Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 30.09.2009 30.09.2009

Jeanne Moreau e a eternidade do cinema

Por Bruno Dorigatti
Foto de Stefan Kolumban

Talvez a principal lembrança quando se fala em Jeanne Moreauseja no papel de Catherine, ao lado dos dois rapazes no hoje clássico Jules e Jim, filme de 1962, dirigido porFrançois Truffaut. Ali ela iniciava a parceria com a Nouvelle Vague, movimento do cinema francês criado pelos entãocríticos, como Jean-LucGodard, Alain Resnais, Jacques Rivette, Eric Rohmer, surgido no início dos anos1960, e do qual Moreau se tornaria uma de suas principais atrizes. 

Passadosquase 50 anos, a atriz está no Brasil, onde ganha homenagem do Festival do Rio com uma pequena mostra, “A grande dama do cinema”, que exibe dois documentáriossobre a atriz, além de um dos seus mais recentes filmes, Mais tarde, você vai entender…, com o diretor israelense AmosGitaï. Moreau retorna ao país mais de 30 depois, quando esteve por aqui parafilmar Joanna Francesa, de CacáDiegues, onde interpreta uma dona de prostíbulo em São Paulo, na década de1930, que viaja para o Nordeste depois que um cliente se apaixona por ela, etoma contato com a realidade do agreste, até então desconhecida para ela. “Certamente,o que me levou a filmar com Cacá Diegues foi o Cinema Novo. Não se deveesquecer, eu já tinha filmado antes da Nouvelle Vague, mas aquilo foi meudespertar. Está na minha natureza, gosto de ir ao encontro do que está sendocriado”, conta Moreau nesta entrevista exclusiva ao SaraivaConteúdo. 

ComCacá Diegues, ela participou de uma conversa com o público no Cine Odeon, noRio, no último sábado, 26 de setembro, e comentou entusiasmada a renovação docinema atual, segundo ela, presentes em filmes como Cidade de Deus e na refilmagem de Cinco vezes favela,projeto de Diegues. A atriz inclusive visitou o grupo Nós do Morro, no Vidigal,um de seus pedidos expressos nesta viagem. 

Em 60anos de carreira, ela já trabalhou com diretores como Michelangelo Antonioni,François Ozon, Louis Malle Orson Welles, e, mais recentemente, Josée Dayan,Pierre-André Boutang e Amos Gitaï, com filmes que estão dentro da programaçãodo Festival do Rio. Sobre o trabalho preferido, ela respondeu nesta conversa desábado passado: “O filme preferido é sempre o próximo. A gentetem que olhar para frente”. 

Na entrevista ao SaraivaConteúdo,onde elegantemente dirigiu e deu sugestões técnicas à equipe de filmagem,Moreau fala sobre a permanência da arte de filmar – “O cinema existirá parasempre” –, de sua preferência em fazer filmes de pequeno orçamento e continuar filmando– “É assim que eu trabalho com as pessoas” –, e do trabalho recente comdiretores como Amos Gitaï, Josée Dayan, com quem filma há dez anos e lhe devolveuuma energia magnífica e a oportunidade de interpretar personagens maravilhosos,e Pierre-André Boutang, que trabalha muito com o canal ARTE. 

Àqueles que pretendem ingressar ou estão começando comoatores, ela diz não dar conselhos. Apenas recomendou que sejam claros ecoerentes, que tenham calma e audácia. Palavras que ajudam a classificar suasqualidades como atriz.

> Assista à entrevistaexclusiva de Jeanne Moreau ao Saraiva Conteúdo 

> Confira os filmes com Jeanne Moreau no Festival do Rio

MAIS TARDE, VOCÊ VAIENTENDER …

(Plus tard, tucomprendras…)
de Amos Gitaï. França / Alemanha, 2008. 89min.

Rivka, senhora judia que vive rodeada de objetos do passado,prepara o jantar para seu filho Victor, enquanto acompanha na televisão ojulgamento de Klaus Barbie. O ano é 1987, e o ex-líder da Gestapo, conhecidocomo o “açougueiro de Lyon”, finalmente enfrenta a justiça por seus crimes noHolocausto. Em seu escritório, Victor trabalha organizando os documentos ecartas que contam a história de sua família e também assiste o julgamento. É quandoRivka reconhece na TV a voz de uma das testemunhas, a voz de um sobrevivente,que despertará emoções profundas entre mãe e filho.

 

    

JEANNE MOREAU – UMRETRATO ÍNTIMO
(Jeanne M. Côté Cour,Côté Coeur)
de Josée Dayan, Pierre-André Boutang, Annie Chevallay. França, 2007. 94min. 

Registro da trajetória de Jeanne Moreau, atriz que trabalhoucom Antonioni, Truffaut, Buñuel e Orson Welles e virou um dos rostos maisconhecidos da Nouvelle Vague.

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