrente:
 

 
 
Recomendamos para você