Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 07.03.2013 07.03.2013

Lucinda Riley: Uma irlandesa de alma carioca

Por André Bernardo
 
A escritora irlandesa Lucinda Riley não estava exagerando quando, em agosto do ano passado, disse que sua participação na 22ª Bienal Internacional do Livro, em São Paulo, tinha sido “uma das experiências mais incríveis” de sua vida. Na ocasião, assim que colocou os pés no estande da Editora Novo Conceito, ela foi aplaudida por cerca de duas mil pessoas à espera de seu autógrafo. Não por acaso, sete meses depois, a autora de A Casa das Orquídeas e A Luz Através da Janela já está de volta ao país.
 
Desta vez, para escrever seu mais novo romance, o 5º desde 2010, quando deixou de assinar como Lucinda Edmonds e adotou o nome de Lucinda Riley. “O Rio de Janeiro é um dos lugares mais fascinantes que já conheci. Se eu conseguir vender alguns milhões de exemplares do meu próximo livro, quero comprar uma cobertura em Ipanema. Vocês têm muita sorte por morar num lugar tão bonito!”, enaltece.
 
Em sua nova passagem pelo Rio, Lucinda conheceu alguns pontos turísticos da cidade, como a Praia de Ipanema, o Outeiro da Glória e o Cristo Redentor. Além de visitar o Corcovado, conversou com a cineasta Bel Noronha, a bisneta do brasileiro Heitor da Silva Costa (1873-1947), engenheiro responsável pela construção da estátua.
 
A trama de The Angel’s Tree (A Árvore do Anjo, em livre tradução) começa em 1925, um ano antes do início das obras do Cristo Redentor, e atravessa importantes momentos do século XX, como a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929, que repercutiu em diversos países de todo o mundo – no Brasil, inclusive. Por aqui, os barões do café perderam tudo o que tinham. “Tenho escrito muito sobre guerras. Desta vez, quero inovar. Vou escrever sobre crises. É no meio de uma crise que você conhece verdadeiramente o caráter de uma pessoa”, garante Lucinda. 
 

Na história, uma jovem brasileira chamada Maia conhece e se apaixona por um rapaz que trabalha no ateliê do escultor francês Paul Landowski. Quanto à nacionalidade do galã, Lucinda ainda não se decidiu. “Pode ser que seja inglês, norte-americano ou francês. Não dizem por aí que os franceses são os melhores amantes?”, indaga, com uma piscadela marota, antes de completar: “Bem, eu não sei. Afinal, meu marido, que é britânico, está bem ali…”, riu. A certa altura, Lucinda decidiu inverter os papéis. Levantou o dedo, pediu a palavra e começou a fazer perguntas para o animado grupo de leitoras que, apesar da chuva forte e da greve de ônibus, resolveu prestigiar o evento. “Qual é a maior virtude da mulher brasileira?”, quis saber a escritora. “Somos muito lutadoras!”, destacou a empresária Mônica Quintela, 28 anos. “Minhas heroínas são sempre fortes e determinadas. Não saberia escrever sobre mulheres frágeis…”, valoriza Lucinda.

 
Fotos do evento com a escritora na loja Saraiva do Shopping Rio Sul, no Rio de Janeiro
ESCRITORA MANTÉM CONTATO COM FÃS POR MEIO DE REDES SOCIAIS COMO TWITTER E FACEBOOK
Ao longo de quase meia hora de bate-papo, Lucinda divertiu a todos com suas tiradas bem-humoradas. “A Maia não é inspirada em nenhuma brasileira em especial. Caso contrário, eu corro o risco de ser processada. Já imaginaram?”. Ou então: “Nas redes sociais, eu sempre me lembro de vocês, minhas leitoras do Rio de Janeiro. Principalmente quando está nevando em Londres”. Uma das primeiras a chegar à Saraiva do Rio Sul, a jornalista Rafaella Fustagno, 33 anos, tece os maiores elogios a Lucinda Riley. Ano passado, ela e mais nove amigas foram recebidas pela escritora irlandesa no restaurante do hotel em Ipanema, onde ela estava hospedada. “Tiramos fotos, fizemos perguntas, autografamos livros e, no final, ela ainda quis aprender a sambar. Uma fofa!”, derrete-se.
 
A revisora freelance Liliana Lacerda, 20 anos, assina embaixo. “Ela é uma típica escritora internacional de best-sellers e, mesmo assim, ainda preserva a doçura, simpatia e jovialidade”, elogia. “Quanto aos livros, os dois são excelentes. Você não encontra um furo sequer!”. Até o final do ano, a Editora Novo Conceito lança mais dois romances de Lucinda Riley: The Girl on the Cliff e The Still of the Night, ainda sem título no Brasil. Do Rio, Lucinda partiu para Búzios, onde permanece por mais 20 dias. Lá, pretende tirar proveito da quietude do balneário para escrever pelo menos as 200 primeiras páginas de The Angel’s Tree. “Vivo dividida entre trabalho e família. Quando estou longe de casa, trabalhando em um novo livro, sinto culpa por não estar com meus filhos. Mas, quando estou em casa, na companhia de minha família, sinto culpa por não estar trabalhando”, dá de ombros, resignada.
 
Capa dos livros A Casa das Orquídeas e A Luz Através da Janela. O próximo romance da autora vai se passar no Rio de Janeiro.
 
 
Recomendamos para você