Ramiro Fajuri por Ramiro Fajuri Livros 29.09.2020 29.09.2020

Porque você precisa ler Machado de Assis

O Brasil tem muitos bons escritores, vários deles excelentes e alguns que podemos considerar entre os grandes das letras. E o Brasil tem também Machado de Assis. Para muitos estudiosos e críticos, não somente o maior escritor brasileiro, ou um dos maiores em língua portuguesa. Ele é um dos maiores do mundo, em todos os tempos.

ESPECIAL MACHADO DE ASSIS

Para o renomado crítico americano Harold Bloom, famoso pelo rigor com que analisava a literatura, Machado de Assis foi o maior escritor negro de todos os tempos. Para o poeta fundamental do movimento beat, Allen Ginsberg, Machado foi outro Kafka. E para Susan Sontag, que assinou o prefácio da primeira edição em inglês de Memórias Póstumas de Brás Cubas, ele é o maior da América Latina.

A edição de memórias póstumas prefaciada por Sontag foi lançada em 1950. Uma nova edição em inglês, dessa vez traduzida por Flora Thomson-DeVeaux, foi lançada em 2 de junho de 2020 nos Estados Unidos, e se esgotou em apenas um dia, provando que a obra do maior escritor brasileiro, apesar de lançada no fim do século XIX, é imortal e tem fôlego para encarar mais 100 anos sem perder sua força.

Ver um escritor brasileiro tão reconhecido em todo o mundo é motivo de orgulho. E ao contrário de muitos artistas brasileiros, que precisaram se tornar famosos no exterior para que sua obra fosse reconhecida no Brasil, Machado de Assis teve seu mérito reconhecido em seu país, ainda em vida. Ainda bem!

Entenda o que fazia de Machado de Assis era um gênio

Precisaríamos de muito espaço para falar de cada obra de Machado de Assis, e você talvez não tivesse paciência para ler todo esse post. Por isso vamos responder falando de uma única obra. Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Machado, como gênio do realismo que era, fazia uma observação e uma crítica ácida e mordaz da natureza humana. E que melhor maneira de rirmos de nossas próprias misérias do que lendo as memórias que um defunto conta?

Quem foi Machado de Assis

Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839 e faleceu em 29 de setembro de 1908. Filho de um pintor de paredes afro-brasileiro e de uma lavadeira portuguesa, os avós paternos de Machado de Assis eram escravos alforriados.

Crescendo em uma família pobre, Machado de Assis estudou em escolas públicas, não frequentou a universidade e lutou para subir na vida. Foi funcionário dos ministérios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas do segundo Império, e cedo teve seu talento reconhecido pelas crônicas e poesias que publicava nos jornais.

Mas foi pelos romances, especialmente por Memórias Póstumas de Brás Cubas, considerado o marco inicial do realismo no Brasil, que seu nome foi imortalizado entre os grandes escritores do mundo.

Machado de Assis se casou com Carolina Augusta, uma mulher extremamente culta, que ele amou profundamente e com quem viveu até que ela falecesse, em 1904, tornando tristes os últimos anos de vida do grande escritor.

Em 1897, Machado de Assis se juntou a outros colegas escritores para fundar a Academia Brasileira de letras, sendo escolhido por aclamação seu primeiro presidente.

Obra de Machado de Assis

Machado de Assis escreveu crônicas, contos, poesias, peças de teatro e também traduziu obras de autores estrangeiros, mas foi pelos romances que se tornou conhecido como o maior escritor brasileiro, reconhecido inclusive por seus pares, a ponto de Monteiro Lobato afirmar: É grande, é imenso, o Machado. É o pico solitário das nossas letras. Os demais nem lhe dão pela cintura.

Romances de Machado de Assis

Ressurreição, (1872)

A mão e a luva, (1874)

Helena, (1876)

Iaiá Garcia, (1878)

Memórias Póstumas de Brás Cubas, (1881)

Casa Velha, (1885)

Quincas Borba, (1891)

Dom Casmurro, (1899)

Esaú e Jacó, (1904)

Memorial de Aires, (1908)

Se você ainda não leu nada de Machado de Assis, o que está esperando?

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