Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 19.09.2012 19.09.2012

Mostra de cinema traz programação inédita no Brasil

Por Regiane Ishii
 
Entre os dias 21 de setembro e 4 de outubro, o Indie Festival traz três retrospectivas e 60 filmes contemporâneos de 18 países a São Paulo. Produções inéditas no Brasil e que tiveram importante trajetória nos principais festivais internacionais compõem sua programação.
As exibições (várias em 35 mm) acontecem no Cinesesc e no Cine Olido e têm entrada gratuita. Em seguida, de 9 a 14 de outubro, o festival segue para Porto Alegre. A grade completa está disponível no site do evento. Conheça os destaques da seleção:
Retrospectiva Aleksey Balabanov
 
A Rússia de todas as épocas é o principal tema da filmografia de Balabanov. Nela, personagens marginais, feridos pela história, tentam sobreviver em uma sociedade corrompida. A retrospectiva inclui 12 títulos, entre eles, seu primeiro filme: Dias Felizes (1991), inspirado em texto de Samuel Beckett. 
 
Merece destaque Irmão (1997), protagonizado pelo ator Sergey Brodov Jr., em que um jovem ex-soldado se torna um assassino. O filme de baixo orçamento alcançou uma boa bilheteria na Rússia e se tornou um marco do cinema pós-soviético. Em Irmão 2 (2000), o mesmo protagonista empreende uma viagem rumo aos Estados Unidos por conta de uma vingança. Seu mais recente filme, Eu Também (2012), exibido este mês no Festival de Veneza, também integra a seleção.
 

Retrospectiva Charles Burnett
Estudante da Faculdade de Cinema da UCLA na década de 1960, Charles Burnett se tornou um dos mais importantes nomes do cinema independente empreendido pelos jovens cineastas afro-americanos. O Matador de Ovelhas (1977), resultado de sua dissertação de mestrado, foi realizado com baixo orçamento e elenco amador na vizinhança de seu próprio bairro, Watts, gueto negro de Los Angeles.
Nele, Stan trabalha em um abatedouro e tenta proteger sua família da desonra. Relançado 30 anos depois em cópia restaurada, o filme foi reconsagrado pela crítica como marco do cinema independente norte-americano. “Não acredito que eu seja capaz de responder os problemas que têm existido há tantos anos. Mas acredito que o melhor que posso fazer é apresentá-los de uma maneira que as pessoas queiram resolvê-los”, disse. Aos 68 anos, Burnett segue na ativa. Namíbia: A Luta pela Libertação (2007) mostra a trajetória de Sam Nujoma, primeiro presidente desse país.
 

 
No dia 23 de setembro, após a exibição de O Matador de Ovelhas, às 19h30, o diretor participará de bate-papo com o público no Cinesesc.  
Retrospectiva Kazuyoshi Kumakiri
 
Pela primeira vez, a filmografia do diretor japonês poderá ser vista no Brasil. Kichiku: Banquete das Bestas (1997), escrito, produzido e dirigido por Kumakiri, foi realizado como seu trabalho de conclusão de curso na faculdade de cinema da Universidade de Artes de Osaka. Seduzido pela energia do movimento estudantil japonês de 1970, o diretor trabalhou a tensão crescente entre as pessoas de um grupo, misturando política e terror. Sua originalidade arrebatou as plateias internacionais.
Já com seu primeiro filme, realizado com atores não-profissionais, Kumakiri marcou presença no Festival de Berlim. “De certo modo, Kichiku é um filme muito pessoal. Liberei meus próprios desejos de violência e tentei abrir o interior de minha mente para deixar sair todo o veneno”, disse.
Outros oito trabalhos compõem sua retrospectiva, sempre marcada pelo espírito underground. Buraco no Céu (2001) traz a jovem atriz Rinko Kikuchi (Babel) interpretando uma garota que é abandonada pelo namorado em uma estrada de Hokkaido. Já Casa Devastada: A Doença de Zoroku (2004) é uma adaptação do mangá de Hideshi Hino, conhecido por seus personagens bizarros e violentos.
 
No dia 21 de setembro, após a exibição de Kichiku, às 19h30, o diretor participará de bate-papo com o público no Cinesesc.  
Hotel Mekong (2012), de Apichatpong Weerasethakul
 
Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes com Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010), o diretor tailandês retornou ao festival deste ano com Hotel Mekong.
 
'Hotel Mekong'
 
Realizado em vídeo, assim como seus trabalhos voltados às exposições de arte, o filme aponta para um direcionamento que deve ser explorado cada vez mais: o hibridismo entre a arte e as narrativas cinematográticas. Radicalizando o caráter experimental de sua filmografia, Apichatpong afirma que Hotel Mekong é como um “documentário sobre criar ficção”. Em apenas uma hora, o diretor documenta o hotel onde a equipe da produção estava morando. Localizado à beira do rio Mekong, que divide a Tailândia e o Laos, o local abriga os personagens de uma mãe-vampira e de sua filha. 
Vestígios (2012), de Naomi Kawase
Premiada nos mais importantes festivais internacionais por seu trabalho ficcional, como Floresta dos Lamentos (2007), a japonesa Naomi Kawase dá continuidade à série de documentários sobre sua vida pessoal. Em especial, sobre a ausência de seus pais biológicos e o papel central de seus pais adotivos. Logo após seu nascimento, Kawase foi deixada sob os cuidados de tios-avós. Aos 14 anos, seu pai adotivo faleceu. Vestígios retrata a aproximação da morte de Uno Kawase, a mãe adotiva. Com a serenidade típica japonesa no tratamento com a morte, a diretora escreveu em seu diário: “Ela sempre foi grata por cada dia, se importava com a relação entre cada um e mantinha um simpático sorriso. Escutei de muitos presentes no funeral que seu rosto parecia muito calmo e bonito”. 
 
3.11 Sentir-se em Casa (2012), Naomi Kawase, Apichatpong Weerasethakul, Jia Zhang Ke, Jonas Mekas, Bong Joon Ho, Patti Smith e outros
 
Em memória das vítimas do terremoto e do tsunami que assolaram o Japão no ano passado, Naomi Kawase convidou outras 20 diretores para participar do projeto. Cada um realizou um curta-metragem de 3 minutos e 11 segundos (a duração exata do tsunami) refletindo sobre o mesmo tema: a ideia de lar. O resultado são visões vindas de toda parte do mundo por alguns dos nomes mais importantes do cinema contemporâneo. 
 
 
 
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