Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 15.08.2011 15.08.2011

Mário Vitor Rodrigues peca sem culpa em romance de estreia, Absolvidos

Por Andréia Silva
 
O caminho já estava traçado. Mas como o próprio Mário Vitor diz, ele tentou sem sucesso “rejeitar o clichê” familiar e não se render à carreira de escritor ou a qualquer outra área envolvendo arte, como aconteceu com a maioria dos Rodrigues. Resultado? “Eu estava realmente infeliz”.
 
A resposta dita em tom de brincadeira tem seu fundo de verdade. Mário Vitor Rodrigues (foto) viajou, estudou fora do Brasil, voltou e foi trabalhar com marketing. Foi quando chegou à conclusão fatalística.
 
“Foi amor à primeira vista”, diz ele ao comentar a sensação de ter finalmente se entregue à arte de escrever, algo que em sua família, especialmente pelo avô, Nelson Rodrigues, já era praxe.
 
Em seu romance de estreia, Absolvidos (Editora Nova Fronteira), Mário Vitor fala dos temidos pecados capitais, ou melhor, do doce prazer de cometê-los.
 
“É meu primeiro livro, mas penso que é difícil escrever sem emprestar um pouco de si àquela história. Esse livro é um pouco isso”, diz Mário ao rejeitar as condenações impostas pelo simples fato de pecar.
 
“Esse nome [pecado] contamina. A gente é como é e ponto final. Mas somos frutos de uma colonização e os Portugueses não são o melhor exemplo no quesito modernidade. Daí ter dinheiro traz culpa, a paixão traz culpa. Costumo brincar dizendo que eu acho viajar tão bom que deveria ser pecado”, brinca.
 
Absolvidos traz uma proposta libertária e convidativa. Quatro colegas de faculdade se desafiam a viver intensamente durante três meses um dos sete pecados capitais (aos que não se recordam: ira, a inveja, a soberba, a gula, a luxúria, a preguiça ou a avareza). Incomunicáveis entre si durante o período, só o leitor pode acompanhar o que passa a rondar cada personagem.
 
A proposta do desafio é vista como algo que tem o objetivo de driblar o susto que todos têm quando se veem imersos em uma rotina onde a maior parte do tempo não é dedicada ao prazer.
 
Capa do livro Absolvidos
 
“Absolvidos tem a pretensão de ‘desamarrar’. Sim, somos bobos. Sim, perdemos tempo. Muito. Mas não, não há motivo para pânico. Apenas para uma saudável sensação de urgência. Porque se a vida é efêmera, se não temos garantia alguma de nada, então não há tempo a perder”, comenta o escritor.
Entre idas e vindas, a narrativa – contemporânea em seus cenários, ritmos e personagens (impulsivos, conectados e cosmopolitas) – se passa em diferentes lugares. São Paulo, Rio de Janeiro, Los Angeles, Nova York, Milão, Paris… As histórias acontecem em fragmentos dando a dinâmica ao texto e deixando o leitor cada vez mais curiosos sobre os próximos acontecimentos. O estilo dá fôlego a uma nova geração que precisa escrever mais sobre ela e seu tempo.
 
Mário esteve em todas as cidades enquanto escrevia o livro. “Acredito que quanto mais detalhes eu tiver, mais verdadeiro fica o texto para o leitor. Fui com o destino certo”, conta ele, que levou quatro anos para finalizar o livro.
 

Ao lado do futebol – ele é Fluminense, para manter a tradição -, escrever e viajar são duas outras paixões de Mário, que agora ele aprendeu a unir. Para seu próximo livro, que não é continuação do primeiro, Mário já viajou por Paris, Londres, Estambul, Cairo e Roma. Resta saber qual história irá compor a próxima saga rodriguiana.

 
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