Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 31.01.2012 31.01.2012

Livros esgotados voltam às prateleiras em reedições

Por Luma Pereira
O escritor Milan Kundera
 
“Este livro está esgotado”, diz o vendedor. Muitas vezes, os leitores ficam sem saber o que isso significa de fato – neste caso, é possível pedir direto nas editoras? Como se faz para obter a obra?
 
Segundo José Carlos Rolo Venâncio, da Ground, alguns livros vão se esgotando normalmente, e outros não. “Por razões comerciais, isto é, não vendeu o suficiente, demorou dois ou três anos para esgotar”, justifica.
 
Outro motivo que impede que essas obras voltem às prateleiras são questões burocráticas. Depois que vence o contrato do livro, ele não pode mais ser publicado pela editora, a não ser que os papéis sejam renovados.
 
 
 
Foi isso o que aconteceu com Walden: A Vida nos Bosques, de Henry David Thoreau. Venâncio conta que o contrato desse livro chegou ao fim, mas garante que a Ground pretende reeditá-lo com outra tradução, “daqui a dois ou três meses”, revela.
 
A volta dos livros que não foram
 
Depois de tempos no “limbo” literário, essas obras podem voltar a ser comercializadas, como acontecerá com Walden. E as razões são as mais diversas.
 
“Muitas vezes, o livro fica um tempo esgotado, pois é praticamente impossível manter em estoque os mais de 2500 títulos que temos na ativa”, explica Maria Emília Bender, da Companhia das Letras.
 
E completa: “pode ocorrer, também, de relançarmos algumas obras em outros formatos, seja de bolso ou em uma edição nova da casa, que chamamos de edição econômica”.
 
No dia 18 de janeiro de 2012, a Companhia de Bolso lançou a reedição de A Vida está em Outro Lugar, de Milan Kundera, escritor tcheco nascido em 1929. O pano de fundo dessa obra é o Nazismo – as tropas ocupam a Tchecoslováquia, onde vive Jaromil.
 
“Em 1998, as obras desse autor deixaram de ser editadas pela Nova Fronteira e passaram a ser editadas pela Companhia das Letras”, explica Maria Emília. A Companhia comprou os direitos de publicação e passou a editar os livros dele.
 
Começaram por A Identidade, que o autor acabara de publicar na França e, depois, lançaram A Insustentável Leveza do Ser, A Brincadeira e Risíveis Amores. Em 2002, veio A Ignorância e, em 2006, A Cortina. A partir de 2008, publicaram em edições de bolso.
 
E as novidades sobre esse autor não param por aí. Em julho deste ano, os leitores vão ter uma edição de bolso de A Brincadeira e, em novembro, Risíveis Amores voltará às lojas. Este último estava esgotado desde 2006.
 
Além desses, para 2013, a Companhia das Letras promete o lançamento de Um Encontro, último livro escrito pelo autor, numa edição sem ser de bolso. A obra é dividida em nove capítulos; trata-se de reflexões e recordações do autor.
 
Já a Zahar atendeu ao pedido dos leitores e História das Crenças e das Ideias Religiosas, obra em três volumes de Mircea Eliade, estudioso das religiões do século XX, estará de novo ao alcance de quem quiser lê-lo – a obra ficou cerca de 30 anos esgotada.
Ensaios sobre o Conceito de Cultura, de Zygmunt Bauman (foto), também volta às prateleiras depois de 13 anos esgotado. Publicado originalmente em 1975, o livro fala sobre o conceito de cultura inserido nas ciências sociais.
 
As obras literárias esgotam e depois voltam, seja pela procura dos leitores, pela importância do escritor ou devido a renovações de contratos ou fechamento de novos acordos. Então, se o livro está esgotado, não tome essa palavra por definitiva.
 
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