Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 26.09.2011 26.09.2011

Made in Brazil

Por Bia Carrasco
Na foto ao lado, Donatinho, filho do pianista João Donato

Músicos independentes, de fora de São Paulo, que esbanjam um repertório de diferentes estilos, cheio de brasilidade. O festival de música do CCBB Universitário é um projeto que nasceu a partir da parceria realizada entre o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e o CUMA (Centro Universitário Maria Antonia), da USP. Nesta edição, que acontece até 14 de outubro, estão na lista nomes como Wado (AL), Donatinho (RJ), Ellen Oléria (DF) e Academia de Berlinda (PE).

 
O local não foi escolhido à toa. A história de resistência política do campus marcou os anos 1960 e 1970 ao lançar, além de discussões engajadas, um espaço de expressão para novos artistas. “O acordo do CCBB com a USP é para a formação dos alunos, para trazer novos artistas, para que o povo brasileiro consiga resgatar as suas raízes”, diz Giselle Kfuri, curadora do evento.
 
Os shows, que aconteceram ao meio-dia (12h), têm como intuito trabalhar a formação dos estudantes ao mostrar o repertório de músicos de diferentes locais do Brasil, que estão fora do grande mercado fonográfico. “O Brasil é muito rico em produção musical e em tudo que é tipo de cultura, e essa produção é, inclusive, reconhecida no exterior. O que esses artistas não têm hoje é a divulgação de massa”, observa Giselle.
 
Esses músicos, que evitam a autorotulação em gêneros musicais, são a prova de que o regionalismo continua forte, mas com toques de experimentação. “Os novos artistas da música brasileira não pontuam seus gêneros, eles fazem uma mistura de ritmos e são influenciados por estilos do Brasil e do mundo inteiro. Eles trazem diferentes culturas para as raízes brasileiras”, acrescenta a curadora.
 
Da viola ao eletrônico
 
Uma mistura de samba-enredo, viola caipira, pontos de candomblé, chorinho, canto indígena, entre outros estilos brasileiros. Donatinho, filho do pianista João Donato, mostra a influência do pai ao utilizar diferentes elementos em suas composições. Mas com um quê a mais: o uso de sintetizadores e batidas eletrônicas. O músico, que participou do festival, mostra em suas músicas um profundo trabalho de pesquisa das raízes da cultura brasileira, com um toque de modernidade.
 
“Foi depois dos 20 anos que comecei a fazer pesquisas e me interessar pela música eletrônica. Então eu percebi que muitas pessoas aqui fazem música como o pessoal lá de fora, mas ninguém mistura com as raízes do nosso país, que é tão rico e tem coisas tão bacanas”, conta Donatinho sobre como surgiu a inspiração para seu trabalho autoral, que tem previsão de lançamento para o ano que vem.
 
Em seus shows, realizados em 15 e 16 de setembro, o músico deu uma prévia do que será o álbum, que pretende intitular Festa Popular. “É legal que o festival seja na hora do almoço, porque a galera sai pra comer e vê que está rolando um som, e depois volta a estudar”, conta Donatinho sobre a sua participação no evento, que foi aberto por Wado, um dos músicos que fundou a banda Fino Coletivo, projeto do qual ele também faz parte.
 

Após Wado e Donatinho, os próximos nomes confirmados para o festival são Ellen Oléria e Academia de Berlinda. Natural do Distrito Federal, Ellen faz “música preta brasileira”, como ela mesma gosta de intitular seu trabalho, que traz, além dos ritmos brasileiros, uma mistura de jazz, funk e hip hop. No caso da Academia de Berlinda, o swing tradicional de Pernambuco é fundido ao som da cumbia, guaracha e do afrobeat.

 
Serviço
 
CCBB Universitário – Vale a Pena Ouvir
Próximos shows: Ellen Oléria (29/9 e 30/9), Academia de Berlinda (13/10 e 14/10), às 18h30.
Local: Pátio interno do Centro Universitário Maria Antônia (USP) – Rua Maria Antônia, 258 a 294 – Vila Antônia, São Paulo / SP
Telefones: (11) 3113-3651 / 3113-3652
Entrada franca
 
 
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