Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 17.05.2011 17.05.2011

Michel Hazanavicius e Luc e Jean-Pierre Dardene

Por Felipe Candido
Foto: Christine Plenus

 

Michel Hazanavicius

É possível fazer um filme, em plena era do 3D, remetendo às origens da sétima arte, isento de cores e sons? No último domingo (15/05), no festival de Cannes, o diretor Michel Hazanavicius provou que sim, na exibição de The Artist.

No filme francês, a história de Georges Valentin (Jean Dujardin), a maior estrela de Hollywood, quando a industria cinematografica  ainda era muda, e da aspirante a atriz Peppy Miller (Berenice Bejo) é contada de forma emocionante e cativante. Com certo saudosismo, o diretor mostra como o som chega ao cinema, e faz com que os grandes nomes tornem-se obsoletos e percam seu destaque.

A mistura de comédia, melodrama e história de amor produz um filme construído de forma complexa, com ritmo e tom corretos e belas cenas.

Na estreia do diretor no Festival de Cannes, Hazanavicius buscou um novo tom para sua obra, marcada por paródias de filmes policiais. Seus dois longas anteriores, da série Agente 117 (Agente 117, uma aventura no Cairo, de 2006, e Agente 117: O Rio não responde mais, de 2009), mostraram a facilidade do diretor em produzir boas gargalhadas.

Agora com The Artist, Michel Hazanavicius mostra que também sabe fazer a emoção brotar à flor da pele, conquistando o público muito mais pelo coração do que pela razão.

Luc e Jean-Pierre Dardene

Os irmãos Dardene, que venceram a Palma de Ouro em duas ocasiões (em 1999 com Rosetta e 2005 com A Criança), voltam ao festival mostrando que continuam mestres na arte de expor a realidade de forma tão expressiva e latente, em especial na relação entre pais e filhos.

O filme Lê Gamin au velo, que foi apresentado no festival de Cannes no domingo, conta a história do jovem Cyril (Thomas Doret) que busca ansiosamente a reencontrar seu pai, que o abandonou em um lar para crianças. Mas o encontro é com Samantha (Cécile de France), que lhe dedica todo carinho e dedicação, mas o garoto continua alimentando um sentimento negativo pelo fato de ter sido abandonado.

Com obra que busca uma aproximação extrema com a realidade, os irmãos belgas Luc e Jean-Pierre Dardene, constroem os dramas familiares de maneira crua, e sem máscaras. Com um bom histórico no Festival (os irmãos Dardene saíram com pelo menos um prêmio de todas as edições de Cannes que participaram), o novo filme dos diretores é apontado como forte candidato ao prêmio máximo da mostra.

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