Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 09.07.2011 09.07.2011

Loyola e Calligaris fazem mesa leve e bem-humorada no terceiro dia da FLIP

Por Marina Fidalgo
Foto: Monstro Filmes

Ignácio Loyola Brandão está feliz. Ele diz que esta é uma FLIP de Araraquara. O cronista é da cidade do interior paulista, Zé Celso, que fará a última apresentação do festival, também é de lá. Outros participantes do evento, que não são seus conterrâneos, conseguiram de alguma forma ser associados à cidade pelo humor de Loyola.

 
"O Claude Lanzmann (autor que também participou de uma mesa) namorou a Simone de Beauvoir, que esteve com o Satre em Araraquara", disse Loyola ao público em sua simpática teoria dos seis graus de separação.
 
Foi nesse clima leve e agradável que ocorreu a mesa Noturno Italiano, que também teve a participação do psicanalista e romancista Contardo Calligares, e mediação do jornalista Cadão Volpato.
 
Um dos únicos pontos mais sérios do bate-papo foi quando Calligares, que se nomina um italiano em fuga e substitui o escritor Antonio Tabucchi na mesa, disse que é solidário a postura do colega (ele cancelou sua participação em protesto a não extradição do italiano Cesare Battiste). Mas que por ele ser um italiano que vive no Brasil há muito tempo, não aceitar o convite seria penalizar a Flip e não o governo brasileiro.  Loyola que é amigo de Tabucchi desde a década de 1970 também disse que entendeu as razões do colega.
 
Nos outros momentos da mesa, os autores transcorreram sobre seus estilos de escrita e inspirações. Loyola disse que é um cronista de personagens pequenos em uma cidade grande. Contou que usou a estrutura do filme 8 e meio, de Fellini,  para construir um de seus trabalhos mais célebres, o livro Zero.  Para ele, dar o nome errado a um personagem pode matá-lo, e por isso tem todos os tipos de livro que falam sobre nome e anota no caderninho que carrega consigo os mais curiosos que ouve por aí. Ele confidencia que tem algo de autobiográfico em seus livros. Há um desejo de realizar alguma coisa diferente, e ele o faz por meio de seus título.
 
Calligares acha que o estilo do romance permite deixar mais complexas as questões da vida. Ele permite ser menos afirmativo – como em um ensaio – ficar mais aberto. O que cada um considera como sendo sua história, é apenas a ficção que criou para si mesmo.  Ele disse que recebe críticas por não escrever crônicas negativas. Responde dizendo que o que interessa é comunicar a sua experiência na esperança que isso possa enriquecer a vida de outra pessoa.
Recomendamos para você