Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 24.08.2009 24.08.2009

Moby, sujo e dramático

Por Aline Pina

Moby chega às lojas com o mais novo cd Wait for Me (EMI), bem diferente do anterior Last night (Mute, 2008), que resgatava ares dos anos 80 e pegada mais disco. No novo trabalho, o norte-americano volta à sua raiz mais introspectiva, misturando músicas simples a fortes batidas eletrônicas, trazendo à tona todo seu lado dramático. O disco tem um ar sujo que, por vezes, dá sensação de um vinil tocando na vitrola, e abusa dos instrumentos clássicos e dos vocais. Somos transportados a um universo melódico, fantasioso que muitas vezes pode soar melancólico.

Logo em “Division”, que abre o disco – todo gravado em estúdio dentro de sua casa, segundo site, onde Moby mantém um blog, os violinos trazem o clima melódico que rege todo o álbum. Já “Pale Horses”, segundo single deste projeto, traz um vocal feminino dramatizado e o crescimento de seu lado clássico, quase uma continuação de “Division”. “Study War” soa como um discurso inflamado, com uma voz repetitivamente falando “Finally brother after a while (…) The battle will be over (…) From that day when we shall lay down our burden and study war no more (…) The battle will be over (…) There will be no war”.

“”Shot in the back of the head””, o primeiro single retirado do disco, revelou novamente o Moby que conhecemos, sendo aquele artista tímido e minimalista, porém cheio de vontade e de curiosidade em arriscar. Essa faixa ganhou videoclipe dirigido por David Lynch, um dos diretores mais importantes do cinema contemporâneo, entre os seus filmes estão: Império dos sonhos (2006), Cidade dos sonhos (2001) e Veludo azul (1986); além da série Twin Peaks. Lynch também já produziu vídeos dos músicos Chris Isaak e do grupo Massive Attack.

Moby sempre foi um militante em diversas causas e enxerga o ser humano como o grande destruidor de si mesmo. “Wait for Me””, faixa título do álbum, conta com um belo vocal feminino e produção de Ken Thomas, da banda islandesa Sigur Rós. “Stock Radio” é uma faixa curta e serve de continuidade, de passagem, dessa viagem cheia de sentimentos e sensações. Em “Mistake”, o vocal parece ser do David Bowie, porém Moby garante que foi ele mesmo quem gravou. “A Seated Night” me fez lembrar por alguns segundos a trilha sonora de O senhor dos anéis. É incrível como Moby conseguiu levar a essa música toda a leveza e curiosidade que a noite nos remete. 

O músico, produtor, DJ e multiinstrumentista (ele toca os instrumentos que aparecem nas músicas) encerra esse novo projeto com “Isolate”, batida simples e atemporal que ganhou uma magia ainda maior com elementos clássicos como piano e instrumentos de cordas. O CD nos mostra um Moby mais introspectivo do que nunca, curioso com o mundo e com a música, porém mais silencioso e observador.

Nova-iorquino, formado em filosofia, Moby estudou teoria musical e violão clássico, possui dezenas de discos lançados, entre inéditos, compilações, remixes e até álbuns com pseudônimos de Voodoo Child e DJ Cake. Seu primeiro single, “Go”, foi lançado em 1990, e elogiado pela revista Rolling Stones, como um dos melhores registros do ano. Ajudando-o a lançar seu primeiro disco por uma grande gravadora, a Elecktra Records, chamado Everything is Wrong, em 1995, após quatro álbuns independentes.

Em 1999, o músico lançou seu sexto álbum, Play, um de seus discos de maior sucesso. Impulsionado pelos hits “Porcelain”, e “Why does my heart feel so bad?”, entrou na lista dos melhores do ano em várias revistas e tornou-se disco de platina em 26 países, garantindo o lugar de Moby entre os gigantes da música eletrônica. Play possui uma sonoridade semelhante ao Wait for Me, por ter também músicas melódicas e canções minimalistas. Destaque para as combinações perfeitas entre a música eletrônica, blues e rock. Nos anos seguintes, o músico lançou os álbuns 18e Hotel.

A atuação de Moby no universo da música eletrônica como um dos personagens que fez deflagrar a cena do tecno e das raves gera controvérsias. O artista é, por vezes, aclamado por ter tirado os DJs do anonimato e, por outras, criticado por ter diluído e misturado o tecno com as mais diversas influências. O apelido, Moby, deriva do clássico da literatura norte-america, Moby Dick, de Herman Melville. Richard Melville Hall, seu nome, diz que o autor é um de seus ancestrais na família Melville, e por isso escolheu o nome como uma homenagem.

> Confira o site e o MySpace do dj e multiinstrumentista

 > Moby na Saraiva.com.br

> Assista aos três vídeos com músicas do novo disco (o primeiro, de David Lynch), à entrevista com Little Idiot, o personagem e alter ego do músico, e ao clássico vídeo de “”Why does my heart feel so bad?””

 

 

 

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