Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 02.09.2010 02.09.2010

Livros digitais: eles estão chegando

Por Bruno Dorigatti
Ilustrações de Paul Blow (ao lado) e Lan Smith (abaixo), do blog O silêncio dos livros

“Tenho sido convidado para tantas conferências em torno da morte do livro, que acredito que o livro está muito mais vivo.” Robert Darnton, historiador, autor de A questão dos livros (Companhia das Letras), em entrevista exclusiva ao SaraivaConteúdo, que vai ao ar em breve. 

 

Enfim, os livros digitais aí estão. Depois de tanto se falar a respeito, finalmente vamos vendo e esbarrando aqui no Brasil com alguns Kindles e iPads, sobretudo em eventos ligados ao universo do livro. Poucos ainda, é verdade, muito poucos. Mas o que não dá mais para ignorar é que, apesar do longo caminho que ainda se tem pela frente até que eles realmente se tornem populares, este caminho é sem volta. Sabemos também que os livros digitais vão conviver por um bom tempo com os livros em papel, apesar da expansão veloz dos tablets e e-readers. Na verdade, é bem provável que convivam para sempre, pois, como sabemos, o cinema não matou o rádio, a televisão não matou o cinema, a internet não acabou com nada e assim por diante. 

Mas os negócios, ao menos lá fora, crescem velozmente. A Amazon, criadora do Kindle, lançou recentemente a terceira edição de seu e-reader, que custa menos de 200 dólares; o primeiro aparelho saía por mais de 300 dólares. Antes disso, já havia anunciado que a venda de livros eletrônicos superou a de livros em papel, chegando a 630 mil títulos. O crescimento no primeiro semestre da vendas de Kindle foi de 200%.

No final de 2009, havia 6 milhões de livros eletrônicos, 4 milhões deles nos Estados Unidos. A previsão é que outros 12 milhões de e-readers sejam comprados em 2010. E todo mês, pelo menos são anunciados novos leitores eletrônicos, por empresas como HP, Samsung, além de novas versões de e-readersda Sony. 

No Brasil, os leitores começaram a chegar ano passado, com o Kindle e também com o Cool-er, distribuído aqui pela livraria virtual Gato Sabido. Outros lançamentos de e-readers nacionais estão previstos ainda para este ano. Mas os preços seguem proibitivos. O preço do novo Kindle vale para os Estados Unidos, mas aqui ele sai a quase US$ 500, por conta dos impostos. O Cool-er, não sai por menos de US$ 400. O Alfa, lançado recentemente pelo Grupo Positivo, já está disponível no site da Livraria Saraiva pelo preço de R$ 699, e a primeira leva esgotou em uma semana. Ele possui tela touchscreen de seis polegadas, 2 GB de memória interna (onde cabem 1.500 livros), vem com dicionário integrado e pesa 240g, mas leve que a média dos livros. A Saraiva também colocou a venda em meados de agosto o tablet coreano iRiver, com capacidade para 1.500 livros, funções de gravador de voz e reprodutor de músicas. O valor é de US$ 635 ou R$ 1.099. “Este é o primeiro aparelho da série de leitores digitais que pretendemos oferecer. Imaginamos ter, até o fim do ano, também o iPad, da Apple", disse Marcílio Pousada, presidente da Saraiva, a Folha de S. Paulo. Por enquanto só disponíveis no site da livraria, as lojas físicas da rede devem receber os modelos nos próximos meses. E a Saraiva também atualizou sua loja de livros on-line, inaugurada em junho. A loja oferecia até então livros para serem lidos no computador entre 12 mil títulos, dos quais 8 mil são gratuitos, fruto de uma parceria com a Imprensa Oficial, que disponibiliza também em seu site a Coleção Aplauso, perfis de nomes do teatro brasileiro. Os títulos nacionais ainda escasseiam: de literatura são apenas 17, enquanto literatura infanto-juvenil e literatura estrangeira passam um pouco de 400 títulos, todos em inglês. 

E na sexta, 27 de agosto, a Saraiva lançou seu aplicativo de leitura e compra de livros para o iPad, tablet da Apple. O software grátis pode ser baixado na loja de aplicativos App Store e dá acesso à livraria digital on-line da Saraiva, com 1.500 títulos nacionais e 160 mil livros estrangeiros. Segundo Pousada, os livros brasileiros devem chegar a 5 mil ainda este ano. O aplicativo da Saraiva para iPad – que levou três meses para ser desenvolvido pela equipe da Saraiva e também funciona no iPhone – é o primeiro entre as grandes redes de livrarias no país. 

 

 

O burro. "Como você faz para rolar a página para baixo?"

 

O macaco. "Eu não rolo. Eu viro a página. É um livro."

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