Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 20.03.2013 20.03.2013

Literatura juvenil em foco: a polêmica do Sick-Lit

Por Maria Fernanda Moraes 
 
“Sick-Lit”. A expressão é bem recente e refere-se a um tipo de literatura que vem dominando as listas dos livros infantojuvenis mais vendidos nos Estados Unidos e na Inglaterra.
 
O termo pode ainda não parecer familiar, mas títulos como A culpa é das Estrelas, de John Green, em que a protagonista é uma menina com câncer avançado, e As vantagens de ser Invisível, de Stephen Chbosky, sobre um adolescente depressivo cujo melhor amigo cometeu suicídio e que pode ir pelo mesmo caminho, estão associados a essa categoria literária.
 
A aceitação do termo (que significa “literatura doentia”, em tradução livre) não foi das melhores, já que ele traz uma conotação negativa, ignorando muitos outros aspectos desse tipo de enredo. Geralmente voltadas para adolescentes, as histórias são protagonizadas por personagens com doenças graves, depressão, anorexia, tentativas de suicídio e outros problemas antes não abordados nas narrativas fantásticas que fizeram sucesso nos últimos anos.
 
Temas como o bullying também são associados ao Sick-Lit. E a relação de livros que trazem esse enredo tem aumentado bastante. Extraordinário, de R. J. Palacio, lançado pela Editora Intrínseca recentemente, conta a história de August Pullman, um menino que nasceu com uma deformidade facial e vai enfrentar a escola pela primeira vez.
 
O desafio de August é convencer seus novos colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é apenas um menino igual aos outros. A autora conta que a ideia para a obra surgiu de uma experiência real, quando estava numa sorveteria com seus dois filhos e eles encontraram uma menina com uma grave deformidade facial, o que fez com que as crianças se assustassem, deixando a mãe sem saber o que fazer.
 
Capa de Extraordinário, de R. J. Palacio
 
Há muitos outros exemplos de livros que se encaixam no Sick-Lit, e alguns títulos como Antes que Eu Vá, Os Treze Porquês e A Lista Negra corroboram a discussão sobre a pertinência do termo criado recentemente. Isso porque esses trabalhos tratam de temas delicados, como suicídio e morte juvenil, e algumas correntes críticas consideram que esse tipo de literatura poderia influenciar o comportamento dos jovens de forma negativa.
 
Não é essa, entretanto, a opinião dos leitores, já que os livros caíram no gosto do público juvenil. “Dar destaque, debater e mostrar que tudo isso faz parte da vida e nós precisamos conviver com isso, ajuda a lidar com muito mais facilidade quando nos deparamos com esses problemas. Transformá-los em tabu e evitar discussões apenas para não influenciar os jovens e adolescentes a terem esse tipo de comportamento é tão errado que nem sei por onde começar. Falar sobre depressão nunca criou depressão, por exemplo. Mas falar sobre isso ajudou a evitar, inúmeras vezes”, defende Iris Figueiredo, no seu blog Literalmente Falando.
 
Em Antes que eu Vá (Editora Intrínseca), Lauren Oliver conta a história de Sam, uma menina muito popular na escola, mas que não se importa com o modo como trata as pessoas ao seu redor, zomba dos outros e faz “brincadeiras” que considera inofensivas. Tudo muda quando Sam morre em um acidente e tem uma segunda chance de mudar as coisas. Sete “segundas chances”, na verdade. Suas ações geraram um efeito borboleta e não afetaram apenas o seu destino. E, ao reviver aquele dia diversas vezes, Samantha desvenda o mistério que envolve sua morte.
 
Capa de Antes que eu Vá
 
No enredo de Os Treze Porquês (Editora Ática), de Jay Asher, treze pessoas recebem misteriosamente algumas fitas cassete e, por meio das gravações existentes nelas, descobrem que são uma das razões pelas quais Hannah Baker se suicidou. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. São circunstâncias aparentemente pequenas, mas elas geram uma bola de neve que, no final, transforma-se em algo maior.
 
Os Treze Porquês
 
Valerie, a protagonista do livro A Lista Negra, de Jennifer Brown, também tem uma história densa. Seu ex-namorado, Nick, atirou nos colegas da escola e depois se suicidou. O livro começa com um noticiário que relata o horror de massacres ocorridos em escolas por jovens: 20 de abril de 1999, Columbine, Estados Unidos; 26 de abril de 2002 , Erfurt, Alemanha; 16 de abril de 2007, Virginia Tech, também nos EUA; e 7 de abril de 2011, Realengo, Brasil.
 
A Lista Negra
 
Os atingidos na tragédia eram colegas que praticavam bullying contra Nick e Valerie. Eles estavam numa “lista negra”, um caderno em que o casal escrevia o nome de todos e tudo que odiavam, compartilhando suas angústias e criando um local de fuga, um momento de desabafo. Mas Valerie jamais imaginaria que Nick usaria a lista para aquele fim. Apesar de atingida no massacre, Valerie ainda consegue salvar uma colega e tem de lidar com a culpa e o perdão.

 
Outros livros com a temática:
 
Ponte para Terabítia (Katherine Paterson), Um Peixe de Calças Jeans (Allan Pitz), Morango Sardento e o Valentão da Escola (Julianne Moore), A Face Oculta (Maria Tereza Maldonado), Diário de Um Banana (Jeff Kinney), Antes de Morrer (Jenny Downham), Como Dizer Adeus em Robô (Natalie Standiford, previsão de lançamento em abril).
 
 
 
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