Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 24.08.2011 24.08.2011

Livros de guerra

Por Andréia Silva
Cena do filme Guerra ao Terror
Na apresentação de seu mais novo lançamento, Maré Alta (Bertrand), o escritor Jeff Shaara diz que seus títulos estão longe de ser “um relato abrangente de um acontecimento histórico, fato após fato, detalhado, passo a passo, como você encontra num livro didático". O autor diz que seu objetivo "é descobrir algumas vozes e contar suas histórias através de seus próprios olhos".
É justamente esse relato dos bastidores das guerras em um tom mais pessoal e as histórias de sobrevivência dos envolvidos nesses conflitos que faz com quem cada vez mais leitores se interessem por livros sobre guerra, e que em algumas livrarias já possuem espaço próprio, separado dos demais assuntos, tamanha é a produção sobre o tema nos últimos anos.
 
 
 
E para quem gosta do estilo, o livro é Shaara é apenas um dos quatro lançamentos recentes sobre o tema, que tem ainda Rompendo o Silêncio (Bertrand Brasil), de Alice Walker, Guerra (Intrínseca), de Sebastian Junger, e A Vida em Tons de Cinza (Arqueiro), de Ruta Sepetys.
 

Jeff Shaara
No caso de Maré Alta, o autor descreve cenas inesquecíveis de batalhas nos desertos do norte da África e no interior da Sicília com histórias narradas pela voz das figuras mais heróicas do conflito.
O historiador Márcio Salles, 52, é um fã de livros sobre a Segunda Guerra Mundial e passou a acompanhar mais de perto os livros escritos por jornalistas que cobrem áreas de conflitos.
“Por gostar de história o interesse por livros sobre guerras é previsível, afinal as guerras provocaram mudanças profundas nas sociedades, estabeleceram o antes e depois. Hoje, os livros de jornalistas vêm preencher outro lado dessa história, com relatos mais pessoais, intimidades dos protagonistas e histórias de sobrevivência que nem sempre têm espaço no noticiário, mais focado em questões políticas”, diz Salles, hoje com uma vasta coleção de livros sobre guerra.
Uma poetisa e um jornalista no front
 

Alice Walker
 
Autora premiada e considerada pela Forbes, em 2011, uma das dez escritoras mais influentes da atualidade, Alice Walker, famosa no Brasil pelo romance A Cor Púrpura, conta suas impressões da situação humanitária durante suas viagens, em 2006, a Ruanda e ao Congo, e em 2009, à Palestina e a Israel, convidada por um grupo pacifista.
Já Sebastian Junger traz a história dos soldados que lutam na Guerra do Afeganistão. Dividido em três partes – medo, matança e amor -, o livro é resultado de cinco viagens do autor ao Vale do Korengal, no Afeganistão oriental, feitas entre junho de 2007 e junho de 2008.
 
Sebastian Junger
Guerra descreve fatos e sentimentos como a expectativa e os momentos que antecedem a batalha, os riscos, a perplexidade e a culpa na perda de um amigo. Um dos diferenciais do é contar que efeito elas têm nos soldados, protagonistas diretos das guerras.
As viagens de Junger também renderam um documentário, Restrepo, premiado em Sundance, dirigido ao lado Tim Hetherington, fotojornalista morto em abril deste ano enquanto cobria os confrontos na Líbia. Depois da perda do amigo, Junger anunciou que não cobriria mais regiões em conflitos.
Esse risco, sempre iminente aos profissionais que cobrem guerras, é o que atrai o interesse do estudante Felipe Amorim, 20, pelo estilo. “É algo assustador, pois se sujeitam a uma situação de extremo perigo. Mas, não vejo isso com romantismo. Tendo mais a reconhecer como um certo vício, uma dose de adrenalina sem a qual jornalistas de guerra não vivem”, diz o estudante.
Apesar de cursar Relações Internacionais e Jornalismo, Felipe conta que o interesse pelos livros de jornalismo de guerra começou antes da faculdade, com livros como Notícias do Front e Hiroshima.
De volta às origens
 
Ruta Sepetys
 
Em seu livro de estreia, a escritora americana Ruta Sepetys filha de um lituano refugiado, voltou às origens para contar as memórias dos que sobreviveram aos anos de domínio por Stalin, na Rússia, quando os países bálticos – Estônia, Letônia e Lituânia – sumiram do mapa em 1941, anexados pela União Soviética.
Uma história que mistura horror e esperança, e que começou com uma busca da autora por memórias da própria família. Ruta revelou em entrevista que, embora seja uma história dura e repleta de capítulos tristes, era preciso "contar a história daquelas pessoas".
“Nenhuma situação deixa o ser humano mais a flor da pele do que uma situação de guerra, uma situação limite. Os livros mostram que virtudes se confundem com fraquezas e vice-versa, o calor com que as decisões são tomadas e a busca implacável pela sobrevivência. É instigante”, diz Salles.
 
 
Confira a entrevista com Ruta Sepetys sobre o livro e depoimentos de alguns dos personagens:
 
 
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