Bel Sanmax por Bel Sanmax Música 26.03.2019 26.03.2019

Lana Del Rey e o pop melancólico

Quando Lana Del Rey despontou no cenário da música, em 2011, o mundo não sabia muito bem aonde ‘encaixar’ seu perfil como artista. Lana, nascida Elizabeth Woolridge Grant, não possuía as características típicas de quem se lançava no meio para se tornar uma estrela do pop.

Video Games, seu primeiro hit, foi lançado como um videoclipe caseiro, no Vevo, e na faixa ela cantava sobre os dissabores de uma paixão complicada. O vídeo tornou-se viral, e a letra e melodia, com tons melancólicos e influência nostálgica, tanto no visual quanto nos arranjos, cativou e ao mesmo tempo confundiu a crítica.

Em 2019 ela lança seu sexto álbum de estúdio como Lana Del Rey, mas seu caminho rumo a uma carreira sólida e elogiada, principalmente por seu talento como compositora, foi marcado por obstáculos quanto à ‘identificação’ de sua persona artística.

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Lizzy

Lana Del Rey antes da fama. Imagens: reprodução

Antes de ser Lana, Elizabeth se lançou como Lizzie Grant. Em 2010, aos 25 anos, ela mudou-se para a Inglaterra para investir na carreira, mas as gravadoras e produtoras rejeitaram suas criações, por considerarem seu estilo ‘não vendável’ para os padrões pop da indústria.

Ela tentou lançar músicas como Lizzie, e se rendeu, temporariamente, ao padrão pop star: pintou os cabelos de loiro, ‘aumentou’ a dose de ‘açúcar’ nas letras. Mas a tentativa fracassou.

O clipe de Video Games, o divisor de águas para Lana, foi filmado e editado por ela, que misturou cenas captadas por uma webcam com trechos de filmes e vídeos antigos.

Video Games, no qual a voz de Lana é embalada por arranjos de orquestra, estreou na segunda posição da parada Billboard, e foi o quinto álbum mais vendido nos EUA em 2012. Nascia, então, o ‘fenômeno’ Lana Del Rey.

Nancy Sinatra Gangsta

Lana faz música pop sim, assim como ‘recheia’ suas letras com referências à cultura norte-americana. Ela nunca escondeu que toma ‘emprestado’ elementos das décadas de 1950 e 1960, a era ‘dourada’ dos crooners, os intérpretes donos de vozeirões que cantavam sobre corações vulneráveis, dores e prazeres no amor.

Os arranjos ‘poderosos’, com elementos do jazz e blues, nesta época, passaram a acompanhar também as histórias cantadas por um viés feminino. Nancy Sinatra, filha de Frank, e uma estrela por si só, é uma das maiores influências de Lana. No começo de sua carreira, Lana descrevia seu estilo musical como o de uma “Nancy Sinatra Gangster”.

“Eu queria fazer parte de uma cena de músicos de alta estirpe (em Londres). Foi meio que uma inspiração, porque eu não tinha muitos amigos, e esperava conhecer novas pessoas e me apaixonar, fazer parte de uma comunidade musical, do mesmo modo como se fazia nos anos 60. Queria ser vista como uma boa cantora, e não muito além disso. ” – Lana, em 2013

Indie Queen

As características tão particulares de Lana como artista, que tanto intrigaram o público e crítica quando foi alçada à fama, foram a princípio usadas como argumentos para acusá-la de uma ‘falsa autenticidade’.

Lana seria um produto, ‘repaginada’ esteticamente e musicalmente, cuja persona teria sido cunhada para levar os elementos da música independente ao público mainstream. Seus lábios teriam recebido injeções de colágeno, o nariz afinado pelo bisturi, e ela só teria conquistado um ‘lugar ao sol’ na indústria por conta dos contatos do pai, um publicitário.

A artista também foi apontada como um mau exemplo, pois suas letras fariam alusão à submissão e auto-flagelamento feminino.

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Noir

Lana em uma das imagens de divulgação de Lust For Life, seu quinto álbum

De 2010 aos dias de hoje, Lana se firmou como uma das artistas mais bem-sucedidas de sua geração. A melhor resposta a seus críticos – ela é notoriamente reservada quanto a comentar sobre sua música e vida pessoal, veio com a recepção de seus álbuns.

Born to Die, seu primeiro disco, de 2012, alcançou o primeiro lugar no iTunes em 18 países. Ultraviolence, de 2014, e Lust for Life, de 2017, estrearam na primeira posição da parada Billboard .

O Sexto

Seu sexto álbum, Norman Fucking Rockwell, será lançado em 2019. Produzido em parceria com Jack Antonoff, músico da banda Fun e produtor artístico de discos de Taylor Swift e Lorde, NFR teve três singles lançados previamente (como é a prática da indústria fonográfica atualmente): “Venice Bitch”, “Mariners Apartment Complex” e “Hope is a dangerous thing for a woman like me to have”.

“Estou animada com este álbum. Eu finalizei a maior arte das faixas em janeiro (2019), e o tom é um pouco diferente dos meus dois últimos discos, pois eu não tinha um plano claro. Este disco nasceu porque conheci Jack Antonoff em 2018, na festa de Clive Davis antes do Grammy, quando ele disse que deveríamos gravar juntos. Eu disse a ele que sim, mas que só tinha escrito algumas letras” – Lana em entrevista à revista Harper’s Bazaar

Segunda Lana, o som do álbum é “orgânico, e eu não quero dizer acústico, mas tem uma pegada da Los Angeles antiga”. Os arranjos são mais ‘calmos’, e as letras sobre reflexões do dia-a-dia, de acordo com a artista.

O clipe de Mariners Apartment Complex

São treze faixas no total, e tanto Lana quanto Antonoff revelaram que o objetivo da obra, durante a criação, não seria cunhar “hits óbvios”. A revista Rolling Stone apontou o single Mariners Apartment Complex como a sexta melhor música lançada em 2018.

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