Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 23.06.2010 23.06.2010

John Keats e sua musa inspiradora

Por Vinicius Valente

Foram três anos de um romance rodeado por campos floridos, conflitos sociais e belos versos de poesia. Embora curta, a carreira do britânico John Keats (1795 – 1821) rendeu frutos importantes para a literatura, sendo considerado por muitos não só o último, mas também o maior dos poetas românticos ingleses. Velho conhecido do meio literário, seu soneto “Bright Star” acaba de trocar a estrutura das estrofes pelos rolos de filmes, exibindo para os cinéfilos a história de vida de seu autor, a partir desta sexta-feira, 25 de junho.

Dirigido pela neozelandesa Jane Campion (O piano, 1993), o longa O brilho de uma paixão foi indicado ao Oscar de melhor figurino e à Palma de Ouro em Cannes. A trama se passa na Londres de 1818 e aborda a história real do amor entre Keats, interpretado por Ben Whishaw, e Fanny Brawne, por Abbie Cornish.

Então com 23 anos, o escritor começava a ter seus poemas publicados, porém ainda estava longe de ter sua obra reconhecida e valorizada. Fanny é sua vizinha, uma estudante de moda de personalidade forte e que não se interessava muito pela literatura. Após alguns desentendimentos iniciais, os dois se unem para cuidar do irmão caçula do poeta, que estava doente. A união evolui para uma paixão muito forte e envolvente que domina a vida dos dois jovens. Nessa hora surge o conflito, pois não há chances do poeta falido ter dinheiro para pedir a amada em casamento.

Exibindo belas imagens de campos e bosques, o longa-metragem é um típico romance de época, regado por uma bela trilha sonora e por poemas de Keats, que, entre uma viagem e outra, escreve cartas para sua amada dominado pela angústia e pela saudade. É justamente nesse período que o poeta escreve “Bright Star”, nome original do filme, e outros poemas de forte relevância para a literatura inglesa, como “Hyperion” e “La belle dame sans merci”.

John Keats nasceu em Londres, no ano de 1795. Estudou para ser farmacêutico, porém seu interesse por idiomas, história e mitologia o levou a exercer a literatura. Começou a publicar seus poemas em 1817, pouco antes de conhecer Fanny.

Com O brilho de uma paixão, a diretora Jane Campion voltou a concorrer à Palma de Ouro, que ganhou em 1993 com O piano, consagrando-a como a primeira mulher na história a receber o prêmio. A cineasta nasceu em Wellington, Nova Zelândia, e cursou a Escola Australiana de Cinema, Rádio e Televisão de Sydney. Seus outros filmes são Peel (1982), Sweetie (1989), Um anjo em minha mesa (1990), Retrato de uma mulher (1996), Fogo sagrado(1999) e Em carne viva (2003).

> Leia o poema “Bright Star”, de Jonh Keats:

 

“Bright Star, would I were stedfast as thou art –

Not in lone splendor hung aloft the night,
And watching, with eternal lids apart,
Like nature’s patient, sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike task
Of pure ablution round earth’s human shores,
Or gazing on the new soft-fallen masque
Of snow upon the mountains and the moors –
No – yet still stedfast, still unchangeable
Pillow’d upon my fair love’s ripening breast,
To feel for ever its soft swell and fall,
Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever – or else swoon to death -”

 

> Assista ao trailer

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