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Na Flip, James Shapiro lança livro em que tenta provar que Shakespeare escreveu Shakespeare

 
                            ESPECIAL
 
Por Andréia Silva
“Quando li, eu detestei Shakespeare”. Essa frase não teria graça se não fosse de James Shapiro, professor norte-americano que dedicou os últimos anos e dois livros ao estudo das relações entre os textos do autor inglês e a sociedade em que ele viveu.
 
O estudioso, hoje com 57 anos, ainda se lembra de sua reação negativa quando leu Shakespeare pela primeira vez.
“Eu tinha 13 anos quando estudei Romeu e Julieta. Eu não entendi, não gostei. Mas resolvi que estudaria Shakespeare de novo”, disse Shapiro, que está em Paraty, na Flip, para lançar Quem Escreveu Shakespeare.
O encantamento de Shapiro com as histórias do autor de Otelo, Rei Lear, Hamlet, entre outros, deu-se quando ele assistiu às peças durante uma temporada com o irmão em Londres. “Foi quando eu experimentei Shakespeare”.
De lá para cá, o professor vem dedicando boa parte de seu tempo a escrever e ensinar sobre Shakespeare – ele trabalha com atores, estudantes e até empresários que pedem conselhos a ele inspirados na obra do autor.
O primeiro livro sobre o tema foi 1599 – Um Ano na Vida de William Shakespeare, lançado em 2005. Já a nova obra, publicada em 2010, o estudioso reconstrói um caminho tortuoso, recheado de documentos fabricados, alegações falsas e fraudes, para tentar provar que Shakespeare escreveu Shakespeare, uma dúvida alimentada por nomes como Henry James, Mark Twain, Malcom X, entre outros.
Uma das motivações dessa incerteza parece ser a origem simples de Shakespeare e seu perfil mundano. “Não entendo essa ideia de que as pessoas comuns não possam ser extraordinárias. 99,9% das pessoas extraordinárias são comuns”, disse Shapiro. “Meu trabalho é tornar doloroso para essas pessoas pensarem dessa forma”, brincou.
De outro ponto de vista, o professor tem algumas respostas para o fato de, ainda hoje, muita gente duvidar que as peças atribuídas a Shakespeare foram de fato escritas por ele. “Vivemos em um tempo cético, onde as autoridades não inspiram mais confiança. Hoje é difícil ser um professor, um político, e parte disso é resultado dessa crise de autoridade. Por outro lado, isso nos mostrar que não somos conhecedores de nossa história como acreditávamos ser”.
Com muito ainda para ser explorado, Shapiro já está preparando o próximo livro sobre Shakespeare, que deve se chamar 1606. “Quero descobrir o que o inspirou a escrever suas tragédias naquele ano. É nisso que eu penso todos os dias”.
 
 
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