Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Outros 18.02.2013 18.02.2013

Musical ‘Quase Normal’ aposta na força do texto e na profundidade emocional

Por Willians Glauber
 
Quase Normal teve uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro e, a partir de 21 de fevereiro, os expectadores de São Paulo terão a oportunidade de apreciá-lo de perto.

 
O musical conta a história de uma família que faz de tudo para se manter unida, o que já seria difícil o suficiente.
 
Mas acrescente a esse enredo uma mãe com profunda desordem bipolar (Diana), uma filha problemática que quer fugir de casa (Nathalie), um filho quase perfeito, mas que nunca quer estar ausente (Gabe) e um marido abnegado (Dan). Eles enfrentam a doença de Diana e se esforçam para descobrir um novo significado para a vida em família.  
 
Torceu o nariz logo que leu a palavra “musical”? Se a curiosidade para conferir o desenrolar dessa história não falou mais alto que sua aversão a espetáculos desse gênero, então está na hora de se livrar dos preconceitos.
 
Quem sabe, você até cogite assistir ao Quase Normal? “Esse musical é perfeito para quem ainda torce o nariz para os musicais”, comenta Cristiano Gualda, que interpreta o personagem Dan Goodman.
 
Quem teve a chance de ver o espetáculo no Rio de Janeiro concorda com Gualda. “É um musical que te faz viver emoções muitas vezes perdidas, fazendo com que todos em cena redescubram seus papéis e aceitem um ao outro. Vai te fazer gostar do gênero de uma vez por todas”, comenta Anderson Soares Cavalcante, estudante de Relações Internacionais.
 
Diana e seus dois filhos: no musical, a personagem vai perdendo a lucidez, conforme se acentuam os sintomas da bipolaridade
 
Além de oferecer ao público diálogos densos e letras inteligentes nas canções, Quase Normal traz à tona momentos de profunda emoção, pitadas de humor e elementos que comovem a plateia.
 
O PODER DA MÚSICA
 
Na hora de expressar emoções tão profundas quanto as contidas na trama de Quase Normal, a música é ótima aliada. Vanessa Gerbelli, que dá vida à protagonista Diana, contou ao SaraivaConteúdo que é justamente ao ouvir a melodia e o som dos violinos que ela entra na personagem e se emociona todas as vezes. “Muitas pessoas vão se relacionar com os temas, elas saem tocadas de alguma maneira. É nevrálgico, existem poucos musicais como este”, enfatiza a atriz.
 
E essa nevralgia foi sentida pelos expectadores. “Nas duas vezes que eu assisti, presenciei soluços de choro na plateia; ao fim da apresentação, eu sentia um misto de emoção, euforia e tristeza. É sem dúvida o musical mais tocante que eu assisti”, acrescenta Cavalcante.
 
O cartaz de divulgação do musical ilustra o emaranhado e a confusão de emoções enfrentadas por Diana e sua família

O estudante Paulo Cesar David viu três vezes o musical e diz que ficou emocionado em todas elas, pois “Quase Normal passa uma verdade e emociona com canções que são marcantes”.

 
As emoções à flor da pele são interpretadas e cantadas no palco, embaladas pelo ritmo do rock and roll. Afinal, que outro gênero, que não o rock, conseguiria expressar melhor a mistura de sensações e os efeitos causados pela bipolaridade da protagonista?
 
“A música é o texto, a música conta a história. Ela é sofisticada, com melodias que apreendem você”, explica Gualda. O ator conta que, na temporada carioca, ouviu dizer que as pessoas até esqueciam que ali havia músicas e se concentravam na história, independentemente de ser falada ou cantada.
 
Quase Normal aposta na força das letras das canções, no poder do texto e na atuação do elenco, deixando de lado os artifícios usados nas superproduções musicais
 
Vanessa fala também sobre uma das grandes diferenças de Quase Normal, quando comparado a outros musicais: “A música fala de uma realidade, não é um escape, um refúgio na peça”.
 
CONSAGRADO PELO PÚBLICO E PELA CRÍTICA
 
Next to Normal, nome original do espetáculo, ficou em cartaz durante quase dois anos na Broadway, de abril de 2009 a janeiro de 2011. Depois de terminada a temporada nos palcos de Nova York, o musical viajou pelos EUA e está com agenda lotada: excursionará até o dia 30 de março de 2014 pelos estados norte-americanos.
 
Na Broadway, ele foi indicado a 11 prêmios Tony e levou três para casa. Além disso, graças à sua dramaticidade tocante, o musical recebeu um Pulitzer, em 2010.
 
Desde que nasceu essa premiação, apenas oito espetáculos musicais (entre eles, o Quase Normal) conquistaram o privilégio. A versão brasileira foi indicada a três prêmios APTR e tida pelo Jornal O Globo como um dos 10 melhores espetáculos de 2012.
 
A atuação de Vanessa Gerbelli é bastante elogiada por quem já viu a peça e rendeu à atriz uma indicação ao prêmio APTR
 
O espetáculo chegou a receber o título de revolucionário dentro do Teatro Musical, já que trata de um tema complexo e não faz uso dos elementos comuns a uma superprodução musical, como cenários gigantescos e trocas incessantes de figurinos.
 
Quase Normal não subestima a inteligência do espectador. É um espetáculo que tem uma profundidade emocional, com conflitos bem expostos; você sai do teatro diferente de como você entrou. A peça conta uma história da nossa vida”, diz Tadeu Aguiar, diretor do musical. 
 
Vanessa Gerbelli e Cristiano Gualda sugerem outros musicais para você
 
West Side Story
Um dos mais tradicionais musicais da História. A versão para o Cinema pode ser assistida em DVD (no Brasil, o título foi adaptado para Amor Sublime Amor).
 
Rent
Outra produção que revolucionou o gênero musical, o espetáculo visto nos palcos pode ser conferido em DVD.
 
Once
A produção que está em cartaz na Broadway foi inspirada no filme Apenas Uma Vez.
 
 
 
Recomendamos para você