Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 27.08.2013 27.08.2013

James Patterson: o homem das ideias

Por Thaís Ferreira 
 
Dois irmãos são levados de sua casa no meio da noite. Eles são presos e maltratados por um regime ditatorial, chamado Nova Ordem. Whit e Wisty são acusados de praticar algo que, até então, achavam que não existia: a magia. Eles terão que descobrir que poderes são esses e como podem utilizá-los para escapar de uma sentença de morte.
Essa é a história de Bruxos e Bruxas (Editora Novo Conceito) – o primeiro livro de uma série que acaba de chegar ao Brasil. Escrita por James Patterson, famoso pelos suspenses do personagem Alex Cross, a obra teve seus direitos vendidos e, em breve, deve chegar aos cinemas .
Em entrevista para o SaraivaConteúdo, o autor fala sobre seu processo de criação e sobre os próximos livros da série.
 
Você escreveu mais de 100 livros. Como você consegue escrever tanto?
James Patterson. Minha experiência anterior é em publicidade e propaganda, e nessa área tudo gira em torno da ideia. Você vem com uma grande ideia e, então, conta com uma equipe para executá-la. Quando eu comecei a escrever, eu tinha mais ideias do que eu era, pessoalmente, capaz de produzir, então importei o modelo da publicidade.  Eu sou o homem das ideias: eu apareço com o piloto, crio um esboço de 50 a 80 páginas que contém as linhas gerais da história, os acontecimentos e as reviravoltas, e então, eu entrego a um coautor, que concretiza os detalhes. Então, nós vamos ir e voltar algumas vezes para ter certeza de que o livro segue minha ideia original e que a leitura vai para o caminho que eu quero. No final do dia, seu for colocar meu nome em alguma coisa, eu quero ter certeza que é uma coisa da qual eu me orgulho.
 
Capa de Bruxos e Bruxas
O que te inspira a escrever todas essas histórias?
James Patterson. Eu fico inspirado todo o tempo, por coisas muito diferentes. As ideias para escrever meus suspenses vêm dos noticiários, eu tenho ideias para livros infantis conversando com meu filho e seus amigos, minha mulher é uma inspiração também. Eu sempre fui muito criativo, então muitas histórias vêm até mim, é um processo natural.
Bruxos e Bruxas foi escrito por você e Gabrielle Charbonnet. Como foi a experiência de escrever com ela?  O que isso acrescentou no processo de criação do livro?
James Patterson. Eu adoro o processo de colaboração. Como mencionei, eu usei a técnica dos meus tempos de publicidade. Esse processo é muito comum em Hollywood também. Escritores não escrevem sozinhos para a televisão e cinema – eles escrevem em equipes. Gabrielle é uma coautora brilhante e foi um prazer trabalharmos juntos. Ela realmente me ajudou a fazer de Bruxos e Bruxas uma série incrível – ela pegou minhas ideias e se alinhou com elas.
Como você surgiu com a ideia de ter dois irmãos: dois personagens diferentes narrando a mesma história?
James Patterson. Eu acredito que crianças sempre têm um melhor amigo – alguém de quem elas são inseparáveis. Eles relatam duas coisas a partir de um mesmo ponto de vista. Então, eu queria dar a essa duas crianças esse mesmo sistema de apoio que as crianças procuram. Mesmo que eles lutem contra o pior tipo de mal, eles têm um ao outro, e isso os faz mais fortes.
Qual é a inspiração para a Nova Ordem? Algum regime totalitário em particular?
James Patterson. Na verdade não. Infelizmente, existem muitos lugares para se inspirar, mas eu só tentei pensar em um mundo em que os meus maiores medos se tornassem reais e com que isso se pareceria. Como eu sou uma pessoa criativa, a pior coisa que pode acontecer é tirar o direito de expressão das pessoas. Esse é, sem dúvida, um dos meus piores medos.
 
O autor James Patterson
Bruxos e Bruxas, o primeiro livro da série, acabou de ser lançado no Brasil. O que os brasileiros podem esperar dos próximos livros?  Alguma reviravolta interessante? Algum novo personagem interessante?
James Patterson. Eu coloco muita fé nos personagens Whit e Wisty. Os leitores podem achar que, mesmo em face de um regime muito cruel e muito perigoso, o poder e o idealismo podem acabar completamente com os personagens. Eu não quero revelar muito, mas eles são capazes de construir algo a partir do zero com esse idealismo, um novo regime que valoriza a criatividade, a cultura e as ideias. E a partir daí, temos outros personagens como Byron, Heath, Celia, Sasha. Durante a história, os leitores vão descobrir que grande parte da aventura tem a ver com a lealdade.
 
 
 
Recomendamos para você