Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 07.12.2011 07.12.2011

Livros de bolso x tablets: práticos e fáceis de carregar, leitores contam porque não abrem mão dos dois

Por Andréia Silva
Livro da coleção Saraiva de Bolso
 
De longe, eles parecem tijolinhos que, unidos, erguem uma parede do conhecimento que esconde o mundo dos clássicos, da História, de obras contemporâneas, música, arte, humor, e por aí vai.
 
Desde que foram lançados, os pocket books, ou melhor, livros de bolso, viraram um xodó dos leitores, que viram nesses pequenos livros um jeito mais prático de carregar grandes clássicos de nomes como William Shakespeare, Fernando Pessoa, Edgar Allan Poe, Charles Bukowski, entre outros.
 
Agora, com os tablets, que também oferecem praticidade e espaço de sobra para centenas de livros, esses modos diferentes e complementares de se ler um livro estão mais para melhores amigos ou inimigos?
 
"Um não anula o outro. Até porque, acho que são públicos diferentes. O preço mais baixo, por exemplo, é um atrativo dos pockets", diz a estudante de Letras, Tarsila Rodrigues.
 
No caso da jovem de 21 anos, os pockets chamaram sua atenção por outro fator além do custo e da praticidade em relação aos "tijolaços": a facilidade de encontrar títulos de sua autora preferida, Agatha Christie.
 
"Tanto em lojas quanto em bancas, é fácil encontrar livros de Agatha, o que estimulou minha leitura. Comprar um pocket na volta da faculdade, ao passar por uma livraria ou banca, entrou na minha rotina e, assim, consegui uma bela coleção", diz a estudante.
 
Para ela, transportar os livros de bolso também continua mais prático. “É preciso ter cuidado ao carregar um iPad, por exemplo, pois é um material frágil. Os livros impressos já estão acostumados a sofrer, caber em qualquer canto, nem que ganhem algumas orelhas depois”, brinca ela.
 
Aplicativos do iPad permitem que usuários montem sua própria biblioteca
 
Já Marcos Barione, 37, é um adepto dos livros em tablets. Ele diz que encontrou um jeito prático de ler e carregar seus livros aonde vai.
 
"Acho o tablet irresistível", diz ele. Tudo começou quando ele baixou livros clássicos como Intenções, de Oscar Wilde, um de seus autores preferidos. "Gostei da experiência, da tipografia 'confortável' para ler, pois eu tinha dúvidas quanto a isso, e da facilidade de abrir o iPad  folhear o livro no aeroporto", diz. A partir daí, não parou mais de baixar livros.
 
Quando está no metrô ou em locais mais movimentados, Barione diz que ainda fica receoso de "abrir" seu livro no iPad. "Talvez seja o único momento em que um livro de bolso seja mais vantajoso do que ler no tablet", diz Barione.
 
Juliana Andrade, 38, jornalista da área de tecnologia, descobriu recentemente outro momento em que o tablet se mostra mais prático do que o livro de bolso e até mesmo de outros tijolaços. “Sabe aquela hora de dormir, em que você pega um livro, certa de que vai devorá-lo, e acaba dominada pelo sono? Com o tablet, você não se preocupa em lembrar onde parou, já que eles marcam para você…”, diz ela, adorando a funcionalidade do brinquedo.
 
Mas Juliana é uma colecionadora de pockets de diversos temas e diz que “só mesmo pela profissão” se rendeu aos tablets. “Tudo começou na época de estudante. Os preços dos pockets realmente eram mais atrativos, e isso falava mais alto naquela época. E aí desenvolvi um apego a esses pequenos livros”, conta ela, que hoje guarda sua coleção em uma cesta repleta de livros de bolso. Um dos xodós da casa.
 
Se um compete com o outro? “Acredito que não. Os livros de bolso têm um público muito fiel ao formato, eles são fofos, práticos, cabem em qualquer lugar, podem amassar. E, no fim, a discussão é a mesma: se os livros digitais vão acabar com os impressos, o que certamente não vai acontecer, por questão de preferências. Há livros que você prefere ler no iPad, mas há outros que não abro mão de folhear”, diz.
 
Parece que o mercado nacional acompanha o pensamento de Juliana. Hoje, são vendidos mais de dois milhões de livros de bolso, e as vendas crescem, em média, 10% ao ano, segundo o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNELL). 
 
Em setembro deste ano, a Livraria Saraiva também entrou na onda dos pockets com a coleção Saraiva de Bolso, em parceira com a Nova Fronteira. Já são 56 títulos valorizando os clássicos da literatura.
 
O destaque da coleção é a acessibilidade, não apenas no formato físico do livro de bolso. Cerca de 90% do catálogo está disponível também no formato digital, com preços até 30% mais baratos que a edição impressa. Tudo para levar o mundo dos pockets aos leitores digitais – e vice-versa.
 
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