Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo HQ 24.04.2013 24.04.2013

Mark Twain e Tom Sawyer passeiam pelas águas do Mississipi em nova HQ

Por Marcelo Rafael
 
Uma vida cheia de aventuras espelhada em uma obra repleta de encantos e peripécias pelos EUA. Essa foi a vida de Samuel Clemens no final do século XIX, que agora é retratada, lado a lado com seus personagens, no álbum As Aventuras de Mark Twain e Tom Sawyer.
O último lançamento da Coleção HQ Saraiva conta, de maneira simples e direta, a história de Clemens: como ele se tornou timoneiro nas águas do Rio Mississipi; como, dessa profissão, tirou o pseudônimo pelo qual ficou mais conhecido, Mark Twain; como escreveu contos e romances; e como teve bloqueios criativos.
O trabalho de pesquisa e retrato dos EUA no século retrasado ficou a cargo dos irmãos Walter e Eduardo Vetillo, que têm uma parceria de longa data e uma ligação especial com Samuel Clemens/Mark Twain.
Eduardo começou sua carreira no famoso estúdio de Ely Barbosa, desenhando os personagens da Hanna-Barbera. Em seguida, desenhou o gibi Os Trapalhões, Spectremen e personagens da Disney como Urtigão e Peninha,além de Chaves e Chapolin. Mais recentemente, ilustrou O Sítio do Pica-pau Amarelo.
Já Walter, formado em Economia, de início largou o diploma e dedicou-se à escrita. “Quando eu estava no terceiro ano da faculdade, consultei uma psicóloga que fez um teste de Rorschach com borrões (método criado pelo alemão Hermann Rorschach) e falou ‘Isso aí não vai dar certo. Ciências Exatas não são a tua cabeça’”, comenta.
Trabalhou com eventos e como jornalista, sendo um dos pioneiros a falar de Ecologia no país. Por meio do irmão, veio a parceria na área dos quadrinhos, em 1990. E do estúdio dos dois, surgiram As Aventuras de Mark Twain e Tom Sawyer.
“O Eduardo já tinha me trazido todos os esboços. Coloridos, inclusive”, conta Rogério Gastaldo, gerente editorial da Saraiva, que contribuiu com ideias, como a colorização.
“A história do Tom Sawyer passou a ser parte integrante da história do Mark (na obra). Daí, eu propus aos dois que saíssemos do lugar-comum da história colorida, e começamos a trabalhar com P&B, sépia…”, comenta.
A seguir, os irmãos contam como foi lidar com a vida de Mark Twain e sua ligação com o artista.
Como surgiu a ideia da HQ?
Eduardo. Algum tempo atrás, eu já queria fazer a história do Tom Sawyer em quadrinhos. Então, eu levei essa ideia ao Rogério Gastaldo, editor dos paradidáticos da Saraiva. Ele achou interessante, e nós conversamos. Isso foi no começo do ano passado (2012). E foi uma grata surpresa, para mim, encontrar um editor com a cabeça aberta totalmente e com novas ideias. Ele realmente fugia do habitual. E ele perguntou se eu teria um roteirista para esse livro, já que os outros com quem eu trabalhava estavam ocupados ou não poderiam fazê-lo. Lembrei logo do Walter.
Walter. Era só para ser uma releitura (da obra) de Tom Sawyer. Acontece que, no papo com o Rogério, nós descobrimos que o Mark Twain tinha nascido quando passou o cometa Halley (1835). E ele (Mark Twain) falou: “Quando o cometa Halley vier, ele vai me levar”. 75 anos depois (em 1910), quando o cometa voltou, ele ‘levou’ o escritor (falecido em abril daquele ano). O Rogério achou isso um tremendo gancho, e a gente amarrou essa ideia de juntar a vida de Mark Twain, que é uma vida muito rica de aventuras, ao livro que ele escreveu,Tom Sawyer. O criador e a criatura. Aí que foi a grande sacada.
 
                                                                                                                              Marcelo Rafael
Eduardo e Walter: parceria de anos do economista que virou jornalista e do desenhista que ilustrou Disney e Hanna-Barbera

Qual foi a influência de Mark Twain (da vida ou da obra) na carreira de vocês?

Eduardo. Um dos primeiros livros que eu li foi As Aventuras de Huckleberry Finn, que era um amigo do Tom Sawyer, que tem grande destaque no livro. Eu considero Huck Finn um livro superior ao Tom Sawyer. Desde que li esse livro eu vinha cultivando a ideia de quadrinizá-lo. É importante lembrar que o Mark Twain foi uma espécie de Monteiro Lobato norte-americano. Ele viveu e cresceu às margens do Rio Mississipi, em uma cidadezinha do Missouri e, durante a infância e adolescência, foi angariando fatos e personagens com quem ele convivia para mais tarde transformar nos livros, (bem como) as barcaças que singravam o Mississipi etc., e foi isso tudo que contribuiu.
Walter. Eu me formei como economista, mas do terceiro para o quarto ano fiz uma aventura com um amigo. Então nós pegamos um navio cargueiro em Vitória (ES) e nos aventuramos. Meu irmão morava na Dinamarca. Eu o encontrei efiquei um tempo por lá, depois voltei, peguei o mesmo navio e fui até a Noruega, como timoneiro. O capitão me deixou em um canal estreito e eu fiquei assustado, mas ele me falou “Não, você está um excelente timoneiro”. Essa foi a identificação que eu tive, porque o Mark Twain também foi um timoneiro nos barcos do Mississipi. E eu também, como o Eduardo, lia muito. Foi muito gratificante fazer esta obra.
Como foi a pesquisa histórica para a construção de personagens, indumentária e cenários da época?
Eduardo. O que ajudou bastante foi que eu morei quase três anos nos EUA e tive um certo contato com a cultura deles. Eu me interessava muito por histórias do William Faulkner, Mark Twain e outras que abrangem o sul dos EUA e que são muito ricas em personagens. Paralelamente, nós já havíamos montado essa barcaça do Mississipi. Já era um prenúncio do que nós faríamos mais tarde.
Walter. O nosso hobby é montar barcos. É até um alívio mental montar maquetes. Nós já montamos vários barcos. Foi uma coincidência: quando surgiu o livro, eu falei para o Eduardo (do barco montado). Montamos a peça já há uns três anos. Uma coisa que é importante ressaltar é a sintonia entre eu e meu irmão, pois trabalhamos juntos no estúdio. Uma coisa é ter o roteirista e o ilustrador separados, às vezes nem se conhecem. Como a gente trabalha junto, no estudo em Alphaville, há uma sintonia muito grande entre nós, porque eu sugiro ilustrações a ele e ele sugere ao meu texto. Nós já trabalhamos em quase 14 livros. O primeiro livro foi em 1990, com A Grande Viagem. Depois, demos um tempo, mas de uns quatro, cinco anos para cá, estamos trabalhando junto e com várias editoras, com livros paradidáticos e adaptações.
 
                                                                                            Marcelo Rafael
A barcaça Mississipi serviu de modelo para Eduardo ilustrar as estripulias de Tom e Mark na obra
 
 
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