Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 26.06.2014 26.06.2014

Milton Leite relembra histórias e personagens das Seleções Brasileiras

Por Maria Fernanda Moraes
 
Quando o gênio das pernas tornas encantava os chilenos com seus dribles desconcertantes na Copa do Mundo de 1962, o narrador esportivo Milton Leite tinha apenas três anos de idade e nem imaginava que Garrincha seria o nome daquela Copa. Quatro anos depois, o menino já com sete anos, acompanhou a Copa de 1966, na Inglaterra, pelo rádio.
 
Mas foi a de 1970, com aquela seleção estrelada, que marcou a sua memória. “Essa copa é muito interessante porque foi a primeira transmitida pela televisão, ao vivo. Nas outras não tinha tido isso, as informações chegavam depois. E eu acho que dei muita sorte, a primeira Copa que eu me lembro em detalhes, que eu assisti, já era uma seleção espetacular”.
 
Foi com essas histórias na cabeça, a paixão pelo futebol e a curiosidade jornalística latente que Milton reuniu histórias e personagens das seleções brasileiras no livro As Melhores Seleções Brasileiras de Todos os Tempos (Editora Contexto).
Depois de tantas entrevistas, muitas histórias e conversas com gente que fez do futebol brasileiro o mais respeitado do mundo, além de seu longo convívio profissional no mundo da bola, o Almanaque pediu a Milton que elegesse algumas boas histórias e personagens marcantes de cada uma das Copas que o Brasil ganhou. Confira:
 
1958 – PELÉ PÕE O BRASIL NO MAPA
“Pela primeira vez a Seleção Brasileira disputou um Mundial com Pelé e Garrincha juntos. Pelé era garoto ainda, com 17 anos, e o Garrincha um pouco mais velho. Muita gente não se lembra, mas o curioso é que nem Garrincha nem Pelé eram titulares daquela Seleção. Eles entram só na terceira partida, contra a União Soviética. No caso de Pelé, ele ainda se recuperava de uma contusão. Já Garrincha, esteve ameaçado até de não ir para a Suécia. Pouco antes da Copa, a Seleção fez dois amistosos na Itália contra Fiorentina e Internazionale. O Djalma Santos lembra que o Garrincha fez aquelas jogadas dele e a comissão técnica chegou à conclusão de que ele não estava preparado para jogar, por sorte foi convocado”.
 
1962 – VETERANOS REPETEM A DOSE
“Era uma Seleção envelhecida, que repetia praticamente o mesmo time de 1958. Em geral, o que dizem Zagallo e o Djalma Santos, era que essa Seleção não tinha todo aquele brilho de 58, mas que por outro lado eram caras que sabiam como ganhar um Mundial. Então, o Brasil atravessou a competição sem tomar grandes sustos, mesmo com a contusão do Pelé. O Garrincha se tornou o grande protagonista, quando Pelé se machucou no segundo jogo, contra a Tchecoslováquia. Era uma seleção muito experiente, já tinham tirado aquilo que o Nelson Rodrigues chamou de ‘Complexo de Vira-Lata’”.
 
1970 – SELEÇÃO FAZ HISTÓRIA NO MÉXICO
“É legal lembrar que aquele talvez tenha sido o primeiro time moderno do futebol brasileiro. Porque eram jogadores que jogavam numa mesma função (ou bem parecida) em seus times – a exemplo do Rivelino, do Gerson, do Pelé (embora fosse um pouco mais avançado), do Tostão, que no Cruzeiro era meia, como o Rivelino. E você pegar esse povo todo, colocar num
time só e funcionar tão bem como funcionou, é uma coisa espetacular! Era um time que trazia a marcação muito para trás, fazendo com o adversário permitisse o contra ataque. Muitos dos gols que o Brasil fez naquela Copa foram de contra-ataque, na velocidade”.
 
Seleção de 62
Seleção de 70
 
1994 – PRAGMATISMO PARA SAIR DA FILA
“O grande destaque dessa Seleção foi o Romário. O que se comenta é que ele ganhou o Mundial sozinho, mas a gente sabe que isso não existe. O Romário estava no seu melhor momento, na sua melhor fase. O que o Romário fez naquela Copa foi acima da média. E isso
é uma marca de todas as Seleções campeãs do Brasil: elas sempre tiveram um cara acima da média. Em 1958, Pelé e Garrincha. Em 1962, Garrincha. Em 1970, de novo o Pelé. Nessa de 1994 era o Romário e em 2002, tinha o Ronaldo e o Rivaldo. O próprio Parreira diz que montou uma Seleção que tinha que ter o máximo de segurança, porque o Brasil já não era campeão fazia 24 anos. E foi exatamente o que aconteceu”.
 
2002 – DO CAOS À GLÓRIA NA ÁSIA
“Os destaques dessa Copa são certamente Ronaldo e Rivaldo. Mas temos que levar em consideração que o Felipão acreditou que os dois poderiam jogar. Ambos vinham de contusão. O Ronaldo estava praticamente um ano inteiro sem jogar e o Rivaldo estava parado há três meses no Barcelona por contusão. Além de tudo, o Brasil inteiro estava pressionando pela convocação do Romário. O Felipão bancou o Ronaldo no lugar do Romário e o Rivaldo como titular. Acho que essa aposta do Felipão foi fundamental, os dois acabaram sendo os principais jogadores do time e o Ronaldo ainda foi artilheiro da Copa”.
 
Seleção de 94
Brasil na Copa de 2002
 
2014 – EXPECTATIVA PARA COPA DO BRASIL
“A Seleção convocada agora é basicamente a mesma que vem com Felipão desde o início de 2013, mudou muito pouco, a base é a mesma. Diferentemente de quando o Felipão assumiu em 2002, que tinha uma pressão danada, pois o Brasil estava quase sendo eliminado. Acho que mesmo quando a Seleção Brasileira não está bem, ela chega na Copa como uma das favoritas. Acho até que o Brasil não é o melhor time deste Mundial, mas é um bom time”.
 
 
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