Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 31.10.2011 31.10.2011

Lendas urbanas permeiam o universo do cinema

Por Luma Pereira
 
Basta dizer “Maria Sangrenta” três vezes diante do espelho para que o fantasma dela apareça. Verdade ou mentira, essa lenda urbana é de arrepiar. Ainda mais em Atividade Paranormal 3 (Joost e Schulman): o espírito atende ao chamado e surge na gravação.
 
Essas histórias fazem parte do imaginário popular, sendo contadas oralmente de indivíduo para indivíduo ou pela Internet. Adquirem uma atmosfera de terror, amedrontando as pessoas, que preferem não pagar para ver se são verdadeiras.
 
É melhor não ir ao banheiro da escola sozinho, pois vai que a “Loira do Banheiro” resolva aparecer. O “Homem do Saco”, a “Gangue do Palhaço” e o “Pé Grande” também devem ser evitados, por via das dúvidas. E é prudente ficar longe do lago Ness.
 
 
Tanto essas lendas persistem, que o cinema emprestou alguns desses enredos e os retratou em filmes de horror. Leia sobre produções que recontam essas histórias na telona, potencializando o medo que as pessoas já têm delas.
 
Cena do filme Atividade Paranormal 3
 
Do imaginário para a ficção
 
É o caso de Lenda Urbana 1, 2 e 3, que aborda a história dos ladrões de órgãos – a pessoa acorda numa banheira de água fria e percebe que teve um dos órgãos retirados. Natalie (Alicia Witt), protagonista, tenta desvendar os crimes inspirados nessas lendas.
 
Mas o primeiro filme a tocar nesse assunto foi Candyman (Rose, 1992). Baseado no conto O Proibido, do escritor inglês Clive Barker, é sobre Helen Lyle (Virginia Madsen), antropóloga que está fazendo uma pesquisa sobre lendas urbanas.
 
Ela vai a Chicago e ouve pessoas comentando sobre a história de Candyman (vivido por Tony Todd), um ex-escravo que foi morto por se envolver com uma moça branca – teve uma de suas mãos cortadas e o corpo lambuzado de mel, o que atraiu formigas e abelhas.
 
Dizem que o espírito usa um gancho no lugar da mão decepada, com o qual comete os assassinatos. Para invocá-lo, é preciso pronunciar seu nome cinco vezes diante de um espelho, e, dizem, ele aparece cheio de insetos. A lenda foi criada para o filme.
 
A Bruxa de Blair (Myrick e Sanchéz, 1999) consegue assustar duas vezes. Primeiro porque utiliza a figura da bruxa, já presente no nosso imaginário. E também porque se baseia em fatos supostamente reais – uma lenda urbana criada para a produção.
 
Em 1994, três estudantes de cinema foram a Maryland (EUA) fazer um documentário sobre a bruxa – que, segundo a lenda, teria matado crianças na década de 1940. Ninguém nunca mais os viu, e os equipamentos foram encontrados pela floresta.
 
O “Abominável Homem das Neves” aparece em O Pé Grande: O Encontro Inesquecível (Eubanks, 1994). Um milionário oferece dinheiro para quem conseguir achar a criatura, mas um garoto encontra “Yeti” e resolve ajudá-lo a se esconder.
 
O diretor cubano Eduardo Sánchez (A Bruxa de Blair) dirigirá Exists, primeiro de uma trilogia sobre a história do Pé Grande. O início das filmagens estava previsto para outubro deste ano.
 
Cena do filme Meu Monstro de Estimação 
 
A lenda escocesa do “Monstro do Lago Ness” também é bastante retratada em filmes. Aparece em Meu Monstro de Estimação (Russell, 2008) e na série animada Scooby-Doo, que faz referência a essa história em um de seus episódios. 
 
Alguns filmes também falam de “brincadeiras” com espíritos, como a do copo e a do compasso. É o caso de O Jogo dos Espíritos (Adams, 2002), em que um grupo de amigos decide verificar se a lenda do copo é verdadeira e acaba invocando forças más.
 
Os participantes colocam, numa mesa, números de zero a nove, letras de A a Z e as palavras “sim” e “não”, no formato de círculo. No centro, põem um copo de boca para baixo, onde todos apoiam o dedo indicador e vão fazendo perguntas ao espírito.
 
Mil vezes “Bloody Mary”
 
Bloody Mary
 
“Maria Sangrenta” tem inúmeras versões. Na série norte-americana Ghost Whisperer (2005), é retratada como uma garota que havia sido enterrada viva. É conhecida também como uma variante da “Loira do Banheiro” e arranca os olhos de quem a chama.
 
Essa lenda urbana já apareceu na série Sobrenatural e também é título de uma música de “Lady Gaga”. Virou até nome de um drink alcoólico, feito com vodka, suco de tomate e de limão.
 

Aparece em muitas histórias, sempre depois de alguém pronunciar três vezes o seu nome. Mas, em Atividade Paranormal 3, ela é filmada: basta rebobinar para vê-la de novo – “regalias” do cinema.

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