Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 24.02.2012 24.02.2012

Na semana da premiação, veja quem são os ‘barrados’ no Oscar

Por Andréia Silva
Cena do filme J. Edgar, com Leonardo DiCaprio
Ao longo de seus mais de 80 anos, o Oscar fez escolhas equivocadas e deixou muita gente de fora da disputa.
 
Mesmo obtendo sucesso de público e crítica, filmes como Taxi Driver, Laranja Mecânica, Psicose e Cidadão Kane (isso só para citar alguns) ficaram fora da premiação em seus anos de lançamento ou saíram da festa sem o prêmio principal, caso do filme de Orson Welles que, embora tenha sido um filme à frente de sua época, perdeu o Oscar de melhor filme para Como Era Verde o Meu Vale.
Isso lá pelos anos 40. Hoje, não é diferente. No caso dos atores, talvez ninguém tenha uma história tão curiosa quanto o galã Leonardo DiCaprio.
 
 
 
 
Indicado pela primeira vez ao Oscar com apenas 19 anos, quando disputou o prêmio de melhor ator coadjuvante por Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador, DiCaprio já provou ser mais que um rostinho bonito e virou o ator preferido de Martin Scorsese, a quem a academia vem se rendendo cada vez mais.
 
Recebeu mais duas indicações de melhor ator por Diamantes de Sangue e O Aviador. Nada de Oscar.
 
Este ano, nem indicado o ator foi.
 
Ele já havia declarado que ficaria decepcionado se não recebesse uma indicação pelo papel em J. Edgar, de Clint Eastwood.
 
Mas por que a Academia não premia Leo?
 
O crítico americano Tim O’Neil, editor do Gold Derby, site que acompanha os bastidores de diversas premiações como o Oscar, o Grammy, o Emmy, entre outros, tem uma explicação.
 
Em entrevista ao “E! Entertainment”, ele disse que o ator é prejudicado por um padrão da academia, que premia belas atrizes – Charlize Theron, Julia Roberts, Halle Berry, Gwyneth Paltrow, só para citar algumas –, mas quando se trata de atores, prefere nomes mais velhos como Daniel Day-Lewis, Sean Penn, Jeff Bridges, todos que já tiveram seus dias de galã.
 
"Os que votam não premiam jovens atores como Brad Pitt, Tom Cruise e Leo", disse O'Neil ao E!. "Esses anfitriões da academia parecem querer dar um recado aos jovens: 'você não pode ter tudo, garoto. Você tem fama, fortuna e todas as mulheres que deseja, então temos que lhe negar algo", completa ele.
 
Vale lembrar que, em 2011, talvez para quebrar um pouco a rotina, o prêmio foi para Colin Firth, que reúne todos os atributos de galã e de um bom ator.
 
Ou seja, pelo visto, o protagonista de Titanic, Romeu e Julieta, Prenda-me Se For Capaz, Ilha do Medo, entre outros, terá que esperar a boa vontade dos votantes para levar uma estatueta dourada para casa.
Comédias
 
Você se lembra de qual foi a última vez que uma comédia foi consagrada no Oscar? A verdade é que, no Oscar, a tendência é deixar o gênero um pouco de lado quando se trata de premiar os melhores filmes, elenco e produção. Ao contrário do que acontece no Globo de Ouro, onde o gênero tem uma premiação específica.
Uma das poucas comédias a sair consagrada na história do Oscar por receber os cinco principais prêmios (filme, diretor, ator, atriz e roteiro) foi Aconteceu Naquela Noite, filme de 1935 dirigido por Frank Capra.Desde então, um filme do gênero nunca foi tão premiado pela academia.
 
Este ano, na lista dos nove longas indicados ao Oscar de melhor filme, apenas um é uma comédia, Meia-Noite em Paris, de Woody Allen – ele mesmo já conseguiu o feito de ter uma comédia premiada, em 1978, com Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, que recebeu quatro estatuetas (melhor filme, roteiro e direção e de melhor atriz para Diane Keaton).
 
Na cerimônia de domingo, outra que conseguiu o feito de ser indicada é Melissa McCarthy (foto ao lado), que concorre como melhor atriz coadjuvante pela sua atuação na comédia Missão Madrinha de Casamento, filme que também disputa o prêmio de melhor roteiro original.
Brasil e Israel na fila
 
Quando se trata de premiar filmes estrangeiros, o Oscar já deixou clara a sua preferência pelas produções europeias e não poupa elogios quando gosta de um diretor – quem não se lembra do excesso de reconhecimento a Roberto Benigni, de A Vida é Bela, vencedor do Oscar em 1999?
Por outro lado, produções de outros continentes ficam com papel coadjuvante. Nos últimos 30 anos, os europeus ficaram sem a estatueta em apenas seis ocasiões, quando as produções estrangeiras premiadas foram de Taiwan (2001), Canadá (2004), África do Sul (2006), Japão (2009) e Argentina (1986 e 2010).
 
Brasil e Israel estão entre os principais renegados do Oscar. São reconhecidos em outras premiações, mas até hoje não convenceram a academia a premiá-los.
O Brasil tenta há muito tempo levar a estatueta para casa, o que parece uma missão impossível. A primeira tentativa de faturar um Oscar foi em 1963, com O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, indicado como melhor filme estrangeiro.Perdeu para o francês Sempre aos Domingos.
 
Depois, na década de 90, foram três indicações: em 1996, com O Quatrilho, de Fábio Barreto, também indicado a melhor filme; em 1998, por O Que É Isso Companheiro?, de Bruno Barreto. Nas duas vezes, a derrota foi para uma produção holandesa.
Em 1999, foi a vez de Central do Brasil, de Walter Salles. O longa foi indicado em duas categorias, melhor filme estrangeiro e melhor atriz (Fernanda Montenegro). Infelizmente, era o ano de Roberto Benigni.
 
Em 2004, Cidade de Deus (imagem ao lado), de Fernando Meirelles, bateu o recorde de indicações, quatro ao todo: melhor filme estrangeiro, melhor montagem, melhor roteiro adaptado e melhor fotografia. Mais uma vez, nenhum prêmio.

Este ano, o Brasil aparece em apenas uma indicação, melhor trilha sonora com Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, pelo filme Rio, de Carlos Saldanha.

No caso de Israel, o país vai torcer novamente pela vitória pelas mãos de Joseph Cedar, aclamado diretor israelense, com Footnote, indicado ao prêmio de melhor filme estrangeiro.
 
Nos últimos cinco anos, em pelo menos quatro Oscars um filme israelense foi indicado entre as produções estrangeiras.
No entanto, o tabu é grande, pois, até hoje, após dez nomeações, nenhum filme de Israel levou o prêmio para casa. Com a alta popularidade do filme iraniano A Separação, tudo indica que os europeus não terão chance, pelo menos em 2012.
Os negros no Oscar
O número de atores e atrizes negros, já reconhecidos pelo público em outras premiações pelo seu trabalho no cinema, destoa do número de vezes que a estatueta foi entregue a um negro.
A primeira indicação – e premiação – de um negro ao Oscar veio em 1940, 11 anos depois do início da premiação pela academia, iniciada em 1929, com Hattie McDaniel, eleita como melhor atriz coadjuvante pela atuação no filme …E o Vento Levou.
Ao longo dos anos, pouco mais de 20 atores e 20 atrizes foram indicados, mas o número de premiações ainda é baixo.
Entre os atores, Sidney Poitier levou o Oscar de melhor ator coadjuvante (por Uma Voz nas Sombras), enquanto três outros venceram na categoria de melhor ator: Denzel Washington (Dia de Treinamento), Jamie Foxx (Ray) e Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia).
 
Como coadjuvantes, outras três atrizes além de Hattie venceram: Whoopi Goldberg (Ghost – Do Outro Lado da Vida), Jennifer Hudson (Dreamgirls) e Mo'Nique (Preciosa).
 
Com relação ao prêmio principal, apenas Halle Berry consegui o feito, em 2002, como melhor atriz pela atuação em A Última Ceia (foto ao lado)
 
Para a cerimônia deste ano, embora o favoritismo esteja ao lado de Meryl Streep (A Dama de Ferro), outra atriz tem chances de roubar a cena e aumentar a lista de atores negros premiados: trata-se de Viola Davis, eleita no Globo de Ouro deste ano como a melhor atriz pela atuação em Histórias Cruzadas.
 
 
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