Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 10.09.2013 10.09.2013

Livro narra vida do fotojornalista Robert Capa

Por Thaís Ferreira 
 
Um homem que se inventou. A frase resume como o jornalista e escritor Alex Kershaw descreve o fotógrafo Robert Capa. A definição está no recém-lançado livro Sangue e Champanhe, da editora Record.
De origem judaica, Capa nasceu em outubro de 1913, na Hungria, e seu nome verdadeiro era André Friedmann, mas criou para si outra identidade. Muito jovem e com poucos recursos financeiros, saiu da sua terra natal para cursar ciências políticas em Berlim (Alemanha) e acabou se apaixonando pela arte de fotografar. 
Ainda com seu nome original, começou a trabalhar na Dephot, uma das principais agências de notícias europeias da época. Mas para alcançar o sucesso profissional que almejava, criou para si um personagem. Então, Robert Capa surgiu em 1936 como um fotógrafo norte-americano de renome que cobrava três vezes mais do que o preço de mercado. A farsa não durou muito tempo; no entanto, a alcunha o acompanhou por toda a vida.
Ao longo de uma bem-sucedida carreira, o fotojornalista cobriu os mais importantes conflitos do século 20, entre eles a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial. A cada batalha e a cada perda de entes queridos, ele se reinventava mais uma vez. 
 
Capa de Sangue e Champanhe
 
Além disso, foi responsável por conceber uma nova forma de organizar a profissão. Capa ajudou a criar a agência Magnum, uma cooperativa de fotógrafos que buscava valorizar o trabalho e os direitos autorais das imagens.
SANGUE E CHAMPANHE
A vasta pesquisa de Kersham, que envolve documentos e relatos de amigos do húngaro, revela um homem extrovertido, com um fraco por bebidas, jogos de carta e mulheres. Mas também um profissional que arriscava sua vida para conseguir as melhores fotografias.
O livro conta com várias declarações de soldados e jornalistas que trabalhavam ao lado de Capa, relembrando grandes situações de risco. Ele levava a sério seu próprio conselho: “Se as fotos não são realmente boas, é porque você não se aproximou o suficiente”.
"O Soldado Caído", uma de suas imagens mais célebres, mereceu um capítulo próprio que investiga as possíveis versões para sua produção: farsa, sorte ou habilidade. Todas as alternativas são investigadas e existem pistas significativas, mas nenhum indício é suficiente para comprovar se a foto foi realmente um flagrante da morte ou uma encenação.
 
Foto feita durante o Dia D na Normandia
Sangue e Champanhe também mostra a visão política do fotojornalista. Desde a juventude, ele flertava com os ideais comunistas, o que levantou as suspeitas do governo norte-americano durante o período do macartismo. O livro ainda revela documentos do FBI e trechos de uma declaração juramentada que Capa deu à agência de investigação dos Estados Unidos. Esses arquivos demonstram as suspeitas em relação às ligações dele com a extrema esquerda.
A luta real do húngaro, no entanto, era contra o totalitarismo. Isso é evidente em seus trabalhos, já que suas imagens buscavam registrar a derrota nos campos de batalha dos regimes de Hitler e Franco. 
 
Imagem da Guerra Civil Espanhola
CENTENÁRIO DE NASCIMENTO
A publicação da obra de Alex Kershaw no Brasil coincide com as comemorações do centenário de nascimento do fotógrafo. Para festejar a data, exposições estão em cartaz no mundo todo.  No Museu Internacional do Jornal em Aachen, na Alemanha, a mostra "Israel" apresenta fotos da chegada de imigrantes judeus em Tel Aviv, em 1948.
Em Seul (Coreia do Sul), a "Robert Capa Centenary" expõe as principais obras do fotojornalista, incluindo as tiradas durante o Dia D, na Normandia, e a famosa e polêmica "O Soldado Caído". A exposição deve percorrer outras capitais do mundo, mas cidades do Brasil não estão previstas no roteiro.
Enquanto as obras de Capa não chegam às terras tupiniquins, os brasileiros podem esperar a estreia do filme Close Enough. Ainda em fase de produção, o longa irá contar a história do fotógrafo e de sua namorada Gerda Taro durante a cobertura da Guerra Civil Espanhola.
 
"O Soldado Caído"
O fotojornalista será vivido por Tom Hiddleston (o vilão Loki, de Os Vingadores) e Taro por Hayley Atwell (Peggy Carter, de Capitão América). O projeto terá a direção de Paul Andrew Williams, que já trabalhou em Song for Marion.
Outro filme também pretende homenagear o húngaro: Waiting for Capa. Ele será baseado no livro homônimo. A direção será de Michael Mann, conhecido pelo trabalho em O Último dos Moicanos, e o elenco terá Gemma Arterton (de Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo), além de Andrew Garfield (o protagonista de O Espetacular Homem-Aranha).  
 
 
 
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