Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 18.07.2014 18.07.2014

Luiza Trigo indica os filmes e séries que marcaram sua vida

Por Maria Fernanda Moraes
 
Luiza Trigo tem os cabelos coloridos de azul, é leitora e fã de Harry Potter – “do tipo que ficou sem jantar quando soube da morte de Dumbledore”, diz ela. Trocaria qualquer presente por um algodão doce, gosta mais de cachoeira do que de praia e conta as histórias da sua vida num ritmo frenético, com a urgência de um coração adolescente.
 
Apesar de já ter passado um pouco dessa fase (ela tem hoje 25 anos), a escritora carioca, autora dos livros Carnaval e Meus Quinze Anos (ambos da editora Rocco), confessa que encontrou nesse público adolescente os amigos que não teve nessa época da sua vida. “É uma saudade do meu tempo que eu estou vivendo com eles. A minha adolescência não foi muito fácil. Com 11, 12 [anos] teve a separação dos meus pais, e isso foi uma mudança radical, um sofrimento. Então eu comecei a encontrar na escrita um jeito de voltar no tempo e viver tudo de novo. Não que eu coloque nos personagens as experiências que eu tive, mas crio uma adolescência que eu gostaria de ter tido”.
 
Carnaval, o livro de estreia, conta as aventuras adolescentes de Gabi e suas primas no carnaval em Recife. Já Meus Quinze Anos, que acaba de ser lançado, traz a história da Bia, a garota mais nerd e distraída do colégio, que planeja uma festa de 15 anos de cinema, porque ela é apaixonada por filmes, livros e música, com direito a muito drama e suspense adolescentes.
 
Luiza cursou faculdade de cinema e tem contato com os livros desde pequena. Ela conta que o pai, que também é escritor de histórias infantis, tinha contrato com a editora Ática e a levava praticamente todo mês à editora, dando a ela a liberdade de escolher todas as obras que quisesse. Mas foi quando começou a ler Harry Potter que sua relação com a escrita mudou: “Eu lembro que a primeira coisa que pensei foi: nossa, quero escrever assim!”, conta Luiza.
 
Em 2010, a escritora morou um período nos Estados Unidos, onde cursou roteiro na New York Film Academy, em Nova Iorque. “O cinema em si influencia muito na vida dos meus personagens, porque acho que nenhum deles vai ficar muito longe de mim. Carnaval foi escrito antes de eu fazer esse curso, e Meus Quinze Anos, depois. Quem lê os dois livros consegue notar uma diferença bem grande. O segundo livro foi mais planejado, ele tinha um roteiro”.
 
Aproveitando essa relação entre cinema e literatura presente na vida de Luiza, pedimos a ela que citasse alguns filmes e séries que contam um pouco da história da sua vida. Acompanhe a lista que ela fez:
 
“Eu tinha que escolher um filme da Disney porque faz parte de mim, eu sou uma eterna criança. Como todo criança, quando eu assisti A Pequena Sereia, queria ter aquele cabelo vermelho da Ariel. E isso foi um desejo meu de criança que se realizou aos 13 anos, quando minha mãe me deixou pintar o cabelo de vermelho. Mas eu não cuidava muito bem do cabelo nessa época e não ficou legal. Depois, minha irmã mais nova começou a pintar também, e nessa época meu irmão começou a namorar a Mari Moon, então eu convivia com as duas garotas de cabelos pintados, e isso me enfeitiçou. Teve uma época que consegui fazer o vermelho igual ao da Ariel, depois fui retocando com rosa e hoje ele está assim como está[risos].”
 
CAÇADORAS DE AVENTURAS
“Eu amava esse filme! Não assisti menos de dez vezes aos filmes desta lista! Eu amava a aventura delas, e aquela coisa da caverna desmoronando era muito emocionante. E tem muito do mato, da montanha, do rio, que me lembra muito o lugar onde eu cresci, Macaé de Cima, perto de Friburgo (RJ). Eu sou muito mais do mato, não gosto de praia, prefiro cachoeira. Esse filme traz esse meu lado de ‘menina do mato’.”
 
Luiza é formada em cinema
 
“Eu amo chuva, e sempre que chove eu danço e não consigo não cantar “I’m singin’ in the rain”. Já tomei muito banho de chuva com meu pai em Macaé… Chovia e a gente levava shampoo e sabonete para o lado de fora para tomar banho na chuva. E além disso, esse filme também marca minha paixão por musicais.”
 
“Um diretor que eu não podia deixar de citar é o Hitchcock. Quando eu tinha uns 12 anos, a minha mãe estava fazendo faculdade de cinema e eu assistia a todos os filmes com ela em casa, e Hitchcock foi o que ela mais assistiu. Eu amava aquele filme, e acho que essa minha vontade de cinema nasceu aí. Eu tinha que escolher um diretor marcante – e acho que o Woody Allen está chorando nesse momento –, mas o Hitchcock me marcou realmente.”
 
“Esse é um filme que me marcou quando eu morei em Nova Iorque. Em algum momento do filme, o personagem passa numa delicatessen chamada Dean & DeLuca. E quando fui para lá, eu estudava em cima desse lugar e passei a almoçar lá todos os dias. Além disso, esse foi o primeiro filme do curso de roteiro que a gente teve que assistir em casa sozinhos e analisar.”
 
DUBLÊ DE ANJO
“Junto com Amélie Poulain, é um dos meus filmes preferidos. É de uma delicadeza, encantador. A história se passa no início do século e conta a relação de um dublê de Hollywood e uma criança que se encontram num hospital. Enquanto o cara está no fim da vida, a criança está do lado oposto. E então ele passa a contar as histórias de sua vida para a garotinha de forma maravilhosa. Ele me inspira pela delicadeza, coloco muito disso no que faço, na minha escrita.”
 
Meus Quinze Anos é o segundo livro da autora
 
O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN
“Amélie Poulain é um desses personagens com quem eu me identifico. Ela é um pouco insegura, e eu tenho um pouco disso. E outra coisa que temos em comum é gostar de fazer o outro feliz. Por exemplo: eu comecei a fazer uma brincadeira que é quebrar a rotina das pessoas desconhecidas. Eu já deixei flores em dez carros de desconhecidos com bilhetinhos do tipo: ‘Isto é para você, mesmo que eu não te conheça. Gentileza gera gentileza’. Eu também carrego na bolsa coraçõezinhos de papel e às vezes gosto de soltar por aí. Já soltei balões também com mensagens dentro. E o mais legal de todos é que no meu aniversário de 25 anos no ano passado, eu saí na rua e dei 25 presentes (livros) para pessoas desconhecidas (a minha mãe estava filmando). E acho que tudo isso é um pouco do espírito da Amélie.”
 
“Não é a história em si que me marcou, mas o fato de ser com a Audrey Tautou e a circunstância em que o assisti. Ele foi o primeiro filme que eu vi com meu namorado, foi a nossa primeira saída. Fomos assistir ao filme no Odeon, um cinema clássico no Rio de Janeiro. E ele me ganhou aí: me levou para assistir a uma sessão exclusiva com a presença da Audrey. E foi encantador, eu chorei muito. E não podia deixar de fora um filme que representasse meu namorado na minha vida.”
 
“Para terminar, uma menção honrosa aos seriados. Quando eu entrei para fazer cinema, o que sempre me chamava a atenção eram na verdade os seriados de televisão. Durante muito tempo eu quis morar fora, cheguei a quase me inscrever num curso da Warner para fazer roteiro de seriado. E tem dois seriados que marcaram muito minha adolescência, junto com Harry Potter, que eu carrego no meu jeito de contar histórias, que foram Gilmore Girls e Dawnson’s Creek. Os dois são para o público jovem e trazem uma delicadeza… É tudo tão natural, e acho que minha escrita tem muito dessa simplicidade.”
 
Os seriados de TV também tem grande influência na escrita dela
 
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