Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 28.11.2011 28.11.2011

James Patterson, uma fábrica de sucessos editoriais

Por Carol Almeida

Cena de 'Beijos que Matam', com Morgan Freeman na pele do detetive Alex Cross – criação de Patterson

Fica difícil não recorrer aos superlativos na hora de falar de James Patterson. Com três décadas de carreira como escritor profissional, ele é um desses best-sellers que, cá pelas bandas do Ocidente, só perde em vendas pra turma do Marcos, Mateus, Lucas e João. E, sim, estamos falando dos nomes que assinam pelos evangelhos da Bíblia. Autor que conseguiu a proeza de emplacar 19 vezes consecutivas o posto de número 1 entre os mais vendidos da lista do New York Times, ele também tem o recorde de escritor com o maior número de best-sellers da história da ficção: 63 ao todo, o que o coloca também no Livro dos Recordes.
E ainda o comparando às sempre boas vendas da Bíblia, mesmo que Patterson não tenha um protagonista tão carismático quanto Jesus, esse escritor americano tem seus trunfos, sendo os mais conhecidos Alex Cross e as moças que fazem parte do Clube das Mulheres Contra o Crime. Todos, em lugar de lidar com o perdão, trabalham exclusivamente com o pecado. Dos outros.
O primeiro é seu personagem mais famoso, um detetive e psicólogo forense desses que você se apega e não larga mais. Já interpretado no cinema por ninguém menos que Morgan Freeman, nos filmes Beijos que Matam (1997) e Na Teia da Aranha (2001), e previsto para voltar às telas em 2012 com um elenco que inclui Tyler Perry, Jean Reno e Matthew Fox, Cross está para Patterson como Philip Marlowe estava para Raymond Chandler ou Sam Spade estava para Dashiel Hammet. Eficiente em desvendar mistérios e pouco sortudo com as mulheres, Cross é nada menos que o personagem mais popular de série policial americana nos últimos 10 anos.
Já as moças do clube acima mencionado podem ser lidas na série mais recente de Patterson – outra, aliás, que vende como água e que aqui no Brasil acaba de ganhar mais uma história: 5º Cavaleiro (Editora Arqueiro). Formado pela tenente Lindsay Boxer, sua fiel amiga Claire Washburn, a repórter Cindy Thomas e a mais recente integrante do grupo, Yuki Castellano, elas investigam casos que são mais rapidamente desvendados pela habilidade feminina de entender a psicologia do crime. As personagens chegaram também a ganhar a tela, desta vez na TV, na série Women's Murder Club, que só durou uma temporada no canal Fox e, mais impressionante ainda, são protagonistas de um game desenvolvido para várias plataformas: PC, X-Box e Nintendo DS.
 
O escritor James Patterson
Onipresente nessas prateleiras multimídia, Patterson é hoje um nome que vai bem além do status de escritor ou mesmo best-seller. Ele é uma marca. Dessas que se sustentam mesmo quando não criadas a partir de suas próprias mãos. Afinal de contas, com a fábrica de romances que ele tem hoje, Patterson conta com a colaboração de outros escritores que, às vezes, coassinam seus livros. Criticado por essas e outras questões envolvendo estilo de narrativa – um de seus críticos é ninguém menos que o também best-seller Stephen King –, Patterson não se abala e garante que as alfinetadas de alguns não se comparam às compras de seus milhares de leitores. E uma coisa não se pode negar: ainda que nem sempre seja ele a mexer a panela, a receita de sucesso está cravada com seu nome.
Hábil na arte de administrar seu legado como best-seller, o escritor é, acima de tudo, um grande homem de negócios. Um de seus mais recentes contratos com sua editora nos Estados Unidos, realizado em 2009, o rendeu um depósito nada modesto de US$ 150 milhões, em troca da autoria e coautoria de 11 livros para adultos e mais seis para crianças, soma de títulos que será publicada até o fim de 2012. Em outras palavras, o homem, hoje aos 64 anos, é uma fábrica de produzir sucessos editoriais.
 
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