Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 19.05.2011 19.05.2011

LARS VON TRIER E NAOMI KAWASE

Por Natasha Ramos / Redação

LARS VON TRIER

No dia 18/5, foi a vez do dinamarquês Lars Von Trier apresentar seu filme Melancholia no Festival Internacional de Cannes. Depois da polêmica que causou com Anticristo —com o qual concorreu à Palma de Ouro em 2009 e que foi considerado  pela revista Variety como “risível, repugnante ou ambas as coisas”— uma declaração sua na coletiva de imprensa do festival deu o que falar.
 
Após afirmar, em um dado momento da entrevista aos jornalistas, que “compreendia e sentia um pouco de compaixão por Adolf Hitler”, o cineasta foi convidado pela direção do festival a se explicar. Então, Von Trier se desculpou e disse que se deixou levar por uma provocação. 
Conhecido por Ondas do Destino (com o qual foi premiado com o Grande Prêmio do Júri em Cannes, em 1996), Dançando no Escuro (que ganhou a Palma de Ouro em 2000), Dogville (2003) e o já citado AntiCristo, Von Trier foi indicado nove vezes a premiações em Cannes. A primeira delas, foi em 1984, com o filme Elemento de um Crime, com o qual ganhou o Grande Prêmio Técnico.
 
Os Idiotas (1998) foi seu filme que ficou conhecido por fazer parte do movimento cinematográfico “Dogma 95”, do qual o dinamarquês foi um dos fundadores.  Para quem não sabe, esse movimento surgiu a partir de um manifesto publicado em março de 1995, por Von Trier e Thomas Vinterberg e estabelecia 10 regras para a produção de um filme dogma. Essas regras tinham como objetivo retornar à pureza do cinema, sem efeitos especiais e outros artifícios.
 
O filme que concorre à Palma de Ouro na edição 2011 de Cannes, Melancholia, é também o nome de um planeta que se dirige para a Terra. Em meio a este caos, o novo filme do dinamarquês aborda a história de Justine (Kirsten Dunst) e Michael que, por ocasião de seu casamento, dão uma suntuosa recepção na cada da irmã da protagonista. É durante a festa que eles descobrem que a Terra está prestes a deixar de existir. Neste filme, atua também francesa Charlotte Gainsbourg, que protagonizou o filme Anticristo.

NAOMI KAWASE

O outro filme exibido nesta quarta-feira em Cannes foi o da diretora japonesa Naomi Kawase, Hanezu No Tsuki (Hanezu), que está concorrendo à Palma de Ouro.

É a quarta vez que Naomi concorre a prêmios no festival francês. A primeira foi em 1997, com Moe no Suzaku, que ganhou a Câmera Dourada. Na edição de 2007, seu filme Mogari no Mori, recebeu o Grande Prêmio do Festival.
 
Muitos de seus trabalhos são documentários, como Embrancing, sobre sua busca pelo pai que a abandonou quando ela era criança, e Katatsumori, sobre sua avó que a criou.

Hanezu no Tsuki (Hanezu) se passa na região de Asuka, em Nara, que é o berço do Japão. Nela, há muito tempo atrás viviam os que se satisfaziam com o prazer de esperar. O povo moderno, tendo aparentemente perdido esse sentido da espera, parece incapaz de mostrar reconhecimento em relação ao presente, agarrando-se à ilusão que tudo avança segundo o plano preciso de cada ser. Há muitos anos, os japoneses acreditam que o Monte Unebi, o Monte Miminashi e o Monte Kagu, três montanhas japonesas, eram habitadas por deuses. Essas montanhas ainda existem. Nesses tempos, um homem de negócios tinha comparado as montanhas à batalha que se travava no seu próprio coração. As montanhas eram a expressão do seu carma humano. Desde então as coisas evoluíram. Takumi e Kayoko, herdando as esperanças desiludidas dos seus avós, desperdiçam as suas vidas. A sua história é universal, parecida com a das inumeráveis almas que se acumulam nesta terra.

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