Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 22.01.2010 22.01.2010

Música é eficiente fio condutor de documentário sobre Humberto Teixeira

Se a arte é capaz de revelar não só o artista, mas também a pessoa por trás dela, então “O homem que engarrafava nuvens”, documentário sobre o compositor Humberto Teixeira (1915-1979), cumpre muito bem seu intento. A música é o principal e mais eficiente fio condutor da documentação feita nessa bela homenagem ao Doutor do Baião. 

Em cartaz desde a semana passada, o filme com direção de Lírio Ferreira (de “Cartola – Música para os olhos” e “”Árido movie“”) foi produzido pela filha de Teixeira, a atriz Denise Dumont. É ela quem pontua o documentário com a afirmação de que não conhecia outra figura que não a de “papai”. Faltava conhecer o homem que saiu do sertão cearense para se formar em Direito no Rio de Janeiro, o político, o criador de leis de direitos autorais e, é claro, o compositor de um grande clássico da música brasileira: “Asa Branca”. 

Ferreira busca extrair todas essas facetas justamente da música feita por Teixeira. Desfila, para tanto, um cancioneiro que alcançou fama até internacional, mas cujo criador ficou na “invisibilidade”, à sombra, por exemplo, de seu mais célebre intérprete, Luiz Gonzaga. Daí, ouvimos não somente versões de “Asa Branca” com Maria Bethânia, seu mano Caetano Veloso e David Byrne, como “Kalu” (Chico Buarque), “Adeus Maria Fulô” (Gal Costa), “Juazeiro” (Bebel Gilberto), “Qui nem jiló” (Lenine), “Paraíba” (Elba Ramalho) etc. 

Claro que Ferreira não dispensa outros expedientes para investigar seu personagem. Recorre à própria voz do compositor, em trechos de entrevistas que espalha ao longo do doc, vai até a cidade natal de Teixeira, Iguatu (CE), conversa com ex-mulheres, ouve depoimentos de contemporâneos e artistas por ele influenciados, boa parte deles nordestinos também, como Fagner, Belchior, Otto, Lirinha etc. 

Por meio dessa parte, digamos, mais objetiva ou didática, aprendemos que Teixeira fez a ponte entre o norte e o sul do país para o baião passar. Com sua habilidade para mesclar uma linguagem matuta a uma erudita, como coloca o poeta Pedro Bandeira no filme, Teixeira possibilitou que o ritmo – ao lado do samba uma das dinastias da música brasileira, segundo Gil – chegasse ao Rio de Janeiro e, daí, até mesmo ao restante do mundo. 

Um depoimento alcança destaque especial: o da pianista e atriz Margarida Jatobá, mãe de Denise, e a quem o filme é dedicado in memoriam. A franqueza de Margarida, quanto à personalidade de Teixeira, faz um contraponto interessante com o discurso dominado por loas entoado pela maioria dos entrevistados. Ajuda a entender ainda mais o personagem. 

“Quanto à “invisibilidade“ de Teixeira, vale ressaltar que o próprio Rei do Baião Luiz Gonzaga tentou “fazer justiça” quando deu ao compositor o apelido de Doutor do Baião, como se aprende no longa. E é bem provável que Gil, perguntado sobre o assunto, é quem tenha razão: “A alegria dele era ouvir Gonzaga cantar!”. 

… 

> Assista ao trailer do documentário

O documentário “O homem que engarrafava nuvens” tem um siteblog. Veja abaixo onde o filme está passando no Rio e em São Paulo.

No Rio 

Espaço Rio Design (sala 2):19h10 

Unibanco Arteplex (sala 5): 13h20, 15h30, 20h, 22h 

Ponto Cine: 18h 

 

Em São Paulo 

Cine Bombril (sala 2): sexta a quinta, 18h10 

Espaço Unibanco Augusta (sala 3): desde 14h 

Frei Caneca Unibanco Arteplex (sala 7): sexta a quinta, 17h30 

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