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Jessica Chastain: De coadjuvante a estrela

Por Bruno Ghetti
A atriz Jessica Chastain em cena de A Árvore da Vida
 
A cerimônia de entrega do Oscar deste ano poderá ser a consagração definitiva de uma das estrelas que mais rapidamente ascenderam em Hollywood nos últimos tempos: Jessica Chastain.
 
Indicada ao prêmio de melhor atriz coadjuvante pelo filme Histórias Cruzadas, que estreia no Brasil em 3 de fevereiro, Jessica é uma das favoritas à estatueta, mas a vitória não será tão fácil: ela tem na colega de filme Octavia Spencer uma grande rival.
 
Para complicar, ambas podem dividir as preferências dos votantes da Academia, abrindo caminho para uma terceira concorrente, que pode surpreender.
Mas, mesmo se sair da cerimônia de 26 de fevereiro de mãos vazias, Jessica não tem do que se queixar.
 
Praticamente desconhecida há um ano, ela se tornou uma verdadeira estrela de uma hora para outra, colhendo elogios por suas atuações em nada menos que seis filmes que estrearam em 2011.
 
Sua presença em A Árvore da Vida, O Abrigo, No Limite da Mentira, Em Busca de um Assassino e Coriolanus (além do já citado Histórias Cruzadas) também lhe garantiu prêmios, como o da Associação dos Críticos de Los Angeles, que, na dúvida em por qual longa lhe entregar o troféu, resolveu premiá-la por todos os seis. 
Nascida na Califórnia em 1981, Jessica sempre adorou interpretar. Para se formar, escolheu a conceituada escola Juilliard, por onde passaram grandes atores, como William Hurt, Kevin Spacey, Laura Linney e Robin Williams.
 
Jessica era uma das estudantes mais aplicadas – nos seus quatro anos de estudo, procurou sempre estar envolvida em produções teatrais de grandes dramaturgos, como Shakespeare, Ibsen e Tchekov.
 
Paralelamente, atuou na TV, em papéis pequenos em episódios de séries como ER e Veronica Mars.
O esforço e o talento da moça chamaram a atenção de Al Pacino, que, em 2007, a escalou para o papel principal do longa Wilde’s Salome. Mas a produção do filme enfrentou problemas, tanto que só foi mesmo concluído quatro anos mais tarde, exibido no Festival de Veneza de 2011 (ainda não entrou em cartaz).
 
Wilde’s Salome
 
Bem antes disso, porém, ela se destacou em outro filme, pequeno, Jolene (2008), que lhe deu um prêmio no Festival de Seattle e chamou a atenção de vários diretores.
 
Os convites (mesmo que para papéis secundários) não pararam, e Jessica acumulou performances em vários longas, que calharam de estrear seguidamente ao longo de 2011.
 
Jolene
O primeiro foi O Abrigo, apresentado em Sundance, em janeiro de 2011, em que interpreta a doce esposa de um homem paranoico.
 
Na mesma época, o nome de Jessica se destacava também em outros festivais com o filme No Limite da Mentira. No longa, a atriz teve a difícil tarefa de dar vida à mesma personagem que, na maturidade, seria interpretada por Helen Mirren.
 
A preparação de Jessica para o papel ilustra bem o empenho da atriz em fazer bem seu trabalho: ela leu a biografia da veterana inglesa e viu todas as entrevistas que pôde de Helen quando mais jovem.
 
Também teve aulas de alemão e frequentou sessões com um instrutor de krav-magá, técnica de defesa israelense (sua personagem é uma agente do serviço de inteligência de Israel). Jessica foi muito elogiada, inclusive por Helen Mirren.
 
No Limite da Mentira
 
Mas ela teria mesmo a atenção dos críticos com outro filme, que foi a sensação do Festival de Cannes: A Árvore da Vida.
 
Para o papel da mulher de um homem conservador que tem problemas de relação com o filho, o diretor Terrence Malick ouviu os conselhos de Al Pacino e chamou Jessica para um teste.
 
Ele gostou do que viu e a escalou para o papel. Segundo a interprete, Malick queria que a personagem fosse a representação da Graça, por isso mandou a atriz assistir a muitos filmes com divas como Grace Kelly e Lauren Baccall. Quem a vê em cena nota que ela fez a lição de casa.
Desde a estreia do filme, começou-se a falar no nome da atriz como candidata ao Oscar, fosse como coadjuvante ou como atriz principal.
 
Mas a Academia preferiu indicá-la pela atuação em seu filme seguinte, o drama racial Histórias Cruzadas. No longa de Tate Taylor, a atriz vive uma jovem de origem pobre que consegue se tornar alguém na vida após se casar com um homem rico.
 
Mais uma vez, a influência para o papel deveria vir de uma estrela de cinema – desta vez mais voluptuosa que elegante, mas também profundamente vulnerável. Marilyn Monroe foi sua inspiração.
 
Histórias Cruzadas
 
Ela mergulhou na biografia da loira e logo descobriu o tom da personagem: ela deveria se parecer com Norma Jean, ou Marilyn antes de se tornar um mito do cinema (ela até engordou alguns quilinhos para ficar mais curvilínea e se sentir mais próxima de sua musa inspiradora).
As performances em Em Busca de um Assassino, de Ami Canaan Mann, e Coriolanus, do também ator Ralph Fiennes, coroaram o que muitos já chamavam de “ano de Jessica Chastain”.
 
Mas a atriz não quer que sua história de glórias profissionais se restrinja a 2011: ela já tem diversos projetos importantes para este ano.
 
Além de emprestar a voz a um personagem de Madagascar 3, ela protagonizará o novo longa de Terrence Malick (ainda sem título) e o drama Wettest Country, passado na época da Depressão norte-americana.
 
A atriz também negocia interpretar a Princesa Diana nas telas. Coadjuvante de destaque em 2011, em 2012 Jessica Chastain mudou de status: é agora estrela de seus filmes.
 
 
 
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