Ramiro Fajuri por Ramiro Fajuri Livros 22.06.2021 22.06.2021

Jean Paul Sartre: a vida do maior filósofo existencialista do Século XX

Jean-Paul Charles Aymard Sartre nasceu em Paris, França em 21 de junho de 1905, e faleceu também em Paris, em 15 de abril de 1980). Sartre foi filósofo, escritor e crítico de arte,  conhecido principalmente por sua produção intelectual na filosofia, na corrente chamada existencialismo.

Sartre era o que hoje chamaríamos de um artista militante, que acreditava acreditava que os intelectuais devem desempenhar um papel ativo na sociedade, e seguia uma linha política de esquerda.

A infância de Sartre

O pai de Sartre se chamava Jean-Baptiste Marie Eymard Sartre, oficial da marinha francesa. Sua mãe era Anne-Marie Sartre (Nascida Schweitzer). Quando Jean Paul nasceu, Jean-Baptiste sofria de uma doença crônica contraída na Cochinchina, atual Vietnã, e morreu em 21 de setembro de 1906, quando o futuro intelectual Jean Paul Sartre, era apenas um bebê.

Após a morte do pai de Jean Paul, a família Sartre mudou-se para Meudon , onde passam a viver na casa de seus avós maternos. Até os 10 anos , Jean Paul Sartre foi educado em casa por seu avô.. Com pouco contato com outras crianças, Em 1911, a família mudou-se novamente, para Nobres, onde Jean Paul passou a ter acesso à biblioteca de obras clássicas francesas e alemãs de seu avô.

Na infância, Sartre teve acesso a autores clássicos como Victor Hugo, Flaubert, Mallarmé, Corneille, Maupassant e Goethe, mas os lia somente por obrigação educacional. Suas paixões eram os quadrinhos e romances de aventura, que sua mãe comprava escondida do avô, que não aprovava essas leituras. Foi nessa época que aprendeu a amar também o cinema, uma de suas grandes paixões.

Em 1917 , a mãe de Jean Paul Sartre casa-se novamente, com Joseph Mancy, que passa a ser padrasto de Sartre, e  Anne-Marie muda-se com ele para a La Rochelle, cidade litorânea onde ele conheceu muitos imigrantes árabes, chineses e africanos, o que ele mesmo reconheceu mais tarde como o fato que despertou nele o sentimento anticolonialista e sua militância política de esquerda.

Estudos superiores

Jean Paul Sarte entrou em na École Normale Supérieure na mesma turma de Paul Nizan, Daniel Agache e Raymond Aron, e o menino que antes não saia de casa e vivia grudado à mãe se torna muito popular entre os colegas.

Os Alunos da escola se dividiam em grupos baseados em afinidades religiosas, facções e correntes políticas, como socialistas, comunistas e pacifistas.  Sarte aderiu aos grupos dos ateus e pacifistas, não se envolvendo em política naquele momento.

Nessa época Sartre começou a ler Nietzsche, Kant, Descartes e Spinoza, e a desenvolver uma as primeiras ideias de uma filosofia da liberdade leiga, da oposição entre os seres e a consciência, do absurdo e da contingência que ele viria a desenvolver  em suas grandes obras filosóficas. Seu principal interesse filosófico é o indivíduo e a psicologia.

Jean Paul Sartre e Simone de Beauveir

Em 1928, Sartre tentou o mestrado, sendo reprovado. Na preparação para a segunda tentativa, estuda com Paul Nizan e René Maheu Na Sorbonne, onde conheceu a antão namorada de Maheu, Simone de Beauveir Na segunda tentativa, Sartre passa em primeiro lugar na prova para o mestrado, e Beauvoir obtém a segunda colocação.

Sartre e Simone de Beauveir formaram o que seria o casal mais famoso da filosofia, mesmo que jamais tenham se casado no papel e mantivessem um relacionamento aberto, trocando correspondências e confissões sobre suas experiências com outros parceiros. E jamais esconderam isso.

Se na segunda metade do século XX, especialmente na década de 60, o mundo passava por uma grande revolução comportamental, inclusive na parte do comportamento sexual, um casal de intelectuais do primeiro escalão, que já era conhecido pela relevância de suas obras individuais, ter um relacionamento francamente aberto era algo que atraia a atenção.

Talvez seja por essa razão que Sartre e Simone fossem o casal de intelectuais mais conhecidos da cultura pop,.

Principais obras de Sarte

Náusea (1938)

O Muro (1939)

O Ser e o Nada (1943)

A Idade da razão (1945)

Com a morte na Alma (1949)

As Moscas (1943)

Mortos sem sepultura (1946)

A engrenagem (1948)

A Imaginação (1936)

A Transcendência do Ego(1937)

Esboço de uma Teoria das Emoções (1939)

O Imaginário (1940)

As palavras (1964)

Atuação Política de Jean Paul Sartre

Consta que durante a ocupação alemã da França na segunda Guerra Mundial, Sartre teria participado da Resistência Francesa, onde teria se tornado amigo de Albert Camus, uma amizade que teria sido desfeita em 1952, pela posição crítica que Camus tinha a respeito da União Soviética e do regime de Josef Stalin, que Sartre admirava e defendia.

Entretanto, o engajamento de Sartre na luta contra a ocupação nazista da França não é um consenso entre os historiadores, Intelectuais como o filósofo francês Vladimir Jankélévitch afirmam que Jean Paul Sartre teria tido pouca ou nenhuma participação efetiva na Resistência.

Segundo essa mesma corrente, o engajamento político antifascista que ele demonstrou após a guerra, e sua aproximação com o marxismo, que o levaram a se encontrar com ícones dessa corrente política, como Che Guevara, seriam uma maneira de Sartre lidar com uma certa culpa que poderia sentir por essa omissão.

Entretanto, após a invasão da Hungria pelo Exército Vermelho, Sarte escreveria o  ensaio Le phantome de Stalin (O fantasma de Stalin), repudiando a repressão soviética ao que viria a ser chamado de Primavera de Praga.

Quando visitou Cuba, e se encontrou com Fidel Castro, Sartre já estava rompido com o Partido Comunista Francês, ao qual nunca chegou a ser oficialmente filiado, e Cuba ainda não havia se tornado oficialmente um país comunista.

Independentemente de suas eventuais contradições, Sartre se tornou o modelo do que se consideraria um intelectual engajado, sendo um dos pensadores mais influentes da segunda metade do Século XX, e até os dias de hoje.

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