Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 17.04.2010 17.04.2010

Microcontos no Twitter

Por Ramon Mello

Um conto em 140 caracteres. Nos tempos em que comunicação e a literatura estão cada vez mais entrelaçados às novas tecnologias, a Academia Brasileira de Letras (ABL) entrou na era do Twitter e lançou um concurso de contos curtíssimos.
Idealizado pelo presidente da Academia, o escritor Marcos Vinicios Vilaça, o concurso de microcontos no Twitter – uma das ferramentas sociais que vem revolucionando a comunicação nos últimos anos – premiará três textos, de temática livre, levando em consideração o uso correto das normas gramaticais, como coerência, coesão e ortografia.
“”Ao instituir o concurso de microcontos por meio do Twitter da ABL, o que pretendemos é, mais uma vez, contribuir para o estímulo a leitura, especialmente dos jovens. A ideia está dando certo porque, hoje, já temos 1300 contos inscritos””, comemora Marcos Vilaça, que também é membro do Conselho Estadual de Cultura.
Os vencedores terão seus textos expostos no Portal da ABL, assim como no Twitter [@Abletras]. Além disso, o 1º lugar receberá um Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP); o 2º lugar ganhará um minidicionário escolar da Academia Brasileira de Letras; e o 3º lugar receberá um minidicionário da Língua Portuguesa do Professor e Acadêmico Evanildo Bechara, todos os volumes com as atualizações do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
A ideia tem sido aprovada por escritores como o pernambucano Marcelino Freire [@MarcelinoFreire], organizador da antologia Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século, publicado em 2004, pela Ateliê Editorial muito antes da onda do Twitter.
“”Isso mostra que a ABL não está morta e quer se comunicar. Acho salutar. Sempre que cito os microcontos, falo do Machado de Assis, fundador da ABL. Machado fazia, desde sempre, microcapítulos em seus romances. Era um mestre da concisão””, diz. 
O escritor aproveita o tema para citar um microconto inédito, intitulado Chá, escrito especialmente para a Academia: Não molham mais o biscoito / os imortais“”, brinca o escritor, que reuniu na microantologia Acadêmicos como Antonio Carlos Secchin, Moacyr Scliar e Lygia Fagundes Telles – a escritora escreveu um microconto sobre o mar, especialmente para o livro organizado por Marcelino Freire: Fui me confessar ao mar. / E o que ele disse? / Nada.
O poeta e professor gaúcho Fabrício Carpinejar, autor de mais de uma dezena de livros de poesia e crônica, vencedor do Prêmio Nacional Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras (2003), também aprova a iniciativa dos Acadêmicos. 
“Esse concurso é muito importante para aproximar os jovens da ABL, que possui uma programação intensa e várias parcerias com eventos literários. Temos que modificar a relação com a Academia, nossa noção de respeito é a noção de museu. Não pode ser assim. A internet ajuda nesse processo. É importante a brevidade para o aperfeiçoamento do texto. Os usuários podem entender que qualquer solidão é povoada. E como é importante se mostrar para depois se recolher”, afirma Carpinejar, que lançou, no ano passado, o livro Www.twitter.com/carpinejar (Bertrand Brasil) – primeira publicação da história do mercado editorial a trazer editado conteúdo do Twitter [@Carpinejar], onde possui aproximadamente 22 mil seguidores.
“Acredito que esse concurso é uma forma de conciliar a tradição com suportes e redes sociais, mostra que academia não é só um chá das cinco. Literatura é fastfood, é esse desembaraço. Além de desglamurizar o fardão, a ABL está encontrando a roupa de banho. É salutar capturar os modismos, os dialetos. A única gramática realmente atualizada é da rua””, diz. 
O concurso, cuja inscrição pode ser feita até o dia 30 de abril, conta a avaliação de uma Comissão Julgadora, composta por Alexei Bueno (poeta e responsável pela Galeria Manuel Bandeira); Luiz Antônio de Souza (responsável pela Biblioteca Lúcio de Mendonça) e Raphael Pinheiro (responsável pelo Portal da ABL).
Para participar do concurso basta seguir a ABL no Twitter e enviar o microconto para o email: academia@academia.org.br, com seu nome, telefone e endereço.
Concisão é preciso, mas com criatividade.
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