Ramiro Fajuri por Ramiro Fajuri Livros 27.01.2021 27.01.2021

Conheça Lewis Carroll, o autor de Alice no País das Maravilhas

Lewis Carroll foi o pseudônimo de Charles Lutwidge Dogdson, autor de Alice no País das Maravilhas. Ele nasceu em 27 de janeiro de 1832 em Daresbury, na Inglaterra, e faleceu em 14 de janeiro de 1898 em Guidford, também na Inglaterra. Além de escritor, Lewis Carroll foi também matemático, inventor, diácono da Igreja Anglicana e poeta, escrevendo versos de um estilo nonsense, propositalmente sem sentido, lógica ou coerência.

Vindo de uma família de clérigos anglicanos,  toda a vida estudantil de Lewis Carroll esteve ligada à Christ Church Oxford, uma das faculdades que formam a Universidade de Oxford. Lá ele estudou e se graduou com méritos, especialmente em matemática, tanto que foi convidado a seguir na carreira acadêmica, ensinando Matemática na instituição.

Lewis Carroll antes de Alice

Desde muito jovem , Charles Dogdson escrevia contos e poesias, a maioria em um tom satírico, que foram publicadas em várias revistas inglesas da época, obtendo um sucesso moderado, que não era tão comemorado pelo próprio autor, que dizia: Acho que ainda não escrevi nada realmente digno de ser publicado.

Carroll chegou a escrever até peças para teatro de fantoches, para a diversão de seus irmãos mais novos, da qual uma chegou até os dias de hoje, La Guida di Bragia. Mas a primeira obra com o nome que o tornou famoso foi publicada em 1856, um poema romântico com o título de Solitude. Lewis Carroll foi o pseudônimo escolhido entre quatro opções que ele enviou ao seu editor, Edmund Yates.

Alice no País das Maravilhas

Consta que a inspiração para Alice no País das Maravilhas teria vindo de Alice Pleasance Liddell, uma das filhas de Henry George Liddell, Reitor da Faculdade Christ Church. A ideia para o livro teria nascido em 1862, em um passeio de barco em que ele contou para Alice Liddell e suas irmãs a história de uma menina que segue um coelho até sua toca e cai em mundo fantástico, onde nada fazia muito sentido.

Alice no País das Maravilhas foi finalmente lançado em 1865, e se tornou rapidamente um grande sucesso, e não somente entre o público infantil. Entre os leitores conhecidos do livro, na época, estão o escritor Oscar Wilde e a Rainha Victoria.

 Alice através do Espelho

O grande sucesso do primeiro livro abriu caminho para que Lewis Carroll escrevesse mais um livro sobre sua personagem, Alice Através do Espelho, publicado em 1871.  Nesse livro, Alice atravessa um espelho e vai parar em um lugar onde deve superar vários desafios, oferecidos por personagens inspirados no jogo de Xadrez, como a Rainha Vermelha.

 

Polêmicas e Curiosidades sobre Lewis Carroll

A Alice da vida real

Carroll sempre negou que a Alice de seus dois livros mais famosos fossem inspirados unicamente em Alice Pleasance Liddell. Ele sempre afirmou que tinha se inspirado em várias crianças que conheceu. Mas a filha do reitor de Christ Church carregou a fama de ser a grande inspiradora de um dos maiores best sellers da Era Vitoriana. E pagou um preço por isso.

Em 1932, depois de ter sido cercada por fotógrafos ao chegar aos Estados Unidos para a celebração dos 100 anos de Lewis Carroll, escreveu a um dos filhos que não queria ser ingrata, mas estava cansada de viver à sombra do personagem. Mesmo depois de adulta, todos esperavam que ela fosse a Alice do livro.

Suspeitas de pedofilia

Não é segredo para ninguém que Lewis Carroll adorava crianças, mas alguns estudiosos afirmam que esse interesse não era tão inocente assim, e o escritor , que tinha dificuldade  em se relacionar com pessoas adulas, tivesse tendências à pedofilia.  Embora a amizade entre Carroll e a família do reitor Henry Liddell tenha cessado abruptamente, nenhuma dessas acusações foi efetivamente provada.

Lewis Carroll no divã

Lewis Carroll teve o mérito de escrever dos livros que, além de clássicos imortais que encantam adultos e crianças há gerações, estão abertos à interpretações. Tanto que há tanto estudiosos que veem nos personagens e situações descritos por Carroll precursores da psicodelia, como  aqueles que enxergam crítica política e social disfarçados no absurdo e no nonsense.

Pense em cada personagem, e como se comporta.

Alice

A menina Alice representa a imaginação própria da infância. Tudo o que ela passa nos dois livros pode ser fruto de uma imaginação super ativa. Mas também pode ser o questionamento das leis e regras, que nem sempre são certas e justificáveis, baseados em princípios e valores.

Gato Risonho

Também chamado de Gato de Cheschire, ele aparece e desaparece, sem ter medo de nada. Nem da Rainha de Copas. O Gato Risonho é uma espécie de filósofo, um analista da realidade que explica para Alice que para ela sobreviver em um mundo tomado pela loucura, precisa esquecer o que aprendeu.

Chapeleiro louco

Crítica quase direta à sociedade britânica e às suas normas de etiqueta, satirizando uma de suas mais  famosas tradições, o Chá das Cinco.  O Chapeleiro Louco, além de comemorar desaniversários, fazendo uma brincadeira com a relação dos britânicos com o tempo, e sua famosa pontualidade, é em vários momentos um péssimo anfitrião.

Rainha de Copas

Famosa pela frase imortal cortem-lhe a cabeça, a Rainha de Copas pode ser uma metáfora de qualquer uma das pessoas mimadas, egocêntricas e infantis, que não aceitam nunca serem contrariadas. E também como uma sátira à Monarquia e à Nobreza britânicas, que dominavam as pessoas através do medo.

Morte de Lewis Carroll

Lewis Carroll morreu de pneumonia em 14 de janeiro 1898, próximo de completar 66 anos, deixando um legado literário que atravessa gerações, e tem uma influência quase impossível de delimitar na cultura popular.

Essa influência vai da adaptação da Disney para Alice no País das Maravilhas na animação da de 1951, que foi a apresentação ao universo de Carroll para muita gente, passando pelas versões live action de Tim Burton para esse livro e para Alice Através do Espelho, de 2012 e 2016, respectivamente, até um dos mais loucos vilões do Batman, o Chapeleiro Louco.

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