Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 30.11.-0001 30.11.-0001

Música na tela

Foi uma noite histórica. Em 21 de outubro de 1967, o palco do Teatro Paramount, em São Paulo, ferveu. Naquela noite, aconteceu a final do III Festival de Música Popular Brasileira, produzido e transmitido pela TV Record. Naquela noite, nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Edu Lobo e Roberto Carlos – todos em início de carreira – disputaram o festival mais importante da história da MPB. O que estava em jogo não era somente uma boa colocação, mas a intenção de que saíssem vitoriosas as idéias então revolucionárias que estavam sendo postas em prática no festival, em especial por Gil e Caetano, que se apresentaram com os grupos Os Mutantes e Beat Boys, incorporando a guitarra elétrica à música brasileira. Caetano cantou Alegria, Alegria. Gil defendeu Domingo no Parque.

Toda a efervescência daquela final é revivida no filme Uma Noite em 67, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil. Ainda sem data marcada para entrar em circuito, o filme vai ser exibido no festival de documentários É Tudo Verdade, que acontece em São Paulo e no Rio de 8 a 18 de abril.

Vale a pena disputar o ingresso de uma sessão. Com fartas imagens da noite histórica, colhidas no arquivo da TV Record, o documentário traz entrevistas com todos os principais compositores envolvidos na disputa. Inclusive Sérgio Ricardo, cuja atitude intempestiva de arremessar seu violão contra a platéia – que o vaiava enquanto ele tentava apresentar Beto Bom de Bola – ajudaria a dar caráter lendário àquela noite. Sérgio diz que não se arrepende do gesto. Caetano diz que se apresentar com guitarra foi uma atitude política. Já Chico Buarque, que defendeu Roda Viva com o MPB-4, lembra que se sentiu sozinho, alçado ao posto de mocinho conservador. Até Roberto Carlos – intérprete do samba Maria, Carnaval e Cinzas – deu depoimento para o filme.

Seja como for, quem venceu o festival foi Edu Lobo com a bela Ponteio.

> Confira o trailer do documentário

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