Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 20.12.2011 20.12.2011

Jornada de Chico é contada em livro-almanaque através de fotos e textos

Resenha de livro
Título: Para Seguir Minha Jornada – Chico Buarque
Autor: Regina Zappa
Editora: Nova Fronteira
Cotação: * * * 1/2
 
Para Seguir Minha Jornada – Chico Buarque, o livro sobre Chico Buarque que a editora Nova Fronteira pôs no mercado neste fim de 2011, não é exatamente uma biografia do cantor e compositor carioca. Mas, de todo modo, reconstitui a maioria dos passos fundamentais da vida e obra do artista através de fotos (muitas inéditas, colhidas pela autora Regina Zappa no acervo pessoal de Chico), de reproduções de reportagens publicadas desde a década de 60 até os anos 2000 e de textos escritos com citações de documentos, críticas e depoimentos sobre o autor de Roda Viva.
 
A estrutura de Para Seguir Minha Jornada é parecida com a de um almanaque, formato tão ao gosto do mercado editorial brasileiro nos últimos anos. Contudo, Zappa – jornalista e escritora que ora publica seu terceiro livro sobre Chico Buarque – escapa da superficialidade do gênero por conta de seu texto consistente (bem fundamentado e rico em informações) e da própria história do artista, farta de acontecimentos que se confundem com a história recente do Brasil.
 
Muitos já são conhecidos por quem acompanha a jornada do compositor desde os tempos dos festivais até o recente lançamento do álbum Chico (2011), também abordado nessa espécie de biografia ilustrada. Outras histórias e curiosidades tinham caído logo no esquecimento.
 
É o caso, por exemplo, da origem da música Bastidores (1980), composta por Chico para sua irmã, Cristina Buarque, mas propagada pelo vozeirão grave de Cauby Peixoto, que recebeu o tema após a gravação de Cristina. Como o disco de Cauby saiu antes, o cantor ficou com a primazia de ter lançado e inspirado Bastidores. Mas a história verdadeira da música é a contada por Chico à extinta revista Manchete em dezembro de 1980, em depoimento reproduzido por Zappa.
 
São muitas as histórias, mas, como Para Seguir Minha Jornada foi estruturado sem o rigor e a preocupação documental de uma biografia, discos recentes do artista – como Paratodos (1993), As Cidades (1998) e Carioca (2006) – são ignorados na parte final do livro em favor da controvertida obra literária do escritor. Como o almanaque foi revisado pelo próprio Chico, a jornada acaba sendo contada – de certa forma – sob ótica oficial. O que não altera o valor de Para Seguir Minha Jornada diante da fartura do sedutor material fotográfico, das reportagens e do (alto) nível dos textos escritos para o livro.
Recomendamos para você