Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 16.12.2011 16.12.2011

Livros sobre futebol: três títulos recordam a maior conquista da história do Flamengo

Por André Bernardo
 
Na madrugada do dia 13 de dezembro de 1981, André, Mauro e Antônio, 8, 15 e 18 anos, respectivamente, não conseguiram dormir. Os três ficaram acordados até tarde para assistir à final do Mundial de Clubes, entre Flamengo e Liverpool, direto do Estádio Nacional de Tóquio, no Japão.
 
Mas o sacrifício valeu a pena. Pela TV, os três viram o time brasileiro vencer o inglês por 3 a 0 – dois gols de Nunes e um de Adílio. Hoje, 30 anos depois, os três comemoram a conquista com o lançamento de dois livros: André Rocha e Mauro Beting lançam 1981 – Como Um Craque Idolatrado, Um Time Fantástico e Uma Torcida Inigualável Fizeram o Flamengo Ganhar Tantos Títulos e Conquistar o Mundo Em um Só Ano, pela Maquinária Editora, e Antônio Carlos Meninéa, 1981 – O Ano Mais Feliz de Nossa Vida Rubro-Negra, pela Virtual Books.
“A lembrança mais forte que eu guardo, dentro de campo, foi a exibição quase perfeita do Flamengo no primeiro tempo. Fora dele, a festa que varou a madrugada”, recorda Rocha, 38 anos. “Não me esqueço do momento em que o Flamengo recebeu o troféu e deu a volta olímpica. O time deu uma demonstração de raça, superação e técnica”, elogia Meninéa, 48.
 
Ao contrário de Rocha e Meninéa, Eduardo Monsanto, 32, não tinha idade para entender o que estava acontecendo. Mesmo assim, registrou a façanha em 1981 – O Ano Rubro-Negro, pela Panda Books. “Eu só tinha dois anos em 1981. Portanto, não tenho a menor lembrança do título mundial. Isso sempre me deixou meio frustrado”, admite Monsanto, que resolveu assistir, em DVD, a todos os jogos do Flamengo daquele ano. “Logo, descobri que aquele time era ainda melhor do que falavam”, garante.
A vitória sobre o Liverpool, na madrugada do dia 13 de dezembro de 1981, foi apenas o último jogo de uma campanha memorável.
 
Sob o comando do técnico Paulo César Carpeggiani, o Flamengo de Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Tita, Nunes e Lico ganhou três títulos importantes em apenas 21 dias: o Campeonato Carioca, a Copa Libertadores da América e o Mundial de Clubes. “Aquele foi o melhor e mais vencedor time da história do Flamengo.Em qualquer seleção do Flamengo em todos os tempos, teremos, no mínimo, cinco jogadores daquele time: Leandro, Júnior, Andrade, Adílio e Zico”, escala Rocha.
 
Meninéa concorda. Mas aponta Arthur Antunes Coimbra, o Zico, como o grande nome daquela geração. “Sei que ninguém joga sozinho. Mas Zico era dono de um talento que pouquíssimos jogadores tiveram”, justifica.
 
O capitão do time
Nascido no subúrbio de Quintino Bocaiúva –o que lhe valeu o apelido de “Galinho de Quintino” –, Zico jogou no Flamengo dos 14 aos 37 anos. Lá, conquistou nove taças Guanabara, sete campeonatos estaduais, quatro brasileiros, uma Libertadores da América e um Mundial de Clubes.
 
Dos 694 gols de sua carreira, 508 foram pelo Flamengo. “Todos os títulos têm sua importância. Mas, no meu caso, a satisfação é maior por ter ajudado o meu clube do coração a conseguir sua maior conquista até hoje”, orgulha-se Zico. Mas o caminho percorrido até se tornar campeão do mundo não foi dos mais fáceis.
 
Ele recorda dois momentos particularmente difíceis: a morte do treinador Cláudio Coutinho, em 27 de novembro de 1981, e a segunda partida contra o Cobreloa, do Chile. “Considero meu segundo gol, de falta, um dos mais importantes da minha carreira”, afirma Zico.
Na Libertadores daquele ano, Flamengo e Cobreloa se enfrentaram três vezes. No jogo de desempate, realizado no Estádio Centenário de Montevidéu, no Uruguai, o Flamengo ganhou por 2 a 0. Mas, três dias antes, no segundo jogo, havia perdido por 1 a 0. “O Flamengo apanhou mais na carne que na bola. Não jogou bem e não conseguiu jogar. Foi a pior atuação e a pior pancadaria”, analisa Beting.
 
Monsanto lembra que, na época, o Chile vivia a ditadura de Augusto Pinochet e o clima no Estádio Nacional de Santiago era bastante hostil. “Em campo, Lico e Adílio foram vítimas de agressão sem bola do zagueiro chileno Mário Soto. No jogo seguinte, ele teve que prestar contas pelo que fez. Anselmo, reserva do Flamengo, entrou em campo com a missão de vingar os companheiros. Missão dada, missão cumprida”, lembra Monsanto.
Outro jogo polêmico que não poderia faltar foi aquele disputado contra o Atlético Mineiro pela primeira fase da Taça Libertadores da América. Como terminaram empatados, os dois clubes tiveram que disputar um jogo extra para definir quem se classificaria para as semifinais. O jogo, realizado no Estádio Serra Dourada, em Goiânia, ficou conhecido como “aquele que não terminou”.
 
Ainda no primeiro tempo, o árbitro José Roberto Wright expulsou cinco jogadores do Galo.
“Tentamos ser críticos nas polêmicas. Especialmente nas arbitragens mais que discutíveis do período”, afirma Beting, que entrevistou José Roberto Wright para o livro. “Não fugimos das polêmicas, mas também não extrapolamos. Já existe muito bairrismo no futebol. Queríamos uma obra que não fosse apenas um registro para os rubro-negros. Mas para quem ama o futebol acima de tudo e de todos”, garante Beting.
 
 
Livros e DVDs eternizam a paixão do brasileiro pelo futebol
 
Há tempos, as editoras Maquinária e Panda Books descobriram o caminho do gol: lançar coleções voltadas para torcedores.
 
Pela Maquinária, saiu a série “Os Dez Mais”, que se propõe a eleger os maiores ídolos de alguns clubes brasileiros, como Flamengo, Corinthians e Grêmio.
 
Já a Panda Books publicou a coleção “O Dia Em que Me Tornei”. Nela, torcedores famosos, como o cantor Samuel Rosa, o humorista Beto Silva e o ator Selton Mello, falam do dia em que se tornaram, respectivamente, cruzeirense, fluminense e são-paulino.
Diante da indiscutível paixão do brasileiro pelo futebol, outras editoras também resolveram apostar no filão. Como a Belas-Letras, por exemplo. É dela a coleção “Meu Time do Coração”.
 
Há livros para todos os gostos. Ou melhor: torcidas. A jornalista Soninha Francine, por exemplo, assinou o volume dedicado ao Palmeiras. Já o humorista Hélio de La Peña, do grupo Casseta & Planeta, escreveu sobre Botafogo. O cantor e compositor Wilson Sideral, irmão de Rogério Flausino, do Jota Quest, foi escalado para falar sobre o Atlético Mineiro.
Mas, para fã que é fã, não basta ler. Tem que ver. E rever, quantas vezes forem necessárias, aquele drible incrível, aquele gol fantástico, aquele jogo extraordinário.
 
Para esses apaixonados, a Globo Marcas tem se dedicado a produzir DVDs temáticos. Como Meninos da América: 48 Anos Depois, Santos É Tricampeão da Libertadores. Ou Vasco – Campeão da Copa do Brasil 2011. Ou, ainda, Absoluto – Internacional Bicampeão da América. Em todos eles, entrevistas exclusivas, cenas de bastidores e, principalmente, as imagens dos gols mais importantes.
 
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