Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 16.11.2011 16.11.2011

Luis Fernando Verissimo fala sobre o ofício de escritor e seu novo livro de crônicas

Por Luciana Stabile
Na foto, Luis Fernando Verissimo
 
O escritor impõe respeito. Com cerca de 60 títulos publicados e 5 milhões de livros vendidos, Luis Fernando Verissimo é considerado um dos mais populares escritores brasileiros contemporâneos.
 
Além disso, apesar de escrever crônicas de costumes é um homem sério. Fala pouco, fala certeiro e conta que os textos podem ser divertidos, mas que está mais para o depressivo.
 
É impossível acreditar na declaração lendo Em Algum Lugar do Paraíso (Objetiva). O leitor se depara com situações inusitadas engraçadas e questionamentos atemporais que permeiam a experiência humana. Nas 41 crônicas selecionadas entre 350, Veríssimo fala com muito humor sobre a vida, a morte, o tempo e o amor. O ar é nostálgico e repleto de reflexões sobre as escolhas feitas ao longo da vida.

 

O senhor senta e escreve. Como é um processo criativo assim?
 
LFV. Acho que escrever é um oficio como qualquer outro, o que não significa banalizá-lo.  É  claro que a gente não senta e escreve como alguém que senta e conserta um relógio, mas também não se deve mitificar demais o ato de escrever. O tempo que levou a feitura deste e dos outros livros de crônica foi só o tempo de compilar as crônicas, que já estavam escritas.
 
O que mais gosta de escrever?
 
LFV. O que é mais fácil, geralmente crônicas sobre coisas mais leves, ou que sejam pura invenção.

Já foi difícil para o senhor escrever?

 

LFV. Fica cada vez mais difícil. Porque a gente vai ficando cada vez mais exigente.

 
Quem escreve muito, fala muito?
 
LFV. No meu caso, é o contrário.
 
Qual é sua crônica preferida em Em Algum Lugar do Paraíso? O senhor tem apego ao que escreve?
 
LFV. Não costumo reler as coisas que escrevo, para não ser mal influenciado. Mas todo escritor tem coisas de que gosta mais, e que raramente coincidem com a preferência dos leitores. Mas no caso deste livro não tenho nenhuma crônica preferida, pelo menos que me ocorra agora.
 
Qual foi o primeiro livro de verdade da sua vida? E quem deu esse livro?
LFV. O primeiro livro de gente grande que eu li foi Caminhos Cruzados, do meu pai. Li escondido, porque não era para crianças. Tinha cenas "fortes", de sexo. Também lembro de um livro chamado The Disenchanted, do Bud Schulberg. Era um romance sobre o Scott Fitzgerald. Schulberg era um escritor de segundo time, mas foi o primeiro livro sério que enfrentei.
 
Qual foi a coisa mais importante que o senhor aprendeu com o seu pai?

LFV. Acho que foi ser tolerante e solidário na relação com os outros. Coerente com minhas convicções.

 
Qual foi a importância de morar fora do país? A sátira dos costume brasileiros é diferente dos norte-americanos?
 
LFV. Foram muito importantes os períodos que vivi nos Estados Unidos, primeiro dos sete aos nove anos e depois dos 16 aos 20. Fiquei muito ligado à cultura americana e acho que isso me ajudou profissionalmente, na minha maneira de escrever, e influenciou meus interesses e gostos. Mas a crítica de costumes feita lá e aqui não é muito diferente, nos dois casos está-se satirizando uma era, não determinada sociedade, e um tipo de comportamento, que é comum a todo o mundo moderno.
 
O senhor é casado há 48 anos. Qual é o segredo de um casamento feliz?
 
LFV. No nosso caso, acho que o segredo é o fato dos dois serem completamente diferentes um do outro. Eu sempre digo que a Lucia é tão comunicativa que eu não preciso ser, e posso ser fechadão e antipático o quanto eu quiser.

É bem humorado? Os textos são. Mas, e o senhor?

 
LFV.  Sou mais para o depressivo.
 
 
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