Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 14.02.2014 14.02.2014

Livros-reportagem que vão além dos clássicos

Por Fernanda Oliveira
 
Em 16 de fevereiro, comemora-se o Dia do Repórter. A essência do ofício desse profissional é narrar fatos reais ouvindo diferentes perspectivas, tarefa precedida de muita investigação e interpretação. Esse trabalho pode aparecer não somente em reportagens como também nos chamados livros-reportagem.
 
Segundo Cristina Rego Monteiro da Luz, professora e vice-diretora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a narrativa desse estilo literário e jornalístico deve permitir a compreensão dos acontecimentos. "Ela deve refletir o comprometimento de seu autor com a realidade", complementa.
 
Hiroshima (1946), de John Hersey, livro originado de uma grande-reportagem publicada na revista norte-americana The New Yorker sobre sobreviventes da bomba atômica no Japão, e A Sangue Frio (1966), de Truman Capote, um relato do brutal assassinato de uma família que vivia no interior dos Estados Unidos, são dois exemplos de clássicos do gênero.
 
No Brasil, há autores com obras de sucesso de crítica e público. Dentre eles, pode-se destacar Olga (1994) e Corações Sujos (2000), de Fernando Morais; O Anjo Pornográfico: A Vida de Nelson Rodrigues (1992) e Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha (1995), de Ruy Castro; e Rota 66 (1992) e Abusado: O Dono do Morro Dona Marta (2003), de Caco Barcellos.  

No entanto, é possível citar inúmeros outros títulos de qualidade, mas que são pouco conhecidos do grande público. O SaraivaConteúdo listou alguns livros-reportagem, indo além dos clássicos, com a ajuda de Cristina. Confira a seguir.

 
 
Joe Sacco
Conrad Editora
 
"Sempre destaco a reportagem em quadrinhos nos cursos [que ministro]. Esse tipo de narrativa exige uma apuração complexa e bem feita dos fatos, do ambiente, da linguagem. Sacco é um jornalista e quadrinista premiado. Cobriu a tragédia de Gorazde, cidade no leste da Bósnia ? uma área de segurança criada pela ONU, onde os muçulmanos eram confinados. Ele esteve lá quatro vezes entre 1995 e 1996, período em que a cidade foi bombardeada, cercada e incendiada por forças sérvias, com o objetivo de promover o que chamavam de 'limpeza étnica'. Em 1996, Sacco recebeu por Palestina ? outra reportagem em quadrinhos ? o American Books Award."
 
Janet Malcom
Companhia das Letras
 
O Jornalista e o Assassino
 
"Esse título trata de um crime e da ética jornalística. Um homem é acusado e condenado pelo assassinato de sua mulher e de suas duas filhas. Ele permite que um jornalista, que se apresenta de forma muito amigável, tenha acesso a ele na cadeia e a todo o seu processo de defesa, de maneira que seja escrito um livro a seu favor. O jornalista, que sempre se fez passar por amigo do acusado, no livro não deixa dúvidas sobre a culpa do seu biografado."
 
Mauro Ventura
Companhia das Letras
 
O Espetáculo Mais Triste da Terra
 
"O jornalista Mauro Ventura entrevistou 150 pessoas para contar a história do maior incêndio com vítimas já ocorrido no Brasil  no Gran Circo Norte-Americano, em dezembro de 1961 ?, que matou 500 pessoas em dez minutos, em Niterói [Rio de Janeiro]. A tragédia coincide com o surgimento do Profeta Gentileza [espécie de pregador carioca que confortou as famílias da tragédia] e envolve Pelé, Garrincha, Chico Xavier e Ivo Pitanguy. Um trabalho notável pelo tempo transcorrido (53 anos) entre o acontecimento e a apuração dos dados para o livro-reportagem."
 
José Hamilton Ribeiro
Geração Editorial-Ediouro
 
O Repórter do Século
 
"O livro traz sete reportagens que receberam o Prêmio Esso e uma oitava (sobre o Vietnã) que não ganhou o prêmio porque, na época, o regulamento só admitia assuntos brasileiros. Ao fazer a cobertura da Guerra do Vietnã, Ribeiro pisou em uma mina e perdeu a perna esquerda. As reportagens, carregadas de um tônus de investimento de apuração datado, chamam atenção pelo envolvimento profissional e pela capacidade de captar o leitor."
 
José Louzeiro
Editora Prumo
 
Aracelli, Meu Amor
 
"José Louzeiro é autor de 51 livros, e este [Aracelli, Meu Amor] é um dos seus trabalhos de reportagem mais famosos, juntamente com Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia e Em Carne Viva, sobre Stuart Angel, filho da estilista Zuzu Angel, que foi torturado e morto no período da ditadura. Louzeiro foi repórter de polícia e sempre escreve (hoje está com 82 anos) a respeito de situações em que pessoas marginalizadas e perseguidas enfrentam pessoas poderosas."
 
 
 
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