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Muse: o novo rei do rock britânico

Por Humberto Finatti
 
Era uma vez um garoto inglês baixinho, nascido em Cambridge, em 1978, e que começou a estudar piano aos seis anos de idade por pressão do pai músico. Mas logo o menino abandonou o instrumento e passou a tocar guitarra, aos treze anos. Três anos depois, Matthew Bellamy já tinha montado o Muse. 
 
E talvez não imaginasse, à época, que quase duas décadas depois o grupo seria um dos maiores nomes do rock atual. Com seis discos de estúdio lançados até hoje, diversos prêmios musicais ganhos ao longo dos últimos anos e tocando já há tempos apenas para estádios lotados, o Muse é possivelmente o maior grupo britânico em atividade. E se prepara para desembarcar novamente no Brasil (onde já se apresentou por duas vezes) em setembro de 2013, quando irá tocar no festival Rock In Rio.
 
O trio (que é completado pelo baixista Christopher Wolstenholme e pelo baterista Dominic Howard) nasceu em 1994, no condado inglês de Devon. Mas o primeiro álbum, Showbiz, sairia apenas cinco anos depois e já por um grande selo (a Warner Music). 
 
No entanto, foi com Origin of Symmetry, editado em 2001, que o Muse começou a ser notado pela imprensa musical e por um público maior. E foi também a partir desse álbum que o conjunto passou a despertar amor e ódio quase em proporções idênticas. 
 
O som épico (e não raras vezes também grandiloquente e histriônico), quase “progressivo” e “espacial”, combinado com doses de eletrônica, e as letras do vocalista e guitarrista Matt (um obcecado por temas de astronomia e ficção científica) começaram a arrebanhar milhões de fãs no Reino Unido. 
 
Integrantes do Muse
 
Ao mesmo tempo, os detratores da banda a acusavam de emular o som do gigante Radiohead, além de se incomodarem com o ego do trio, que aumentava à medida que o grupo se tornava mais conhecido e vendia mais discos.
 
“O Muse não só não é o novo Radiohead como está bem distante do tipo de som que o Thom Yorke [vocalista do Radiohead] faz”, analisa Rodrigo James, um dos editores do programa musical “Alto Falante”, que é levado ao ar pela emissora de TV Rede Minas. “Se alguma comparação se faz lógica é com o Queen, mas no sentido de que o Muse sempre quis ser uma banda de arena”, completa. 
 
Júlio César Magalhães, músico que atua na cena independente paulistana, tem opinião parecida com a do jornalista mineiro: “No futuro, o Muse talvez seja lembrado com a mesma mistura de nostalgia e sarcasmo que hoje envolvem o reconhecimento das bandas que os inspiraram, como o Rush e o Queen”, afirma.
 
De fato, a partir de Absolution, lançado em 2003, o Muse procurou mudar sua sonoridade em alguns aspectos, para escapar das comparações com o Radiohead. Isso incluiu a adição de mais suingue e vocais em falsete nas canções, em um processo que culminou no trabalho seguinte, Black Hole and Revelations
 
Lançado em julho de 2006, é o disco que catapulta a banda ao megaestrelato e faz o single "Supermassive Black Hole" estourar nas rádios do mundo inteiro, Brasil incluso. A essa altura, o trio já vende milhões de cópias de seus álbuns na Inglaterra e começa a se apresentar apenas em estádios gigantescos, sempre com lotação esgotada. Ao mesmo tempo, o grupo vai conquistando prêmios como o Brit Awards de melhor conjunto de rock (por dois anos seguidos). Mas Matt Bellamy ainda queria mais.
 
E esse “mais” veio com o lançamento do mais recente trabalho de estúdio, The 2nd Law, editado em outubro passado. O primeiro single do CD, “Survival”, foi escolhido como a canção oficial dos Jogos Olímpicos de Londres. 
 
Capa de 'The 2nd Law'
 
E ao apresentá-la na festa de encerramento dos Jogos, o Muse mais uma vez exagerou na grandiloquência do aparato ao vivo: pediu à produção do evento nada menos do que um coro de duzentas vozes para entoar trechos da canção. “O termo adequado para o Muse é ‘ingenuidade’”, teoriza e ironiza o músico Júlio Magalhães. “Eles são tão pretensiosos, arrogantes e autocentrados que terminam soando infantis e inocentes. Uma qualidade rara na era de falsa modéstia e cinismo total em que vivemos”, observa. 
 
Ingênuos ou egocêntricos, o fato é que o Muse continua mobilizando multidões por onde passa – inclusive no Brasil, onde o trio tocou em 2009 e em 2011, abrindo a última turnê do U2 por aqui. 
 
A próxima visita será no Rock In Rio 2013, e os fãs brasileiros, imunes às opiniões dos que criticam o trabalho do grupo, aguardam ansiosos desde já a nova visita de Matthew Bellamy.
 
Assista ao vídeo de “Madness”, do Muse
 

 
 
 
 
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