Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 01.11.2013 01.11.2013

Lee Daniels define ‘O Mordomo da Casa Branca’ como “”a história de amor entre um pai e um filho””

Por Edu Fernandes
 
As conquistas dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos já inspiraram muitos filmes. O Mordomo da Casa Branca condensa toda essa história com um protagonista real. O longa estreia no Brasil em 1º de novembro.
Cecil (Forest Whitaker, de O Último Desafio) é um filho de escravos que sai das plantações de algodão para tentar a vida na cidade grande. Ele consegue trabalho servindo à elite até obter um emprego na Casa Branca, depois do casamento com Gloria (Oprah Winfrey, de Bem-Amada) e de se tornar pai de dois filhos.
Ele passa pelo mandato de muitos presidentes, de Eisenhower (Robin Williams, de O Casamento do Ano) a Reagan (Alan Rickman, de Harry Potter e as Relíquias da Morte).
Em casa, o conflito de Cecil se dá com seu filho mais velho Louis, que se envolve cada vez mais com os movimentos em prol dos direitos dos negros, desde os tempos de universidade. Ele se alia a Martin Luther King (Nelsan Ellis, de True Blood) e aos Panteras Negras. Com isso, pai e filho se afastam.
O diretor Lee Daniels (Obsessão) esteve no Brasil durante o Festival do Rio e falou com a imprensa local sobre o processo de trabalho de O Mordomo da Casa Branca e os movimentos raciais nos Estados Unidos.
Como foi a escolha dos atores para viverem os presidentes?
Lee. Havia duas formas de fazer esse filme. Ou poderíamos usar um elenco desconhecido, ou assumir o risco de comprometer a autenticidade da história com a presença de estrelas de cinema. Mesmo assim, optamos por rolar os dados e me cerquei de amigos que são estrelas que as pessoas querem ver. No fim das contas, eu quis me assegurar que as pessoas vissem o filme.
 
Chegada de Kennedy (James Marsden) à Casa Branca reencenada no filme
Houve espaço para os atores improvisarem?
Lee. Tentei permanecer no roteiro a maior parte do tempo – cerca de 90% do que está lá é o que estava no papel. No entanto, se algo não funcionava, jogava o texto fora, porque eu faço o que for preciso para ser verdadeiro. É uma história real, então não há espaço para improvisar muito.
 
Nem todos os presidentes para os quais Cecil trabalhou estão no longa. Por quê?
Lee. Eles estavam em tratamentos anteriores do roteiro, mas foram cortados. Temia que o filme ficasse muito longo e episódico se colocasse todos lá. O importante não são os presidentes, mas a jornada de Cecil. É a história do amor entre um pai e um filho.
Como é trabalhar novamente com Oprah?
Lee. Ela era produtora de Preciosa, e foi assim que nos tornamos amigos. Oprah queria fazer um filme importante em sua vida e estava entre Steven Spielberg e eu para dirigir O Mordomo da Casa Branca. Graças a Deus ela deu o roteiro para mim! Aí ela pensou em desistir de atuar por motivos pessoais. Eu a atormentei, gritei e chorei até ela mudar de ideia. Ela ficou vulnerável e frágil no papel, com uma atuação crua. Eu vi outra Oprah no set.
 
Forest Whitaker e Oprah Winfrey vivem marido e mulher no filme
Como dar conta de um roteiro que se passa ao longo de décadas?
Lee. Foi a coisa mais difícil que eu já fiz. Todos meus filmes anteriores têm histórias que se passam em no máximo um ano. O Mordomo da Casa Branca vai dos anos 1920 até o governo Obama. Eu tenho déficit de atenção, então tinha que perguntar para minha equipe em que ano estávamos a cada cena rodada.
A história é pautada pela luta dos direitos dos negros. Foi pesado tocar nesse assunto?
Lee. Durante a preparação para o filme, eu tive contato com as atrocidades cometidas contra os negros e fiquei enfurecido com os brancos. A história é diabólica, e cheguei ao set muito bravo, mas aprendi com o espírito humilde de Lawrence Fishburne. Ele diz que nós mesmos somos os únicos feridos com o ódio que carregamos. Foi isso que me mudou, me fez voltar a amar os brancos. Muitos deles morreram na luta para ajudar os negros, e esse longa-metragem é dedicado a eles também.
Por que o filme tem 41 produtores creditados?
Lee. Temos mais de 40 produtores porque todos os estúdios me disseram “não”. Aí eu tive que ir atrás de pessoas e arrecadar o dinheiro para o filme. Deus abençoe os produtores por tornarem isso possível. O maior desafio foi mesmo a falta de verba. Tive de cortar algumas coisas da versão final do roteiro que eram importantes para mim, como cenas de protestos com muitos figurantes.
 
Cena do filme O Mordomo da Casa Branca
Quais são seus planos futuros?
Lee. Agora eu quero fazer algo diferente, um musical ou um filme de terror. Já falei com meu agente para procurar um projeto assim para mim.
 
Veja o trailer de O Mordomo da Casa Branca:
 
 
 
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