Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 02.01.2010 02.01.2010

Lula, o filho do Brasil

Por Bruno Dorigatti
Foto de divulgação

 > Assista à entrevista exclusiva de Rui Diaz e Juliana Baroni ao SaraivaConteúdo e confira trechos do filme Lula, o filho do Brasil 

Maior produção do cinema brasileiro, aestréia de Lula, o filho do Brasil vem cercada de expectativas. E controvérsias. O custo ficou em R$ 12 milhões,dos quais nenhum real sequer veio das leis de incentivo, o que significa que asempresas que colocaram dinheiro no filme não o deduziram do imposto devido, modus operandi do cinema brasileiro nosúltimos 15 anos. Empresas de peso, diga-se. As principais empreiteiras do país,uma cervejaria, duas empresas automobilísticas, duas de energia, uma detelefonia, outra de cigarros.

A produção ficou ao cargo da LC Barreto, produtora capitaneada por Luiz Carlos, conhecidocomo Barretão, e a mulher Lucy. A direção coube ao filho Fábio, diretor de O quatrilho, filme marco da chamadaretomada do cinema nacional, em meados dos anos 1990. O diretor sofreu um grave acidente no dia de 19 de dezembro, quando capotou seu carro na entrada de umtúnel, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Ele encontra-se na UTI do Hospital CopaD`Or, em Copacabana e seu estado de saúde é grave, porém estável, afirmam osmédicos que cuidam do diretor.

O filme estreou no primeiro dia de 2010 e deve chegar a maisde 500 salas em todo o país. Em ano eleitoral, é bom lembrar, e está aí omotivo maior de chiadeira da oposição e da imprensa de verve tendenciosa, comoa revista Veja, que deu capa para oassunto quando filme teve a sua primeira exibição pública, em meados denovembro no Festival de Brasília. É inegável a coincidência de o filme chegaràs telas no ano de eleição. E, apesar de ser verdade, como alegam osprodutores, que é o filme que pega carona no personagem e não o contrário,ainda iremos conferir, primeiro, se Lula vai mesmo conseguir converter a suapopularidade em votos para a sua candidata e, segundo, se o filme terá algumpapel nisso. 

Questões extracinematográficas à parte,falemos da obra. Lula, o filho do Brasilnarra a trajetória do atual presidente desde seu nascimento, no sertãomiserável de Pernambuco, até a ascensão como sindicalista, em 1980, ano tambémda morte de sua mãe, dona Lindu, interpretada competentemente por Glória Pires.Para o papel de Lula na fase que vai da adolescência até o começo da idadeadulta ficou com Rui Ricardo Diaz, ator de teatro em São Paulo e que estréianos cinemas neste filme. E bem, por sinal. O que vemos não é um Lula que conhecemoshoje, com seus cacoetes e a dicção característica, mas o momento de sua vidamenos conhecido, quando ainda não era uma figura pública. Cleo Pires faz opapel da primeira mulher de Lula, Lurdes, que chegou a morrer durantecomplicações no parto por falta de atendimento. Mas as agruras da família Silvacomeçam muito antes. Em verdade, desde a sua origem, com Aristides, o paiviolento, agressivo e beberrão, interpretado por Milhem Cortaz, que abandonadona Lindu no sertão para ir viver com sua outra mulher em Santos, junto com ofilho mais velho. Este é o responsável por chamar, à revelia do pai, o resto dafamília, que segue para o litoral paulista em um pau-de-arara, quando LuizInácio da Silva tinha 7 anos. 

Com a chegada de dona Lindu, Lula e seus seisirmãos, Aristides segue maltratando os filhos, tentando impedi-los de estudar –deviam trabalhar desde criança –, bebendo demasiadamente e obrigando a mulher aabandoná-lo rumo à capital, estabelecendo-se no que estava por se transformar noABC paulista. O filme aborda o início de Lula como metalúrgico formado em cursodo Senai em 1963, sua inserção como torneiro mecânico na indústriaautomobilística, o casamento com Lurdes, que termina tragicamente e lhe deixaráferidas profundas. 

A princípio, Lula não se interessava pelaluta política como seu irmão mais velho, nos faz crer o filme, baseado na tesede doutorado de Denise Paraná, e que tem uma nova versão, atualizada, porémmais condensada, lançada agora pela editora Objetiva, com o título A história de Lula, o filho do Brasil. O livro original, Lula, o filho do Brasil, também ganhou a terceira edição pela Geração Editorial. O interesse pela militância sindical surge aos poucos, do aprendizado com olíder um tanto pelego dos patrões e que Lula rechaça para mais tardesubstituí-lo no sindicato, nos anos 1970. É aí inclusive que conhece MarisaLetícia, interpretada por Juliana Baroni, também viúva e já com um filho. Ofilme aborda ainda o acidente quando perdeu o dedo mindinho, a prisão durante aditadura militar e o famoso comício no Estádio da Vila Euclides, no ABCpaulista, para 80 mil pessoas. Usa ainda imagens de arquivo de importantesdocumentários dos anos 1970, que abordam a luta sindical de então, entre eles ABC da Greve, de Leon Hirzman, Greve!, de João Batista de Andrade, e Linha de montagem, de Renato Tapajós.

Se não apela a momentos melodramáticos deuma vida repleta de dificuldades, o filme dirigido por Fábio Barreto também nãoconsegue construir um personagem mais humano, no sentido de mostrar suasfalhas, erros e incongruências, que todos nós temos. Não chega a fazer umahagiografia e santificar nosso atual presidente, mas poderia apresentarmomentos onde as idiossincrasias se fazem mais visíveis. Em suma, quem temcarinho e apreço por Lula continuará tendo. Já quem tem aversão por sua figura,também encontrará motivos para criticar o filme por essa visão um tantoparcial, mas honesta do nosso atual presidente, um dos líderes mundiais maisrespeitados lá fora atualmente, apesar da incrível falta de respeito com que étratado muitas vez pela nossa imprensa nativa. 

A seguir, os atores Rui Ricardo Diaz  e Juliana Baroni falam da participação no filme.

> Assista à entrevista exclusiva de Rui Diaz e Juliana Baroni ao SaraivaConteúdo e confira trechos do filme Lula, o filho do Brasil



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