Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo HQ 10.07.2011 10.07.2011

Joe Sacco para menores de 18 anos

O sábado foi corrido para Joe Sacco. Depois de atender os fãs que faziam fila na tenda dos autores após a mesa A História da HQ, Sacco teve pouco tempo para almoçar e chegar na Flipzona.
 
O evento, destinado ao público jovem, precisava de uma sala maior para receber todos os curiosos que se reuniram para ouvidor o bate-papo mediado pelos também quadrinistas Fábio Moon e Gabriel Bá. O espaço, repleto de estudantes, ficou pequeno, mas isso não acanhou Sacco, que falou sobre as muitas mudanças com sua família, a carreira mal sucedida de jornalista e, é claro, quadrinhos.
 
Nascido em Malta, Sacco morou por 10 anos na Austrália antes de se mudar para os Estados Unidos. Cursou jornalismo, mas desde a faculdade pode perceber que não era bem isso que queria. “Os bons professores queriam ensinar que os jornalistas tinham que se conformar à política dos jornais. Isso não é algo que se fale a um jovem de 19 anos”, disse. Foi na paixão de infância que Sacco descobriu uma forma de se expressar e falar daquilo que não poderia publicar nos jornais e revistas. No início, fazia posters para bandas de rock, capas de CD e, como podemos ler em But I Like it (sem tradução para o português), saiu em turnê pela Europa com uma banda psicodélica americana.
 
Desde o início da carreira, a música serve de inspiração. Mais do que em outros autores de HQ, Sacco se inspira em escritores como George Orwell e em música “velha”. Porque, como explicaram os gêmeos Moon e Bá para a plateia de adolescentes, “depois de uma certa idade, as pessoas não gostam do que está fazendo sucesso no momento”. Ao som de jazz, rock e blues antigos, Sacco desenha aquilo que a maioria jornais não consegue – e muitas vezes não quer – retratar. Apesar de premiado e ter seu trabalho sob a alcunha do “jornalístico”, ele ainda enfrenta resistência dos mais velhos, que não consideram quadrinho uma forma de literatura.
 
Pesquisa, pesquisa, pesquisa
 
Para os que ainda acham que os quadrinhos não merecem ser levados à sérios, Joe Sacco deixou bem claro que, como em qualquer outro trabalho jornalístico, a base de seus livros se deve à muita pesquisa. Só para fazer Notas de Gaza levou 7 anos, além de passar um período in loco e entrevistar dezenas de pessoas.
 
“Pesquisa é o jeito adulto de falar estudo”, ressaltou Fábio Moon. Logo, para ser quadrinista tem que gostar de estudar. Antes de trabalhar numa velocidade de duas páginas por dia, Sacco foi um estudante aplicado. Adorava as aulas de História e hoje fica feliz em poder contar a história das pessoas. “É um privilégio entrar na casa das pessoas e ouví-las contando sobre experiências tão pessoais”, afirmou.

Não por acaso, especializou-se nos sem voz; naqueles que não têm destaque na mídia e são, na sua maioria, ou desconhecidos ou mal compreendidos. Seja indo para o Oriente Médio para escrever Palestina e Notas sobre Gaza; ou ficando bem perto de casa, como agora, quando escreve sobre Nova Jersey, Sacco encontrou seu nicho, as áreas esquecidas pela sociedade.

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